# Corpete Vermelho

Tentei sucumbir
tentei esconder,
mas hoje lembrei
a seda em seu corpo a cobrir
Lembrei-me do seu corpete,
avermelhado.
Atirei-me ao chão
confundia-te com o carpete
comecei a abraçá-la então
e o pó do carpete
lembrou-me do perfume
e as fibras dele,
do leve toque da sua mão.
A cortina aveludada
ressaltou após o vento a tocar
o suspiro de um dia bom
sua voz vem e vai
entra por um ouvido,
passa por meus olhos,
minha garganta
e sai por outro alguém.
Você está aqui
em todo mundo
em ninguém.

# Ano novo

Mais um ano
Passa e passa,
ano novo
frutas cristalizadas,
uva passa.
Vinho tinto
de mesa
na mesa
a taça de vidro
um doce, sobremesa
Os fogos estouravam,
uns pediam dinheiro
outros passavam
de vermelho,
Eu semelho,
a fumaça
quase nevoeiro.
Minha cabeça gira,
quanto mais quisesse
voltar no tempo,
era só o tempo,
que prosseguia

# Provas de 1 crime (Pt. 5)

Enrico então, num movimento rápido, levanta o braço direito para sacar o maço de cigarros do bolso esquerdo da camisa social vermelha que ele adorava usar. Talvez além da bebida, fumar também o acalmava. Enquanto isso, Alisson chorava ao telefone, ligando para a polícia que ficava a algumas quadras de sua residência.
Ele não parecia tão arrependido, talvez por demasiado descontrole pessoal ao ainda estar sob efeito da bebida do bar. Os minutos iam passando, ela já se encontrava sentada em uma das cadeiras da mesa de jantar, que aliás, estava repleta de comida que esperava quente – agora fria –, a chegada de Enrico. Mal sabiam aquelas batatas que ele levantaria um dedo, e encostaria uma mão no rosto de Alisson.
A campainha toca
Din don...
Alisson se levanta, eram os guardas devidamente uniformizados, com sobretudo azul marinho, calça preta, coturnos impecáveis, e aquele chapéu tradicionalista da polícia, embora os tempos ainda não tenham voltado a ditadura, era de se esperar que grandes homens como os da polícia andassem bem trajados.
– Foi você quem ligou para nós? Você é a srta Alisson?
Enrico estava voltando do banheiro após lavar bem o rosto com água gelada, parecia um pouco mais sóbrio depois do acontecido. Não parecia entender muito bem a situação, estava um pouco tonto, e foi preciso de ajuda de um dos guardas para descer a escadaria da casa.
Alisson olhava piedosamente para o pai de sua filha, e decidiu então, não denunciá-lo, dizendo apenas que havia escutado um barulho estranho atrás de sua casa, próximo a uma das janelas.
E com o passar da noite, quando as luzes iam sendo apagadas, Alisson olhou novamente para o rosto de Enrico, e pensou como seria dali pra frente. Enquanto ela refletia sobre Enrico, ele aparentava estar serio demais com a situação, alguma coisa o inquietava, talvez tivesse "caído a ficha" sobre o que havia acontecido. Ele então não queria mais sofrer com a ideia de viver ao lado de uma mulher do qual, ele havia machucado um dia, com toda força de seus punhos.
Pega o carro, e vai se arriscar no mundo afora, não perde tempo para ir conhecer novos locais, ver a vista, entender tais finalidades da vida. De certo modo, Enrico estava arrependido, mas seu orgulho tomava conta de seus olhos, ele não queria se entregar novamente as artimanhas de um destino sombrio. Ele queria se curar. O carro vermelho, combinava com a cor da sua camisa vermelha, e com o sangue que escorria por suas narinas, que o fez parar em um pequeno vilarejo perto da rodovia que ele seguia sem rumo.
Sei o que é sentir a dor persuadindo sobre minhas pálpebras.