# Inexistência.

Meu corpo;
Latifúndio 
espécie de
plantação,
ideias e ideais
coisas já não
tão reais,
sempre me impedem
de seguir
em sua direção.
História
reeducação,
talvez motivação,
a memória
de um dia
talvez
ter tido
alguma ampliação
de um sonho
qualquer;
uma pessoa
que
se quer
jamais
existiu.

# Dezembro.


Vou sempre me lembrar
de quando um dia
vim a falar
dos seus cabelos
se bem me lembro
crespos pela chuva
de setembro.
Hoje
me recordo
apenas do seu sorriso
no mês de dezembro
apenas mais um doce natal
e um novo ano
que ia entrar.
Vou apenas lembrar
que em setembro
ou em dezembro,
estava só
a te acompanhar
estava só
transformado em pó
esperando
o vento soprar-me
até você.

# Sentido não!

A inconfidência
deste sentimento
tem desmatado
todo sentido
de querer-te aqui.
Não quero
mais prorrogação
tudo que toco
se torna destruição,
não faz sentido,
esculpir essa ilusão.

Parte de mim
está no Rio Negro
vivo assim
pensativo...
Nada se torna
intuitivo,
são batalhas,
uma benevolência
perto dessa
violência
o príncipe,
é exaltado.

Ele regressa
e se entrega
em uma prorrogação
esperando um milagre
uma oração prega
o álcool que consome
te espera de manhã
até anoitecer
esperança de um amanhã
ver o dia clarear
outro dia a nascer.
Ele nasce
mas sente
outro seu
morrer.

# Empreendedor.

Quando
Hoje acordei
Minha crença
Era apenas
Uma doce doença.
Me sinto
Como uma presa,
Um pequeno peixe
Em uma represa
De predadores.
Fui um
Empreendedor
Que investiu
Em ser um sonhador.
Mas desistiu...

Paguei o meu preço
Joguei tudo para o alto
- Eu mereço!
Apesar do meu grande assalto.
Não pude roubar
A sua infelicidade.
Fracassei!
É verdade,
Sou fraco demais.
Preciso
De um pouco
De você;
De paz.

A sua voz
É gritante, escandalosa,
Mas me cai sempre tão doce
Sempre o seu timbre
Chocolate como fosse,
É a máscara saudosa,
É a hóstia
Da minha realidade.
É tudo que
Sonhei;
Luz que ilumina
Toda minha maquete
Você poderia me salvar,
Aproxima-se,
Aos seus pés
Quero me curvar.

# Corpo e Calabouço.

Hoje pensei ter acordado;
Pensei que estivesse dormindo;
Mas voltei a pensar,
Talvez na madrugada, tenho parado
De sentir o que necessitava.
E com as horas a passar
Senti palpitações
Dormência nos lábios.
E na pior das situações
Quando eu pensei
Que estava acordado
Estava em óbito
Havia um cadeado
Trancando minha voz
Não podia mais
Falar de nós.
Um calabouço
Infeliz.
Meu corpo é
uma senzala.
O que
fiz?

# Luta Livre (Pt. 9)

Era típico de Erick ouvir vozes, ainda mais de Dianna. Mas dessa vez a voz estava falha demais, ele parecia confuso, ela parecia sem voz. No seu sonho, Erick começou a correr atrás de Dianna, ela parecia um feixe de luz, indo para uma porta. Erick só percebia em suas mãos, o sinal de "vem" de Dianna, mas as palavras eram mudas; incompreendíveis. Ele vagarosamente caminhava em direção a Dianna, porém pensava muito em Mariah, talvez não quisesse abandoná-la, e quando ele ultrapassou a porta, ele foi reanimado pelos médicos de um hospital próximo a casa de Mariah.
Todos estavam assustados, não sabiam o que estava acontecendo, Erick acabara de ter uma parada cardíaca, ficou alguns instantes desacordado. Mariah estava as lágrimas, as crianças estavam na escola já, não presenciaram a cena. Já estava amanhecendo, as aulas começavam bem cedo, as normas escolares eram rígidas para as crianças.
Enquanto isso, Erick estava deitado sobre uma cama, com um lençol e um avental de paciente, passando por alguns exames, ainda um pouco confuso e desnorteado com tudo o que estava acontecendo. Parecia que Dianna, uma linda jovem de cabelos ruivos o chamava para uma morte envolvendo-o em seus braços, ela queria mesmo que Erick ficasse com ela, a ideia lhe passou vagarosamente muito boa na sua cabeça. Contudo, ele se recusava a entender a distancia entre o céu e a terra, talvez ele precisava mesmo de um contato físico e menos espiritual. E naquela mesma noite, já de alta, continua a receber os cuidados de Mariah, ela realmente se mostrava muito cuidadosa e atenciosa, talvez ela amasse mesmo Erick, mas tivesse medo de não ser correspondida. E as horas foram passando, ela havia preparado uma sopa de legumes, e ciclicamente movimentava a colher para a sopa, assoprava a sopa, e dava na boca de Erick. Ele estava com um pouco molenga, os médicos disseram que podia ser normal, já que lhe fora extraído uma quantidade de sangue para exames e até que lhe fosse dado um diagnóstico, que comesse bastante proteínas para fortalecê-lo.
Erick então tenta se explicar:
- Eu... Estava... Bom... De alguma forma... - Sua boca estava seca, talvez a sopa estivesse com um pouco a mais de sal. - É que... Ela me chamava...
- Ela quem? Perguntou Mariah amedrontada.
- D-I-A-N-N-A
- Mas o que ela dizia? O que ela queria?
- Ela... Queria a mim.

# Luta Livre (Pt. 8)

- Mais nada, obrigado. Já tenho tudo que preciso bem aqui! - Exclamou Erick sorridente.
Após pagarem a conta, eles então se levantam da mesa, caminham até a saída do restaurante e despercebidos, seguram um na mão do outro. Ainda um pouco tímidos, olham dentro dos olhos, sorriem novamente dizendo:
- Eu tenho tanto para te dar. Só queria que você estivesse afim de receber todas as coisas que eu quero te oferecer.
- Venha até a minha casa, durma conosco. Vai ser legal Erick.
- Eu vou.
E depois dessa conversa, Erick e Mariah se dirigiram até algumas quadras dali, o hotel não era um dos melhores, o prédio tinha uma estrutura bem rústica, a escadaria e toda decoração interna lembrava a matriz da era antiga, a pintura, os corredores, os quadros. tudo esteticamente perfeito. Os papeis de parede simplesmente completavam todo aquele cenário. E logo no quarto 42 Mariah parou, remexeu em sua bolsa, segurou as chaves e as trouxe para fora da bolsa, e com um movimento único de sutileza as colocou na fechadura para que pudessem entrar.
Já dentro do apartamento, Mariah foi abraçada por um de seus filhos, o maior. Ele já estava cansado de ter cuidado do irmão mais novo, e por fim, abraçou sua mãe, cumprimentou Erick, e chamou sua mãe para que pudessem sussurrar:
- Mãe, estou muito cansado, preciso ir dormir. Seu amigo parece ser legal.
Mariah risonha, deu um beijo na testa do seu filho Pablo que foi dormir, deixando-os em paz.
- Pablo é um garoto muito educado, obediente, estioso. - Dizia Mariah.
- Me pareceu mesmo, muitas das crianças que eu conheço não iriam com a minha cara logo de início.
Ela pegou na mão de Erick, levou-o até o sofá de dois lugares, ligou a televisão bem baixinho e começou a conversar com ele. As horas iam passando, Erick e Mariah bocejavam de minuto a minuto, até que ela decide deitar sua cabeça no peito de Erick, ele, sem muito contato com mulheres a muito tempo, pensa, repensa, e chega a decisão que fazer um cafuné nela não seria tão ruim. A vida de Erick estava melhorando pouco a pouco, mas ainda havia uma coisa que o preocupava. Até quando aquilo iria durar? Até quando a magia que Mariah sentia por ele iria sobreviver? O que as pessoas no trabalho diriam a respeito disso quando descobrissem?
Mas as coisas estavam fluindo bem, ela adormeceu no seu peito, Erick então pega um casaco e a cobre para protegê-la. Fechou os olhos e também adormeceu.
No seu sonho, ele foi surpreendido por Dianna, a mulher da sua vida, que estava morta. Ela queria lhe dizer alguma coisa, mas Erick não conseguia escutar...

# Luta Livre (Pt. 7)

- Adoraria que você me falasse mais sobre isso Mariah. - Erick já estava apreensivo
-... Bom Erick, acho que precisamos colocar alguns pingos nos "is". Queria falar uma coisa para você...
- Pode dizer Mariah, desembucha! - Erick estava sendo até equivocado.
- ...Eu gosto de você Erick, gostei muito de ter saído com você. - Essas palavras saíram suavemente da boca de Mariah, e pareciam entrar como notas musicais pelos ouvidos de Erick.
- Eu também gosto de você Mariah! Podíamos marcar de sair mais vezes. O que você acha?
- Eu não concordo com isso, não precisamos sair, basta irmos direto ao ponto. Semana que vem farei um jantar especial, pois você é o meu convidado especial. Gostaria muito que você aparecesse por lá.
- Eu irei.
A conversa foi interrompida pelo garçom oferecendo mais vinho a eles, já que seus copos estavam vazios. Erick recusou de primeira instancia, porém quando viu Mariah aceitando, retomou sua decisão, e aceitou mais uma taça. Já estava ficando tarde, então depois do ultimo gole da sua taça, Erick se levanta, dizendo que precisava ir. Que no dia seguinte havia muito trabalho a ser feito, Mariah concorda, porém passando a mão em seus cabelos, esperando que Erick a dissesse alguma coisa importante sobre aquele jantar.
Ele levantou a mão tentando chamar a atenção do garçom, porém o garçom estava ocupado, o restaurante inteiro estava cheio e todos os funcionários estavam ocupados. Uns cuidando da limpeza, outros das mesas, outros do dinheiro e outros da comida.
Erick e Mariah decidem voltar a sentar, mas enquanto se acomodavam na mesa, um olhar diferente surgiu entre eles. Uma coisa mais forte, talvez a atração que faltava a eles. Com vergonha abaixaram as cabeças, Mariah estava com a mão sobre a mesa, e Erick levou sua mão devagar até a outra extremidade onde estava a mão de Mariah. Elas se cruzaram, entrelaçaram, um sorriso foi solto escondido entre os cabelos de Mariah, e Erick meio sem jeito sorriu também.
- Ó, me perdoe, apenas...
Mariah sorrindo disse:
- Esquece Erick. - Ela foi segurando mais forte a mão de Erick.
Erick ainda sem jeito, não sabia como lidar com aquela situação, talvez pensasse que ela não quisesse nada com ele. Já que ela pediu que esquecesse.
- Nossa, que cheiro é esse? Venha cá Erick, deixe-me sentir o seu perfume.
Erick lentamente foi, levando seu rosto em direção ao rosto de Mariah para que ela sentisse o aroma do seu perfume.
- Nossa, seu perfume é bem amadeirado, maravilhoso!
Erick se afasta um pouco, mas não muito, ainda esperançoso com o que poderia acontecer. Então Mariah olhando fixamente em seus olhos diz:
- Adoraria sentir o seu perfume na minha roupa hoje, e sentir a sua língua se locomovendo na minha boca Erick, só não acho que aqui seria o lugar adequado.
- Bom... Sendo assim, onde poderemos ir além daqui?
- Disse que não seria adequado, não que não devemos nos beijar agora.
E com o quebrar das vozes, os dois começam a se beijar. E com os olhos fechados, começam a se imaginar dançando ao som de um bolero quente, com a pista somente deles. Eles se imaginam sozinhos, como em um  paradoxo do paraíso.
- Está aqui a conta senhores. Mais alguma coisa? ...

# Luta Livre (Pt. 6)

Mais uma vez Erick não sabia o que fazer. Ele estava paralisado com o olhar de Mariah, esboçando curiosidade em saber de que Erick estava falando.
- Ah... Sabe... Bom... Eu queria... Eu gostaria de saber, se você quer jantar comigo - Erick estava muito tímido, fazia muito tempo que não chamava uma garota para sair.
A resposta foi simples e direta:
- Sim! Adoraria Erick.
Ele então, sem reação caminha sem acreditar até a maquina de café que ainda estava com defeito e ignora o fato, tentando diversas vezes fazer seu café sair pela mesma. Algumas pessoas que passam por ali começam a rir, e Erick ainda distraído não da atenção a elas. - Apenas o meu café! - Dizia ele querendo que a cafeína o acordasse. ou pelo menos o fizesse deixar de ficar sonolento.
Ao reparar a confusão mental de Erick, Mariah se levanta para ajudá-lo, já pronta para sair ela pega Erick pelo braço e sente ele frio, com medo. E enquanto as pessoas riam da cara de Erick, Mariah apenas o ajudava, sem ostentar nada em troca, apenas por ajudar. Não é a toa que Mariah sentia uma forte atração por Erick, ela achava simplesmente que já o conhecia de algum lugar. Talvez fosse o primeiro passo para começar a acreditar em coisas que já haviam acontecido em vidas passadas, em coisas assim, inexplicáveis. E conforme os degraus da escada eram percorridos, Mariah levando Erick pelo braço pensava em como seria sua vida, como as coisas poderiam fluir naturalmente entre eles.
Percebeu que Erick estava melhorando, então, indiretamente ela aceita o pedido de Erick para jantar, porém, levando-o em direção a um restaurante, já que ele não estava em condições de ir sozinho. Ela o levou até a porta do toalete, e pediu que jogasse um pouco de água no rosto. Enquanto isso, mostrou em que mesa iria se sentar, e disse que estaria esperando-o.
- Nossa, devo estar sonhando. Mariah me trouxe até aqui. - E quanto mais ele pensava nisso, mais água ele jogava sobre o rosto para tentar acordar daquele sonho maravilhoso. - Isso não é um sonho. Eu estou acordado!
Ergueu a cabeça e caminhou até a saída do banheiro masculino, colocou as mãos sobre o batente da porta e rezou, como se agradecesse aquele momento maravilhoso. Andou até a mesa, puxou a sua cadeira delicadamente, e disse:
- Não sei como agradecê-la. Podemos fazer um brinde a isso? A essa nossa união?
- Claro, o vinho branco que a casa nos indicou já estará aqui em alguns instantes. Mas me diz Erick, porque você ficou nervoso ao tentar me convidar para jantar?
As mãos de Erick foram ficando soadas, Erick estava nervoso e queria que aquela pergunta não fosse respondida.
- Sabe Mariah, achei que você quisesse jantar comigo, gostei de conhecê-la, mas meu nervosismo não me ajudou muito em conquistá-la. - Apreensivo Erick toma a taça com o vinho e bebe indelicadamente.
- Não! Muito pelo contrário Erick, eu que agradeço por você me convidar. Assim é melhor, deveríamos mesmo ter nos conhecido. Acho uma pena eu ter mentido para você. Enfim, de onde paramos? ...

# Luta Livre (Pt.5)

Erick no meio do seu sonho, pensou consigo mesmo:
- Porque devo-me fantasiar e escravizar-me se não terei mais Dianna, se hoje ela é apenas um vulto dentro de minha cabeça?
E assim Erick projetou em seu sonho a imagem de tempos atrás, de como eram as coisas para ele e Dianna. Contudo o tempo foi passando, e as lembranças foram tomando um novo tom, criando formas e curvas e Erick começou a se colocar ao lado de outra mulher, talvez de Mariah, mas não, Erick se debatia no seu sonho pois estava cedo demais, sua perda, a maior de todas elas ainda estava viva dentro de sua consciência. Erick não queria esquecer Dianna, mas também não queria esquecer que Mariah poderia ser seu novo grande amor.
Ao amanhecer, Erick ainda só no escritório levanta até a maquina de cafés e percebe que ela estava com problemas, caminha até o banheiro e lava o rosto com água fria. Quando volta, decide descer a escadaria e tomar um café em uma das padarias dos arredores. Encontra Mariah conversando com uma outra amiga, e ao se aproximar despercebido Erick escuta um pouco da conversa:
- ... Ah ele é tão calmo e tão bonito (risos) - Erick já não sabia do que se tratava então se pôs a cumprimentá-las - Oi! - Meio timidamente.
As duas então ficam assustadas e o assunto perde o fio da meada, talvez estivessem falando de Erick e quisessem manter segredo. Porém Erick era esperto, tantas horas trancadas dentro da daquele solitário escritório o fizeram ter uma boa percepção das pessoas ao seu redor, mas ele também se manteve em silêncio, uma parcela dele queria pensar que estivessem mesmo falando dela, outra não, já que se conheceram a apenas uma noite.
- Oi Mariah, tudo bem com você? - estava recíproco.
- Ahh! Oi Erick, você nos assustou, estávamos falando da novela... - Aquela coisa permaneceu no ar até que... - Estou bem, essa é Julie, uma amiga de infância.
- Muito prazer em conhecê-la Julie, sou Erick, Mariah já deve ter dito de mim a você.
Tudo foi quebrado por longas gargalhadas e pelo incomodo barulho da cadeira sendo puxada por Erick para se sentar.
Com o decorrer da conversa, é chegada a hora de ir trabalhar, o dia exigia menos de Erick e Mariah, talvez por seus patrões ainda estarem curtindo o feriado (que naquele tempo, só aqueles que possuíssem o maior cargo poderiam ter), e Erick começou a pensar na possibilidade de se aproximar um pouco mais de Mariah. Tratou de cuidar de todos os casos - já que eram poucos -, arrumou suas coisas, deixou tudo organizado exatamente como estava a sua vida e levantou indo em direção a cabine do escritório de Mariah. Ela estava distraída, com um óculos de descanso, cabelos soltos, também quase se aprontando para ir embora. Ele então apoia uma das mãos na entrada da cabine e diz:
- Você quer jantar comigo?
Mariah distraída ainda, não dá muitas atenções a Erick, e a pergunta acaba ficando no ar...
Erick levanta a cabeça novamente, pensa um pouco alto:
- Porque achei que tivesse chances? Sou um idiota...
A voz de Erick chegou aos ouvidos de Mariah como um sussurro, e ela respondeu:
- Eii! Me perdoe, não havia visto você aí, você queria me dizer algo?...

# Luta Livre (Pt. 4)

Ao chegar mais perto, curioso, Erick ainda não sabendo o nome da bela moça, ficava cada vez mais ansioso em saber quem era ela.
- Mariah -, responde ela - Muito prazer.
Erick ao ouvir aquilo, sentiu a voz de Mariah ecoando em sua mente, M-A-R-I-A-H... Contudo continuou assim, sem dizer nada fixando ela em seus olhos, por alguns instantes, tudo parecia tão lento. O modo que as cordas vocais chegavam até os tímpanos de Erick e como aquilo se chocava com eles. Simplesmente os graves de sua voz eram espetaculares, e Erick prosseguia sem nada a dizer. Porém esse silêncio foi quebrado quando Mariah disse:
- Preciso ir embora Erick, foi muito bom te conhecer.
Erick meio sem jeito.
- Oh, me perdoe, estava distraído. Tudo bem então, boa noite.
As risadas foram um artifício para quebrar aquele gelo que estava entre eles. E Erick ficou ali, parado mesmo vendo ela partir. Ficou pensando consigo mesmo, quem ela era, e o porque dela também participar daquele ritual que acalmava tanto Erick.
Sendo assim, Erick após alguns minutos imerso naquele momento, balançou a cabeça e acordou. Retomou sua rotina, desceu as escadas, e pegou as outras coisas que faltavam em seu escritório. Reviu Mariah, e ela também estava indo embora, porém eles traçariam caminhos diferentes, já que moravam em diferentes pontos da cidade.
Antes de ir, Erick tomou um café para acordar, e descer as escadas sem medo de cair, já que o sono estava mais forte aquela noite. Foi surpreendido com um grito de Mariah pedindo que ele a esperasse. Então ele apoia uma das mãos na parede do prédio para não cair, percebe que ela já estava caminhando em direção a ele, mas que ela ainda estava um pouco distante. Ao piscar os olhos, era como se em flashs ele via Dianna, e ao piscar novamente, via Mariah, e assim sucessivamente até que Mariah viesse a chamar sua atenção a menos de um metro de distancia.
Erick explicou que estava muito sonolento, e que se fosse possível, o levasse para casa. Com um pouco de timidez ela explicou que não podia, pois seus filhos estavam esperando-a para jantar e serem colocados na cama. Então, com um beijo macio no rosto, Mariah se despediu no hall de entrada do prédio, e foi embora. Já Erick, olhou ao redor, viu que não estava em condições de voltar para casa, tornou a subir as escadas, chegou a sua mesa, encostou a cabeça na papelada e dormiu.

# Luta Livre (Pt. 3)

As lembranças daquele natal foram extremamente boas, mas a somatória das consequências não lhe agradaram. Era dia 26, tudo já estava normal, mais uma quarta feira pacata que dava receio de andar de cabeça erguida na rua. As avenidas ainda enfrentavam engavetamentos, muitos estavam voltando de viagem, outros indo para passar o ano novo em outra cidade, já que a meteorologia afirmava que as praias do lado norte estavam ensolaradas.
Lá estava Erick, sorridente - por dentro e chateado por fora -, ele não conseguira entender o porque das noites em claro que passara acordado se resultaram em pesadelos horríveis. E periodicamente ele pensava, porque diabos lá estava ele se lamentando, porque ele estava cabisbaixo. Mas a falta de coragem de assumir uma postura era relativamente pequena, e ele voltava a decair em sua própria melancolia. Sua saudade de Dianna o deixava assim, e enquanto pensava nela, ele podia ver ela, em todas as outras pessoas. Era bom, talvez rever a sua amada, em diferentes corpos, etnias, religiões, mas de outra forma, a sua menina não era nenhuma delas, era apenas uma miragem que ele se deixara levar. Uma pequena reviravolta da sua dor. E embora essas coisas acontecessem quase que diariamente, Erick ainda não estava preparado para rever sua amada. Talvez porque estivessem longe a muito tempo. Erick sem notícias, sem um sinal de vida de Dianna, porém, a ultima gota que restava de esperanças para ele era muito forte, resistia a pressões, a muitos: - Quero esquecê-la. Chega! - Obrigatoriamente ele segurava suas lágrimas, repudia seu sofrimento.
Contudo, as horas passavam, os papeis no trabalho eram cumpridos, e ele não conseguia mais manter sua concentração. Nos papeis, os números se misturavam com letras, cálculos, estatísticas, e parecia uma grande maré de palavras, coisas que ele não queria ler. Eu amo Dianna...
Ao anoitecer, ele se sujeitou a continuar a sua vida, sua rotina não diferiria muito de antes, ele ainda costumara subir no ultimo andar do prédio, tomar o seu café e deitar-se sob as estrelas. Mas desta vez, algo parecia lhe incomodar, algo que ele não esperava acontecer. Ele já deitado, aprontando-se para ir embora, é assustado por uma pequena coruja, algo difícil de se encontrar na cidade. E embora ele não gostasse de corujas, ela pousou. O pio da coruja era alto, parecia voraz. Ela voa em direção a Erick, assustando-o, e ele acompanha ela esquivando-se, pronto para ter uma iniciativa de ir embora. Quando ele se vira, ele observa uma outra pessoa na sacada, uma mulher de aproximadamente trinta anos, de costas. Aparentava um certo grau de elegância, o seu perfume foi notado ao se aproximar para se apresentar;
- Oi. Timidamente dizia Erick ao olhar para ela
- Você me assustou! Nossa! Não sabia que ninguém mais costumava vir aqui! A linda moça dizia assustada ainda. - Como é seu nome? Perguntou a moça.
- Erick, e o seu? ...

# Lembrando de lembranças...


Me recordo de quando eu reparava a satisfação nos seus olhos, de quando eu sentia seu cheiro e seu corpo pesando sobre o meu. Me lembro também de quando andávamos de mãos dadas, não nos importávamos com o que os outros iriam dizer, e se bem me lembro também, das vezes que eu pude olhar nos seus olhos e ver que você dizia a verdade. Aquilo nunca eu vou esquecer. Nem das vezes em que você se deixou levar por coisas banais, de quando você deixou escutar o que os outros disseram. Me lembro que perdoaria inúmeras vezes os seus erros, que eu estava disposto a abrir mares para tê-la em meus braços, e que não importava se o mundo desabaria na minha cabeça, só me importava com você, com sua felicidade, com meu modo simples de ser.
Sempre me recordo das coisas boas que aconteceram, das mágoas não mais, isso não devo guardar dentro de mim, eu sempre fui forte a ponto de pensar que conseguiria sobreviver, a ponto de ver que eu poderia traçar um rumo na minha vida. Infelizmente percebo que as coisas não eram como eu imaginava, infelizmente não sou nada sem você. E se não bastasse isso, tenho que me martirizar todos os dias quando acordo e relembro do sonho que tive ao seu lado. De quando eu pude fazer um cafuné carinhoso em você, de quando você deitava em meu peito. Hoje eu sou um mero pedaço de metal que é arrastado a você, imã. Sou fruto da união entre dor e sabedoria. Sou fraco sem você.

# Luta Livre (Pt. 2)

Quando se levantou naquela terça feira, as coisas pareciam um pouco melhores. Era natal, alguns vizinhos o cumprimentavam, mas ainda sim, ele não se sentia confortável o suficiente para dar um sorriso, mesmo que fosse singelo. Ao voltar-se para a rua, ao olhar o trânsito vazio, as pessoas comemorando aquela data especial, Erick fingia não sentir saudades do tempo em que sua família estava presente, e de quando ele corria ao badalar da meia noite para dar um feliz natal e dar um pedaço do chocolate que todo ano ele ganhava de seus avós, para Dianna.
Pensava consigo mesmo o porque de tudo acabar, e assim, continuava caminhando, traçando um propósito. Contudo, suas lembranças eram muito claras, isso o abalava muito, se sentia totalmente destrutivo e fraco. Ao chegar no Grand Palace, se percebeu estar sozinho, havia ali apenas a faxineira do escritório e um recado sobre sua mesa que dizia: - Erick, dentro de sua gaveta há um presentinho, apenas uma lembrança para que você não passe em branco esse natal... Todos do Grand Palace desejaram isso a ele, já que ele era o mais dedicado da equipe, e conforme ele foi organizando seu trabalho, ao fundo do escritório ele reparava uma lampada falhando. Ele então, por se incomodar com coisas imperfeitas, se levanta e vai tentar resolver esse pequeno problema. Remexe em sua mochila, retira alguns outros papeis não importantes, e segura uma lanterna com pilhas também fracas, se levanta e sai em disparada para consertar aquela lampada.
E embora parecesse um trabalho simples, ele sentia um certo medo do escuro, algo que não te trazia confiança, mas ele se atentou em andar rápido. A lampada estava um pouco distante ainda, foi quando a sua lanterna o abandonou, sua coluna se arrepiou toda, ele estava no meio do caminho, grudou na parede, e caminhou devagar até a lampada. Porém. Ela se apagara.
Erick estava com medo, se esfregou na parede até sentar-se e levar as mãos a cabeça e a cabeça entre os joelhos. Seus olhos eram muito curiosos, ele procurava sempre abri-los para ver se não estava sonhando. Abriu a primeira vez e nada aconteceu, na segunda vez, nada aconteceu, na terceira vez, viu sua amada Dianna ao seu lado, deitando a cabeça em seu ombro. Começou a imaginar o pesadelo, e viu todo o resto desmoronando ao seu redor, porém, Dianna continuava ali, firme e forte dizendo que não o abandonaria. Ele emocionado se deu ao luxo de segurar a mão de Dianna, fechou os olhos novamente e sentiu seu corpo despencando bruscamente.
- Abra os olhos Erick, veja! Dizia Dianna pausadamente. - O céu está lindo querido.
A imagem de seu corpo rompendo as nuvens, dos pássaros voltavam a tona, e lá estava Dianna em mais um dia, maravilhosa, elegante, cabelo contra o vento. Ele estava feliz, e a medida em que se aproximara do chão, ele foi vendo Dianna se despedindo dele, se aproximando para lhe beijar. Ao chegar próxima, o impacto é inevitável, e ele se choca antes mesmo de beijá-la.
Aquele foi seu presente de natal de 1990...

# Luta Livre. (Pt. 1)

E ele acordara pela manhã naquela fria segunda feira. Tudo amanhecera diferente, as coisas lhe pareciam descoloridas; desbotadas. Os pássaros estavam caídos ciscando o resto dos farelos dos pães que uma senhora havia deixado cair por ali. E lá estava ele novamente caminhando pela mesma rotina, buscando implacavelmente o sucesso particular e sustentável.
Era véspera de natal de 1990, e Erick morava sozinho em uma cidade pequena de Nova York, o seu trabalho exigia muita atenção, determinação, e ele sempre soube como fazê-lo exatamente, sempre foi um cidadão americano comum que pagava em dia suas contas, seus impostos, tinha alguns problemas com cigarros, mas nada que passasse dos limites. Sentava-se a sua mesa do 5º andar do edifício nova iorkino, Grand Palace. Lá havia um grande prédio de doze andares, uma linda vista da cidade, daquela vida pacata que Erick vivia. Erick sempre muito prevalente, saia sempre que suas coisas já estavam perfeitas, fazia mais de duas horas extras para todo trabalho ficar concluído. E para relaxar, comprava um café em uma maquina velha de dentro do prédio, e subia até o ultimo andar para falar sozinho, ver os carros passando, as nuvens se despedindo do céu e a lua dando oi para a cidade. Ele sentava no parapeito do prédio, e agradecia vagarosamente por mais aquele dia de trabalho. Abria sua mochila e tirava alguns papeis que não eram tão importantes, os esticava ao chão, e se deitava até que a hora apertava, e ele precisara voltar a sua casa.
A distancia não importara muito, ele era muito rígido, gostava de caminhar, de olhar como os carros paravam diante do transito e como ele caminhava mais rápido do que aquelas maquinas.
Ao chegar em casa, caminhava lentamente e já bem cansado até o banheiro, ligava a torneira e colocava um pouco de água para esquentar no seu pequeno fogão. Ele então devagar, sentia o cheiro úmido da água da torneira de seu banheiro, e ouvia o borbulhar da água que estava a esquentar.
E sempre que esse ritual acontecera, Erick lembrava do tempo em que era criança, quando não precisava assumir certas responsabilidades, quando as coisas eram simples. Quando ele era amado por seus pais, seus falecidos irmãos. Tudo lhe trouxera lembranças daquele horrível acidente, quando seus pais chocaram o carro em um poste ao longo da rodovia, quase todos morreram, menos Erick...
Contudo, Erick imaginara o porque de não ter morrido, porque só ele restou daquele horrível e trágico acidente, o porque das coisas terem acabado daquele jeito.
E conforme os pensamentos eram retrocedidos em sua mente, Erick repulsava outras lembranças enquanto emergia sua cabeça na água. - Ah! Que saudade daquela moça... Retrucava sempre em silencio consigo mesmo. Quando se levantava da banheira, suas pernas estavam amolecidas, suas pálpebras cansadas, ele vestia suas vestes, e se deita novamente.

# Medrosa....

Realmente
devo estar cansado.
Ficando velho,
e minha mente,
enfraquecida.
Ontem já é
apenas um passado,
e vejo
o quanto estava errado.
Pensei
que fosse tudo;
contudo,
Revisei,
nada vai se chocar,
contra mim.
Se você
quer ser medrosa,
que seja assim.

# Tempo Maluco.

Esse tempo
Maluco,
me deixa bem.
Se existir
um contratempo,
espero que fique também.
Vamos sorrir?
Se do contrario,
me prometa também sorrir.
Eu quero ficar bem
Isso é necessário
Eu e você feliz
Eu ou você feliz
Nem que só eu
Lembre de tudo que fiz.


# Fertilizante De Nós.

Vou fazer valer
realmente reinventar
quero me tornar seu
aumentar; somar
o que sinto por você.
Nessa equação
estou aqui para
me arriscar.
De nada vale viver,
sem ao menos tentar,
dar uma chance a nós;
acreditar; aproveitar.
Sorrir, sonhar
fazer alguns planos,
eu feliz,
você feliz,
não se importar
com o que os outros vão pensar.
Vamos apenas viver?
- Ao seu lado quero ficar...
Eu te amo,
isso ninguém vai mudar!

# O Risco Vale a Pena?

Você é minha artéria,
onde correm esses malditos
 glóbulos vermelhos e brancos
Com você ao meu lado existiu a antimatéria
 e agora vivemos aos trancos e barrancos.

 Não entendo o porque
 disso tudo ocorrer
 - Procuro ser o mais perfeito
 Porém algo não estou vendo
 antes de eu tentar correr
 para me esconder

 Será que tudo isso
 tudo mesmo
 me faz lembrar aquela cena
 ou será um jogo
 o risco a ser tomado
 vai realmente valer a pena?

# O Homem Que Vive Morto.

Eu: E após meu suicídio, eu serei indiciado por homicídio?

?: Não! Isso será apenas suicídio.

Eu: Mas isso não muda o fato de eu ter matado um homem. Mesmo que tenha sido eu.

?: Teoricamente não, mas você precisaria estar vivo para ser julgado.

Eu: Eu confesso que me matei, mas foi para o bem comum de todos, e mesmo assim ainda me considero mais vivo do que muitas pessoas neste juri.

?: Marcelo Tadeu, você é réu de um crime que cometeu a si próprio e quer se julgar inocente?

Eu: Sim, porque não? Algumas pessoas tem o hábito de prejulgar as pessoas com códigos civis, com clausulas absurdas, mas não param pra pensar no que levou a pessoa a cometer o crime. Embora eu tenha confessado, não há provas de que eu me matei, já que estou vivo.

?: Sim, concordo com você. Mas se o senhor se julgou culpado no início do julgamento, porque recorreu em dizer que é inocente?

Eu: Simples. Matei-me inconsequentemente para satisfazer pessoas que amava. Isso basta?

# Triunfo.

Tenho tido
Planos súditos
De triunfar,
e poder planar
Perante problemas
Inconsequentes
Por pura diversão.
E embora
Tudo pareça
Razoavelmente
Simples,
Meu desejo de vencer
É muito maior
Do que o de perder.
Entretanto
Minhas suadas batalhas
Custam um pedaço
De mim
E assim,
Não sei se existirá
Recompensas
Quando eu ganhar você.
Sei o que é sentir a dor persuadindo sobre minhas pálpebras.