# Rivotril

Comumente penso em prender você à mim.
Penso nas metáforas que devo usar
Só para atingir-te em segredo
Então suponho que sejas
Meu café amargo que acorda-me à vida
Num comum desejo de vencer.

Enriqueço-me deliciosamente
Com tua larga alegria
Que transborda em teu rosto
Me fazendo algoz de sua personificação ideológica
De ser um pedaço de metal
E tu um imã com pólos tão potentes
Quanto teus olhos

Um viajante se quer
E sem querer
Que sobrevive indiretamente às tuas custas
Que vive às tuas ruas
Aos teus ladrilhos

Que procura em teu lugarejo
Um abraço
Que acalma as tempestades em teu rosto
Comumente em copos d'água

Tu és também
A fonte
A energia
A vontade e desejo
Sem você só há receio
Em você há tudo que almejo
Se existir escuridão
Também encontro um meio
- Sair de ti, não penso!
Tu és rivotril que me tira da loucura
Uma vaga memória permanente de doçura

Tu és solução
Tu és cura

# Dissertação e Desculpas

Dissertarei-vos uma história num parágrafo, como viver-se-ia, mas não a vivo. Contudo então, num sopro de saudade deixarei-te a história mais baseada na realidade possível. Ou por ventura, deixo-te então a realidade, que me foi baseada em uma estória.

Caso sinta-se reprimida, dei-me sua mão, muitas vezes não penso em te agredir verbalmente com piadas egocêntricas ou do modo com que falo com você, não penso em te ferir. Teus ferimentos à mim ferem mais do que a ti. Caso um dia me cale, caso as situações do meu cotidiano não sejam merecedoras de conversas furadas, dê importância a um sorriso muitas vezes submerso dentro de mim que sai sem querer.

Também desculpe-me se às vezes pareço egoísta, machista demais, se toco-lhe o teu corpo muitas vezes com demasiada voracidade. Desculpa-te então por parecer querer muito mais teus toques no meu abdômen a teus toques no meu maxilar que me puxam até sua boca. Desculpe-me se reparo muitas vezes como você está vestida, nas tuas ações, nas tuas vontades e deixo em "aberto" situações ocorridas por mim mesmo. Uma vez feito, não se pode ser tão revertido.

Embora seja um pedido de desculpas, escreverei-te então com um sorriso em meu rosto, com árduo suor e simplicidade, minha clemência perante à tudo que me tem dado durante todos estes anos ao meu lado. Momentos que compartilhamos a harmonia de estarmos tão juntos, de sermos um tão bom quanto o outro, desculpa-te então por não poder te agradecer, e sim só desculpar-me meu espírito, minh'alma, careço de atenção e tão pouco de mim para voltar a andar de bem comigo mesmo. Preciso de ti eu. Tu ainda precisas de mim, vida?

Sei o que é sentir a dor persuadindo sobre minhas pálpebras.