# Mosteiro.

Ao som
Das badaladas
Da minha mente,
Sua imagem
Fez-se presente,
E não consegui
Me concentrar.
Queria acreditar,
Que ainda
Estou inteiro
Dentro do
Meu Eu
Grande mosteiro
Primeiro
Entretanto
Onde tudo
Se perdeu
E segundo
Por que
Neste mundo
Você nunca
Apareceu.

# Auxílio.

De manhã
Reparei o quanto
Fixei você em mim.
Pensei no amanhã
E se você ainda
Estaria aqui,
Mas enfim,
A conclusão foi
De que você
Não deve mais
Existir.
Pois não vejo-te.
Seus olhos
São meu exílio
E seus lábios
Me fazem te sentir,
E sem seu auxílio
Não consigo
Mais sorrir
Você devia,
Estar aqui.

# Consequências.

Há noites,
Que você
Me faz
Falta.
Há dias
Que sua
Paz,
Faz pauta.
Seus beijos,
Aparecem,
Intensivamente
Intensivos,
Seus sorrisos
São motivos
Para continuar.
Consequências.
Que me fazem
Feliz.
Refaço
Meu chão
Depois de
Tudo que fiz.
E vou em
Sua direção,
Para mostrar
O quanto
Te quero
Comigo.
Vê se não
Vá demorar ...

# Frágil.

Estive
Pensando
Em pesar
Enquanto
Você está
Esperando
Deixar tudo
Rolar.
Agora
Todas as
Coisas
Que passaram
Ficaram
Para trás,
Deixando-nos
Assim
Para sempre.
E hoje
Aquele jovem
Rapaz
Se transformou
No pesadelo
Que você
Sonha acordada
No medo
Que você
Sentia
Quando ainda
Não era nada.
Porque você
Corre
E corre
Tentando se
Esconder?
Eu não
Vou desistir
De desistir
Pois é sempre
Mais fácil
E eu sou tão
Frágil.

# Distante.

Será
Que o
Relógio
Verá,
O que
Eu não
Consigo
Ver?
O tempo
Passando
E eu
Tentando
Te esquecer?
Será
Que eu
Enxergarei
Alguém que
Irá
Sucumbir
A falta
Que você
Me faz
Paz?

# Aponte-se.

O dedo
Aponta
O medo
Do sorriso
De ponta
a ponta
Que acaba
Ainda
Por cedo.

Do erro
A quem
com ferro
Fere
Com ferro
Será ferido
Sofrimento nu;
Despido.

Dispensar
a pedra
no telhado
O vidro
molhado
Desejo carnal.

A àrvore
Era verde
a pedra hoje
Fotossintese artificial

# Trégua.

Ao som
Deste
Bolero
Eu quero
Dizer
O quanto
Espero
Ter você
Aqui.
Bailando
No colapso
Entre nuvens
E ventos
Somos
Jovens
E existe
A trégua
Medida
A régua
Mas
Sempre
Duas vezes.

# Lobos

Quando
De ti falo
Me abalo
No afago
De minha traqueia
Rapidamente
Como toda
Hábil alcateia.
Entretanto
Na minha
Faminta boleia
Vivo assim
Individual
Somente com
Meus lobos.

# Foco.

Perdi
o foco
do copo
que toco,
com água
ardente
A mágua
que afogo.
O pouco
do pão
do Louco
ao são
Sem ao
certo
em questão
saber
ou perto.
Quem és
Tu então?

# Setembro.

De você,
me lembro sempre
sempre lembro
dos seus cabelos,
crespos pela chuva
do mês de setembro.
Do seu rosto
que olhando
olho em outros corpos
somente te imaginando
reação com meus anticorpos.
Proporcionando bem-estar,
Enquanto ando
andando pra te encontrar.
Observava-te de longe
de tão longe
te via tão perto...
Via você nos passáros,
nostálgico, porém,
- Além de ver-te nos carros -
Isso me faz tão bem,
Ver você,
correr,
sobre as dunas
Isso fez-me perceber,
que pouco a pouco,
você vem completado
todas as minhas lacunas.

# Cidadão Qualquer.

Qualquer
cidadão
um sonho
quer.
Ou o rosto
Risonho
ou no bolso
a moeda
Repassar
O passado
Medonho.
Interrompendo
o que não via
a queda
que se vivia,
na fantasia
da vida
perfeita.

# Receita no pote.

Me omito
no labirinto
e minto
Caso você
seja um mito
Não quero
que me note
Caso a receita
Atrás do pote
não tenho
meu mote
que torna
seu sonho
o motil
que retorna
a tempos risonhos.

# Donzela.

Através,
da janela
Vejo ela,
Com seus
cabelos,
Iluminados
À luz de vela.
Vejo o céu
E as estrelas,
que são dela.
Mas afinal,
Porque me
deixastes
minha donzela?

# Rosto da Criança.

Quando
Chega noite
noite fria,
Fico imerso,
no tédio,
ó remédio.
Da idéia
Estás no verso
que converso
com minha
Alcatéia.

No pouco
do inverso
Por trás do olho,
o Sonho
da criança
era medonho
E o espelho,
demonstrava
Um rosto,
quase risonho
sem esperança.

# Dias como você chegarão.

Quando quis voar, voei.
Até encontrar um sinônimo,
Descobri quando te achei,
Uma força sobrenatural. Maior que meu ânimo.

Falta de palavras, você foi a chance.
De embeberdar-me, como terras secas.
Mas hoje. Já fora do seu alcance.
Me submeti a isso. E se pensar, pecas,

Não vou pensar
No que ficou pra trás,
Mesmo que, para mim, seja parar,
De pensar em mim. Por ti sou capaz.

Para que, no final,
Nossos corpos se chocarão,
Brindando alegria. Afinal,
Dias com você chegarão.

# É mais fácil desistir.

O cerco está se fechando,
e já não há muito a ser feito
A máquina automática funcionando,
dentro de meu próprio peito.
Com o tempo tenha visto,
o começo da minha perdição.
Mas opto pelo fácil e desisto.
Agora a máquina que sonhava colorido,
se perde em sua própria aptidão.

# Elefantes inesquecíveis.

Me recordo perfeitamente,
Do movimentar de suas mandíbulas,
e de como sua língua aparecia,
moderadamente
entre elas.
Sinto ela comigo,
Não deixo de pensar,
No bem que me faz. Contigo,
viveria bem, não há comparação.

Fechar... Os olhos verdes que fixam você,
Dormir com rancor de amanhã,
não achá-la em todos os corpos,
em todo lugar.
Me sinto assim. Meu refúgio é a melancolia,
ou a saudade como queira chamar.
Só queria que tudo voltasse,
a ser como era antes.
Sou o pó de giz. E ao pó voltarei,
Pois sou a memória dos elefantes.
Que quer gastar seus lábios.

Sem você, as apostas são em vão,
e mesmo assim, insistem em apostar.
- Sou o nada, somente prêmio de consolação.
Irrelevantemente irrelevante.
Sem você, sem chão.
As maiores forças ficando fracas
até morrer o primeiro elefante.
Coisas ficando confusas
Palavras saindo sem som algum

Você me quer pra si?
não consigo te ouvir.
O sol começa a partir,
e a noite vem. Lua tão comum,
que me faz lembrar
da noite e dia,
dia e noite.
pé esquerdo, pé direito.
Julieta minha doce fantasia.
Que alimentar me faz.
de algum tempo atrás.

Só queria que tudo voltasse
como queria. Tudo deveria ser como antes.
Sou pó, e ao pó voltarei,
pois sou a memória dos elefantes
que estão ficando cansados
E que, um por um vão solucionar
o que eu senti por você?
Se nem os maiores sábios
E velhos elefantes me disserem,
meus dotados pensamentos
se resumirão em seus lábios.

# Caminhos.

Posso ter sido,
A dizima periódica imperfeita.
Um cálculo mal-feito
que arrancaste a carne da seita.
Por isso me prejudico,
Posso ver que estou perdido!
Procuro seus passos no chão.
Vou saber onde tens ido.
Nesse auto-flagelo prossigo,
na calma de um silêncio.
Esperando o tempo resolver,
a solidão que presencio.

# Amar Verdadeiramente.

Amar verdadeiramente
não é só amar com o coração,
é amar por dentro e fora.
Com livre arbítrio e desolação.

Amar é celestial,
Amo mãos, amo pés,
ossos e as carnes,
como textos e seus rodapés.

Amar é o ênfase, o climax,
da história que não termina.
Amar não é só o reconhecer.
É tudo, é o prazer de viver que ilumina.

# Respeitável Público.

Venham ver o jamais visto!
tal vulnerabilidade através dela
que ele sente.
na verdade, quem és ela?
A mão que fostes,
Sua amiga; amada,
que em seu peito dor postes
e que hoje não é nada,
Aquilo que achases que fosse,
alegria e não tristeza,
faca que arranca da pele com foice
na pele que já viu o que é beleza.
Não acostumas ao mal
A dor é bela como rosas,
abriga do frio e de pedras,
afinal
a dor é tudo. Até inventa prosas.

# Poder.

Parei pra pensar,
Porque pedaços,
parecem podres,
pedras paradas.

Pessoas pobres
pedindo paz.
Portas pintadas,
plantas petrificadas.

pássaros,
pinguins
patos,
peixes.

Parei pra pensar,
porque paixão?
porque...
Perder?

Porque parar,
possuo pouco poder?

# Outro Alguém

Você vem
você quem?
Ao peito meu
e mais além.
Desaprovada
por ninguém
e eu
por querer-te
muito bem
não sei
o que fazer.
Porém
cansei de
sofrer também.
Mesmo não
sabendo
ser de
outro alguém.

# Espada e Escudo.

Sentimento capcioso,
De tudo que és capaz.
Ó afago cauteloso,
tu sabes o bem que me faz?
Agradeça o patamar que elevas,
O ritmo ilusório da vida.
Obrigado. E que me ataque as trevas,
Do contrário conforto da formosa querida.

E no momento que não me queira,
A tua palavra corriqueira,
Me atinge dos pés a cabeça.
Implorando para que a dor não me esqueça,
Amaldiçoando um escritor que és mudo,
A ser para sempre seu escravo.
Nesta luta, a espada e o escudo,
Se torna as mãos que por ti lavo!

# Fauno.

Acorda-te! Em mais um triste dia,
Ó fauno que se olha no espelho.
Vendo sua dor passar, pensa no que adia,
Suas rugas o deixando mais velho.
Na rotina, se esquece de quem és,
E de quem verdadeiramente já amou.
As lágrimas que molharam seus pés,
São as mesmas que nem morfina curou.
E nada vem a te entusiasmar,
Até que a alegria em segredo pede,
Para o próximo ritual,
Aquele que o diabo ao homem concede,
Para chegar ao conceito final.
E assim o fauno está salvo,
Com o que parece que é um coração!

# Pensar.

Vou pensar em mim,
Pois isso me faz existir.
Poder caminhar, dizer: - Sim!
Querer um novo dia. Partir.

Tomar outra direção, mas é nostálgico!
- Tenho escutado sua voz...
É algo assim tão magico,
Sobreviver pensando em nós.

Tentando te fazer entender,
Por medo tudo que fiz.
Mas se não me queres. Vou sofrer!
Entretanto sabendo que fui feliz.

# Embalagem.

O sol que se pôs,
Escondeu você nas sombras.
Não sei mais onde estou,
Me procuro à horas.
Penso no que estás pensando.
Mas paro! Penso que a realidade é,
Você no sonho que venho sonhando.
E assim, mergulho na cascata,
De uma melancolia sem fim,
O futuro carro sem lata.
Serei assim. Embalagem. Enfim.
Marionete do destino
Subvivente. Substituível.
Serei seu, indivisível.

# Palavras.

Palavras que soam bem,
palavras de amor, de carinho.
Mas que simplesmente servem também,
para retirar alguém do seu caminho.
É como tempestade impassável,
Que insiste em me alagar,
A minha dor inevitável,
Vem direto para minha arritmia.
Para me atacar,
nos pontos fracos.
Que são também os mais fortes que tenho.

# Submisão

As vezes quando acordo
me sinto na solidão
no meu sonho era tão real
você estava comigo
só um sonho a mais em vão
há também as vezes
que preferia ter você, sonhava
sempre fui submetido a te ter
hoje nos não somos quem esperávamos
sou um cristal avulso sem valor
minha olheiras que oscilam
esperando ver você sobre mim
meu corpo que nega outros corpos
na esperança concomitante e sem fim
de recomeçar.
Mas no que acreditar ?

# Existir.

Acordei mais uma vez,
Pensando em meu dia,
Sua voz veio até mim,
Mas não te entendia.
As horas foram passando,
Tão devaneio era o frio.
Parei. Deveria ter reivindicado,
O que me fazia vivo.
Queria ter um coração próprio.

As lembranças de você no decorrer,
Foram ficando fracas,
Mas não demorou para compreender,
Que horas sem você ficavam pacatas.
Então, revi as fotos da minha mente,
Pensei em você. Superficialmente.
Me deitei. Você apareceu ao lado meu,
Foi como meu elixir,
Sorri mais uma vez.
E pensei que você deveria existir.

# Meu avô.

Quando tudo aconteceu, era apenas um garoto com uma vida tão comum e rotineira. Hoje, quando tudo que passou ficou na memória, posso ver alguns detalhes que me fazem rir como jamais ri antes na minha vida. Aquela pessoa que sempre foi educada, que sempre se submeteu a novas experiências, que nunca gostou de brigar ou atirar a primeira pedra. Quando vejo que alguns detalhes apareceram de repente, sinto rancor por não poder ter reparado neles antes de crescer, e agora, sou fraco demais para sorrir de volta para todas as pessoas que sorriem para mim. E se começo a chorar, lembro de quando eu chorava sem razão e minha mãe mandava parar. Agredindo-me com o chinelo sujo.
Coisas que já passaram, e que se inverterão talvez. Hoje sou homem feito, feito escravo teu. E gosto dessa submissão, gosto de suas ordens, e de seus erros, afinal todos nós erramos. Só procuro até hoje o meu erro, não foi ter nascido, não foi ser pobre, foi ser eu. Ser sempre o 'mocinho' das histórias, aquele que nunca procurou errar, mas que errou por não saber o que era errar ainda.
Cresci, mas e agora? Hoje que tenho tantas coisas para viver, tantas pessoas para conhecer, me lembro das coisas que passaram e fico sobrevivendo das imagens que já criaram poeira. Da recordação de meu avô ao deitar no banco de seu carro, e eu acariciando seus cabelos grisalhos, sua mão enrugada. Quando me despedia tristemente para voltar para minha casa, da qual, hoje é a tua casa meu senhor.
Saudade tenho de tudo o que fazíamos, de quando saíamos para pescar, quando andávamos São Paulo dentro de um metro, você lendo seu jornal, e eu com minhas revistas infantis. Tu não sabes a vontade que tenho de voltar ao passado, e poder ter dado valor eterno a ti. Sou seu servo meu avô, onde quer que o senhor esteja. Meu ídolo -o senhor-, pode não estar aqui, mas a quem me verá, verá ti, tenha certeza disso. Da sua coleção de livros que hoje recuperei com prazer incomparável, do seu cobertor, do seu cachecol que ainda por vez tem ficado no meu pescoço ao menos uma vez por semana. Sua promessa será cumprida meu caro, você será quem sempre sonhou. Só me diga o que queres que eu seja.

# Conselhos do Silêncio.

Porque eu sei que gosto de viver amedrontado, sem coragem para olhar o mundo ao redor e para aceitar algumas coisas. Sei que as coisas acontecem, não vou deixar meu cérebro cair sobre meu pé, vou continuar, vou fazer que tudo comece a dar certo. Caminhar sem pensar pra onde ir, poder viver livremente, e jogar tudo para o alto. Rir das coisas alheias que já aconteceram, fazer piadas com as coisas inusitadas que eu enxerguei. Poder gritar, poder chamar, poder chorar por todas as pessoas que eu sempre quis ao meu lado, e que hoje, talvez o problema não seja elas, e sim eu mesmo. Demorou um pouco para enxergar também que o mundo é injusto sim, e que o silêncio pode ser saboreado e degustado, deve ser disso que eu esteja precisando.

# Perfeição Imperfeita.

E eu que sempre inexplicavelmente,
me achei tão perfeito.
Hoje não sei qual é a razão de tudo isso,
por ter prosseguido com meu brilhante feito.
Tento não me machucar,
mas tenho o dom de opinar pelo mais difícil,
quando cheiro ou quando bebo,
o suor que escorre do rosto, tão igual as lágrimas sofridas,
tão imenso quanto esse edifício.
E caio, enquanto penso.
Fico atento as suas reviravoltas,
e para minhas recaídas.

# Memória Fotográfica.

Onde está o crédito que deveria ter,
depois de tudo que aconteceu.
Hoje estou aqui para mostrar,
que já sabia que o início começa no fim.
E assim, solto-me na atmosfera,
e começo a escutar os dedos
que tocam as notas do piano.
Revejo as fotos guardadas,
no interior da minha mente.
- Memória fotográfica.
Simplesmente coisas que não vão,
nunca mais fugir de mim,
até a nossa história começar.
E me levantar do chão.

# A felicidade depende de mim.

Acordava mais um dia ao seu lado, tudo dependia do dia anterior, nossos momentos, nossa dúvidas, nosso carinho um pelo outro. Íamos tranqüilamente até nossos trabalhos, costumávamos ir juntos, me sentava do lado do motorista, e apreciava você a se maquiar de fronte ao espelho do carro. Sempre tão linda, uma coisa que eu tinha muito medo de perder, e na verdade, tudo aconteceu tão de repente que até hoje tenho medo, mesmo não te tendo, de te perder; de perder você de vista.
Se amávamos tanto que esse amor ainda não terminou, nada foi por falta de amor, na verdade, por falta de compreensão. Éramos muito jovens para pensar no nosso futuro, eu que sempre quis te dar de tudo do melhor, e você me presenteando com seus sorrisos lindos. Com sua vontade de ser algo a mais do que já éramos. Hoje tudo mudou.
Hoje estamos separados. Uma coisa que pra nós, era destrutiva, mas que infelizmente aconteceu, e é mais um dia que me pego sem ter você aqui. Quando me levantei, vi que não estavas aqui. Me escondi em baixo de meus cobertores, o maior protetor do meu medo. Os papeis, o que eu sempre escrevi para ti, indo por água a baixo. Menos a esperança; meu desejo.
Sofremos com tudo o que aconteceu? Estamos conseguindo realmente viver?
Algumas palavras que ficam na mente, de você me perguntando se o verde era melhor do que o amarelo, se você estava bonita, ou se você estava com vergonha deitada sobre meu ombro esquerdo. Melhores lábios ressecados que já tive a oportunidade de beijar. E oportunidade é difícil de aparecer novamente.
Separados pelo destino, mas unidos novamente por ele. Uma coincidência?
Mas a verdade é que hoje estamos felizes -eu acho-, com outras pessoas, uma pessoa maravilhosa apareceu na minha vida. Espero que a pessoa que tenha aparecido na sua também tenha sido tão boa quanto eu. Tenho medo de alguém te machucar, pois sei que a minha dor depende de sua felicidade. Por isso que sou um masoquista.
A música que chorávamos juntos, que trazia lembrança hoje toca para outros casais como nós, que também se amam ou se amaram. Nada pessoal, nada rancoroso, nada devastador, mas ainda sinto algo por você. E essas pessoas estão aqui para isso, para fazermos sofrer menos, e por isso, estou um pouco mais feliz, vivendo uma vida de casado, com uma esposa pra me acordar sempre que for necessário, e você com um namorado que te faz feliz, que está sempre dormindo na mesma cama que você. Aquele que te toca, aquele que te beija. A mesma coisa acontece comigo, só vivo com essa outra pessoa comigo aqui, na casa da mesma.
O nome da pessoa que tem me feito feliz é Lúcia, e estamos juntos aproximadamente desde quando paramos de se falar, paramos de se ver... Eu amo muitas pessoas, eu gosto de muitas pessoas, mas felizmente, uma delas parece me compreender um pouco, me dar um pouco de carinho quando preciso.
Garanto que vamos ficar melhor a cada dia que passar, e se um dia eu acordar com mais medo, quero tudo o que eu não posso ter.

# Opostos que se atraem.

Queria o magistério,
um prêmio de consolação,
minha queda tem sido tão longa,
que sinto que não vou chegar ao final.
Mas talvez, a sorte não dependa disso,
talvez sejamos nós mesmos em busca,
da vontade de acordar ao lado de quem se quer.
Mas nem tudo que queremos,
significa o melhor para nós,
ou talvez o melhor naquele momento.
Já sofremos, já fizemos de tudo,
menos uma coisa,
nós não nos fizemos iguais.
e talvez por isso esteja sendo assim,
tantos opostos se atraindo.

~ Uma mente brilhante.

O pesadelo final da esquizofrenia,
não é pensar nas coisas que aconteceram,
nem saber se foram boas ou más,
se as pessoas eram bondosas ou não.
E sim, saber que tudo o que aconteceu,
não aconteceu.

# Sopro do vento.

A noite é sempre tão tenebrosa,
a névoa que chega devagar,
o céu vestido de azul marinho.
A minha intuição vem a vagar,
rapidamente atrás de mim,
é assim que começo a correr,
procurando me esconder.
Talvez desisto. Sim!
Afinal é isso que queres,
é o lado fraco da carne.

Sinto muito
em dizer meus pêsames,
é o que queremos.
Há sempre caminhos sem ênfase?
E meu gênero maníaco,
que mostra apenas a incompatibilidade,
do meu signo do zodíaco,
tem iluminado meu caminho,
pra não seguir ao redor de pessoas,
mas mesmo assim sozinho.
Isso tudo é a saudade de risadas boas,
e de tudo aquilo que deixamos para trás.

# Só.

Me sinto só,
como o pássaro que plana sozinho,
é algo tão estranho que acontece,
quando não acho meu caminho.
Alguma coisa me distrai,
e sou atingido no peito.
Quando caiu,
sinto uma mão para me amparar,
então deixo-me cair.
E nesse cair vejo,
o valor, arrecadado perdido,
como um mar de miséria,
pelo que no meu peito tenho sentido.

# Brilhante.

Algumas vezes que me pego só,
sinto vontade de me abraçar.
É simples meu gesto de indignação,
algo que só de pensar,
já faz arder a imaginação.
E assim, toco a tristeza,
como uma orquestra,
faz seu melhor espetáculo. Uma beleza.
Mas sinto um ar de agrado,
no decorrer da minha história.
discórdia, é como dançar sem acompanhante,
sem ninguém para deitar nos seus braços.
Contudo, há sempre a primeira vez,
quem sabe concomitantemente um olhar,
saberá mostrar meu novo caminho. Brilhante..

# Garganta.

Garganta sadia,
que gritai sempre seus horrores,
expulsai de mim todo resto,
de meus temores.
E comecem a temer a mim,
como o santo pecador,
teme pelo seu fim.
Que rezai em silêncio,
buscando a paz interior,
entregai-me por suas mãos,
a pessoa que me faz tão superior.
Iluminai o túnel,
que me guia.

# Prazer

Alguém, por favor
não me esquente,
deixe-me doente.
Preciso sentir minha dor.
Preciso apenas,
de uma asa com penas.
que se nada fosse.
Dor que vem como foice.
arrancai-me de meu corpo,
os membros falantes e expressivos,
como de mim, um ser morto,
todos meus sentimentos depressivos.
Queria sentir na pele o que é perder,
perder o prazer por viver...

# Mente Criminosa.

Hoje fui acusado,
por ter uma alma criminosa,
tenho sido usado,
como distração para mais essa dor ansiosa.
Sou o principal suspeito,
como meu santo veredicto,
o réu que não me entende.
- Bem é isso que tenho dito!
A perpétua que não passa de uma prisão,
uma vida já significa trancar sua liberdade.
Não há como viver, se você não sente paixão,
sem prazer pelo seu ser de verdade.

Hoje o que restou do sofrimento,
foi a asa quebrada e irrevogável,
que não pede para voltar atrás, voar com o vento,
e buscar mais uma dor implacável.
O cloro que limpastes meu intestino,
desce como dejetos de puro furto,
mas ao final da história,
infelizmente mais uma memória,
tem sido meu destino.
Até o momento longo mas curto.
    

# Cocaína.

Doce mágoa doce,
que bom seria se não fosse,
a dor que estremece.

E que entorpece,
feito efeito nostálgia.
Cocaína, que ascende a boléia.

É como magia,
que ilude o real,
e que me fantasia.

# Fato.

Você sabe solidão,
algumas coisas consigo esquecer.
Da ferradura enferrujada trazendo sorte,
ou você, no pôr do sol, próximo ao anoitecer.
Mas simplesmente poucas coisas vem a me agradar,
há muita saudade de tempos fartos de fartura.
Hoje vivo apreciando a beleza da tristeza
que arranca meu sorriso feito tortura.
- Que males vem a me atingir?
Só queria ser um jovem simples. Mas sou meu desacato.
Solidão, para mim você tem nome próprio,
que tatuagem nenhuma é capaz de cobrir.
E pra que mentir? Não escondo esse fato.

# Hipotermia

Aplauda! A orquestra,
que toca em seu funeral,
sei que estás aqui
então faça-me um sinal.

Apenas um ruído,
um som de esquizofrenia
sei que estás aqui
mesmo depois que o abraço que te neguei
matou-te de hipotermia.

# Lembranças.

Minha vida não passa de uma sinopse mal escrita,
onde se entendem são poucas pessoas,
e as que fingem entender, não assistem a todo filme.
Ser o que sou é difícil, sou algo que domina só meu ser,
e sim, não sei fingir. Sou fruto da verdade.
E já que não minto, os lábios que diziam ser meus,
já não são mais.
Hoje sinto que tudo foi em vão,
meu reservatório de lágrimas se esgotou,
infelizmente tudo o que tenho sentido,
é o que está se voltando contra mim.
E se tenho orado pelas suas melhoras,
é o mínimo que posso te dar.
Já que não estás aqui ao meu lado.
Sempre quando olho no espelho,
posso relembrar das nossas fotos.
De quando estava sentado no seu colo,
de quando estava deitada naquele velho ônibus.
No meu braço. Na minha perna. Em mim.

# Pra todo herói existe uma heroína.

Hoje o dia acordou ensolarado,
quase não era possível ver as nuvens ao céu,
mas simplesmente, fiquei sentado na grama.
Num ato de cansaço deitei,
senti a geada a molhar meu cabelo.
Mas na verdade, não era isso que queria,
queria poder deitar no mar sem afundar,
ver o lençol freático me devastando.
E não vou negar, algumas coisas ainda me dão medo,
a longitude e a gravidade da saudade.
Mas meu sonho sempre opta em aparecer
e se nega a ir embora.
Se fosse só meu sonho,
Deus meu que negasse ir embora
Tranqüilidade? Carinho?
Respeito? Paixão?
Saberia que nada disso seria em vão.

# Minha mãe

Venho sido isso,
durante alguns meses.
Não que eu não goste,
mas sei que alguém ainda me espera.
Onde estarás tu? Minha mãe.
Espero que não se entregue para a cocaína.
Sei que fui o retrato de uma ambição,
mas meu retrato já está desgastado,
disso tenho certeza.
Só queria dizer que você ainda está em mim,
mesmo distante.
E gostaria apenas de lhe pedir desculpas,
por todos meus erros.
E que nossa árvore genealógica continue viva.

# Casa

Sinto que hoje o dia vai se tornar o ontem,
graças a tudo de mais perfeito que tento fazer.
Mas segundo o meu desejo,
às vezes prefiro que ele não exista.
Sei também que odeio chorar,
por alguns ventos que já balançaram meus cabelos compridos,
mas sei que o importante é voltar para casa.
Poder abraçar minha mãe,
dizer que estou ali mais uma vez para lhe agradecer.
Pois não são a todos que nascem,
que se concedem uma vida.

# Gelo

Olhe! O rio que varre,
as geleiras da Antártica.
Aquele frio que sofremos custa apenas,
o frio que já causamos.
Nas paisagens escondidas,
sinto que sou uma temporária,
não sou de areia e sal,
nem de água e gelo.
No sol que deveria me esquentar,
sinto que sou a miragem,
no meio do deserto que se impõe;
fortaleza de grãos de poeira do desejo,
no meu corpo que se decompõe.
Nada custa o meu dinheiro.
Nada sabe o que sou.
E se me perguntarem,
não sei onde estou.

# Socorro

Sei, sou só, sempre soube sinceramente.
Se sorrio serei salvo,
se salvarei sinto saber.
Somente sei,
Sim, sou solitário.
Sem sentimento.
Sem sina.

Suarei sem sequer saber.
Se seu sol sabe ser,
simplesmente sol,
sem ser sereno.
Serenidade, sinceridade, solenidade.
Sofro sempre sozinho.
Sistemático soberano.
Soluçado.

# Quem possui asa.

Onde está você agora,
que deveria estar tanto ao meu lado.
Que para a maldição com as mãos,
e carrega a energia positiva mesmo depois de enterrado.

Onde está a luz florescente,
que poderia me abrigar das sombras.
Deste frio incandescente de gelar vértebras,
onde nem sol quente dura por muitas horas.

E neste frio de medo,
busco num riacho o caminho de casa.
Será que seguindo-o até o final,
posso ter total liberdade, como alguém que possui asa?

# Medo do escuro (5ª Parte)

Uma peça com o formato de um cavalo, uma coisa muito trabalhosa estava pronta, sem ao menos Ralf saber como teria feito. Embora aquilo fosse muito bom, tudo pareceu uma grande suspeita, algo tão sobrenatural acontecer. Mas Ralf estava parcialmente aliviado, até que Emy fala que este havia sido um presente de Daniel. Ralf com medo, o aceitou com rancor de não saber exatamente quem Daniel era.
O tempo foi passando, Ralf ficava mais ansioso em saber quem era Daniel. Na sua cabeça, apenas uma coisa era formada, a imagem do seu filho ao nascer, crescendo ao seu lado, e toda a vida dele, como o único filho homem. Mas não, Daniel era muito mais do que aquilo, era uma criatura incontrolável que Ralf não sabia como pará-lo. Quando Emy diz que tudo vai passar, papai Ralf desconfia que Emy estava com complô com Daniel e acaba achando que quem criava Daniel era ela mesma, mesmo ele não existindo. Sendo assim, Emily Bakker, a autora de todos os mistérios causados em torno de Ralf. Então, a próxima da família que seria uma artista. Tudo parecia tão confuso, as paredes caiam em seu redor. O rapaz que não estava bem destilado para enxergar a verdade.
Cai a noite, e todos começam a se reunir na sala de estar para comemorar o aniversário de Sophie, que completara seus 7 anos. Era dia 08 de agosto de 1980, num tempo onde todos podiam seguir o que queriam, com suas próprias crenças. Onde as drogas começaram a surgir de forma invulnerável. Neste dia, Ralf por lembrar de que todos os aniversários de Emy Rosie estava presente, se pôs a beber sem parar. Rachael, não aceitando aquilo, decidiu então abandoná-lo. Sophie e Emily foram as que mais sofreram com a separação, separadas novamente por conta do destino, Emily órfã de mãe, e Sophie, órfã de pai. Ralf chegava tarde da noite em casa, e a maior parte do tempo, mesmo que Emy e Sophie estivessem separadas, elas se encontravam pra brincar e passar a tarde com Rachael. Era o mínimo que ela poderia fazer.
Em uma de suas alucinações, Ralf viu Daniel chegando cada vez mais perto dele, mas com a cabeça muito abaixada, deixando a mostra apenas seu cabelo, e a cada passo de Daniel, Ralf suava cada vez mais. Até que com um vulto, Daniel levanta devagar sua cabeça, e mostra a Ralf sua verdadeira face. Uma coisa que assustou muito Ralf.
Quando ele vê que ele era quem ele menos temia, ele levanta assustado, corre para o banheiro, para lavar o rosto. Pouco a pouco a alucinação foi sumindo, e Ralf decidi ligar para conversar com Rachael, mas Rachael estava com sono e preferiu não atender o telefone.
Ao amanhecer, Rachael com a vista bagunçada por causa do sono, se oferece já que as meninas estavam dormindo a ligar para Ralf. Na ligação, Ralf estava com uma voz bem cansada, quase não aguentara falar, depois que passou a noite em claro pensando no acontecimento, dizia:
- Rachael é você? Ralf era bem repetitivo.
- Sim sou eu querido. Eu te perdoou. Eu te amo Ralf.
- Tenho uma coisa para lhe contar, alguma coisa estranha está acontecendo com Emy.
- Que coisa estranha está acontecendo? Emy parece perfeita. Ela está dormindo agora.
- Ela está... Não está... Ela parece...
- Diga logo Ralf Bakker! Exclamou Rachael com um leve  toque de irritação.
- Acho que o espírito de Daniel está dentro de Emy, e por isso que apenas ela o vê.
Logo em seguida, Rachael diz não acreditar nas palavras de Ralf, então sem muita importância, desliga o aparelho e caminha até o quarto para ver como as garotas estavam e vê que Emy já estava de pé ao lado da cama de Sophie. Rachael tomou um susto com Emy pois ela estava esperando Sophie acordar para mostrar o machucado que fez durante a noite. Um arranhão no braço.
Quando Rachael vê seu braço ensagüentado, não pensa duas vezes antes de levá-la ao médico. Em seu diagnóstico, Emily Bakker é chamada junto a sua "mãe" (assim foi chamada Rachael pelo médico), e enquanto elas entravam pela porta a dentro, algo na cabeça de Rachael fez pensar que Ralf estava certo, havia uma marca no antebraço de Emy, mas Rachael não reconhecia a marca. O doutor falou que não era nada de grave, mas aproveitou para fazer um curativo. Embora o curativo fosse pequeno, o dr. Algust reconheceu que aquilo era uma marca de nascença, mas não de Emily, e sim de outra pessoa. Uma outra pessoa que ele sabia exatamente quem era, quando o socorreu do penhasco. Então, Algust pega em suas mãos um pedaço pequeno de papel, e escreve a seguinte mensagem.
                                               
                                                 Olá Ralf. Atenciosamente peço que leia.

Ralf, eu sei que você precisa mais do que eu saber a verdade, mas não sei onde estás agora. Por isso mandarei está mensagem através de sua amiga Rachael, mas preste bem atenção no que vou te contar. Quando o carro de Rosie caiu do penhasco, eu reparei que uma luz caiu sobre o rosto de sua ex-mulher, e logo em seguida seu coração parou de bater.
Acho que o curativo será pouco para esconder a marca, mas no braço de Emily Bakker há uma marca de nascença que, quando vimos o feto de Daniel, já estava formado no antebraço dele. Uma marca pequena, mas é exatamente a mesma que  ele guardava em baixo do seu pequeno macacão. Acho que há alguma relação com Daniel e Emy através desta marca.
Gostaria de falar pessoalmente com você, e marcar uma consulta própria para falarmos desse assunto. Anote e me ligue 775 - 1998.


Logo então, Rachael por estar preocupada com o assunto, quando chega em sua residência, vê o telefone e não pensa duas vezes antes de avisar Ralf sobre o machucado em Emy. E sobre o recado que o doutor Algust havia mandado. E dentro de alguns instantes, Ralf já chega para receber o recado.
Despreocupado com o machucado dizendo que não havia sido nada de grave, ele espera alguns minutos para conversar com Emy. À sós.
Rachael e Sophie ficam na cozinha, e como a casa delas era muito pequena, a maior parte da conversa era escutada sem intenção. Na conversa Ralf estava pedindo perdão pelo que fez, e não queria que fosse daquele modo. Que queria que ela entendesse pois já era uma moça, e que não era mais tão criança assim. Depois do perdão de sua filha, Ralf se levantou do chão e foi até a cozinha onde estavam as outras duas. Ele percebe que há um papel sobre a mesa da cozinha e que havia escrito que era para ele. Ele perguntara de quem era aquele pedaço de papel, e Rachael diz que era de Algust, o doutor que havia atendido Emily. Ele então o abre e tê a notícia. Deixa o papel cair ao chão da cozinha, possibilitando de Rachael poder ler, então ela também tem a notícia. Enfim acreditara em Ralf após aquela prova. Ele pega o telefone e retorna a ligação. Conversa alguns minutos, e então cai em si, falando que aquilo era não era coisa de Deus. A menina também com posse do papel, vê seu segredo revelado pelo médico. Ela começa a escutar algumas vozes, e vê que parecia Daniel, na sombra da cortina da cozinha. Esperando ela se libertar.



" O mais pequeno virá a ser mil, e mínimo uma nação forte; eu, o Senhor, apressarei isso a seu tempo " Isaías 60:21                                                            

# Doenças.

Tenho me tornado
a personificação da alegria,
num rosto que tem a magia da tristeza.
Por anos e anos, venho sido o mesmo,
mas sinto vontade de mudar,
pois a rotina do tédio vem me agredindo.
Minha vida, tudo não passa de alguns anos
sem importância.
Entre as cores do passado,
e as ruínas do futuro.
A fonte da vida é meu eufemismo,
e por isso tento suavizar meus problemas.
E meus tumores.

# Enfim

Sei que não houve nada de novo,
mesmo que tudo já esteja na hora de ser trocado
uma ordem que há na minha vida, impossível de ser alterada.
Impossível também de ser tocada,
é a minha pele, ardente e doentia.
Meus pés que não sabem mais caminhar,
minhas mãos que não sabem mais te tocar,
e um sorriso que não sabe mais para quem sorrir.
Não há surpresas, não há festas dentro de mim,
tenho perdido dois dias a menos todas as vezes que deixo de sorrir,
tenho perdido oxigênio sempre que respiro.
Do que adiantaria ter o que sempre quis,
se nunca vou ter?

# Hoje.

Isso que fiz pode ter sido considerado coragem,
mesmo depois de ter provado que sempre fui fraco?
Depois de ter visto que toda a minha alegria foi regurgitada,
só pelo simples fato dela ter sido falsa até aquele falso momento;
falso pelo menos para a minha mente.
Minha luta acabará como num conto, com meras diferenças,
a primeira será que ela nunca terá o final feliz que esperava,
e quem sabe a outra seria por não ter você até hoje comigo.
Um erro, uma cruz, uma lágrima -ou quem sabe muitas lágrimas.
Embora com uma aprendizado. Oculto até hoje,
e que sabedoria alguma poderá mostrar para meu horizonte.

# Talvez (2)

Tenho vontade de partir; prosseguir,
tentar continuar numa vida sozinha,
com meus medos a flor da pele.
Poder cantar, dançar estrofes que faziam sentido,
e que agora não passam de ruídos.
Não sei se vou conseguir, você não me banha com forças,
deve ser por que não estás aqui.
Em outro mundo talvez, um que não seja o meu,
ou talvez eu que esteja, perdido numa tormenta.
Solidão, abraça-me com prazer,
me torna seu. Me faz ser seu!
A unica coisa que consigo decifrar é o sangue,
pois sinto a dor que o retira todas as noites,
e como faço para sacrificá-la?
Não faço, talvez a dor seja você, e quero continuar sentindo-a.

# Ódio.

Senti meu peito caindo aos pedaços,
ruínas de um passado destroçando-me,
já não sei o que fazer, não sou nada.
O único som que escuto é o entrelaço,
de todo vento que passa rápido diante mim,
enquanto ouço também o barulho dos carros,
e a corda enrolada no meu pescoço a se embaraçar.
Minha pele se pôs a chorar com meu suor,
e a agonizante lágrima escorre entre um olho e outro.
Já com a cabeça fora do lugar; decepado pelo destino,
não consigo soletrar meu nome.
Bastava apenas Ó-D-I-O.

# Mamãe me pedia para ser simples.

Sou como o filho faminto por leite,
que aos berros chama sua mãe,
na esperança que ela possa te alimentar.
Sou como o mendigo, na geada da grama dos nobres,
que tem seu pão garantido por sua sabedoria.
Mas também sou aquele que nunca deixei de ser,
uma hipótese - assim gosto de ser chamado.
Sou um propósito sem limitações,
que espera para ser terminado.
Talvez um dia seja alguém na verdade,
porque nesta calamidade,
não sou ninguém.

# Segundo tua própria vontade.

Ao abrir meus olhos,
pude ver que meus talentos 
eram muito maiores do que imaginava.
Então me ajoelhei e agradeci ao meu Senhor.
Pude beber de seu sangue; minha obsessão,
pude comer do seu pão; minha salvação.
Só não consegui tocá-lo, 
talvez a arrogância de minha pele o fizesse chorar,
mas bastava apenas olhar profundamente para seus olhos,
para se alimentar de algo mais sagrado ou divino.
Sua vontade.
E se por ventura esse for teu desejo Senhor,
poderei ajoelhar novamente, e cantar uma canção de perdão,
pois não fiz jus ao nome de santo que o Senhor me concebeu. 

# Medo do escuro (4ª Parte)

Ralf mesmo depois de já ter acordado daquele pesadelo, continuava com muito medo, tudo que aparecia naqueles instantes de enfermo parecia estar acontecendo devagar. De um modo derradeiro. Era muito simples mas muito complexo aceitar que tudo não se passava de um sonho. 
Então Ralf chama Rachael para conversar mais alguns instantes antes dela sair pela porta a fora. E assume que Daniel ele não sabia quem era, mas que estava começando a fantasiar algumas coisas também, mas que tudo não se passava de um trauma vivido a alguns anos atrás. Embora Rachael acreditasse em Ralf, custou a ela apenas aceitar a situação e começar tudo de novo.
Ralf pediu perdão por estar tocando naquele assunto, tão antigo e delicado, e então ele e Rachael se dão um abraço forte, e um beijo inesquecível. Descem para o café da tarde.
Como de costume, bacon com ovos mexidos. Ralf poderia até viver só com isso, mas Rachael quis mais, fez um belo bolo de chocolate. As crianças foram correndo para a mesa fartas de fome, e pediram um pedaço de bolo com rapidez. Rachael diz que tem uma surpresa quando todos terminarem o café, então ao termino do café, ela pega o carro e parte em direção a sua casa, trazendo algumas fitas com a infância de Sophie, talvez assim Ralf conhecesse um pouco mais de sua filha. E passaram a noite assistindo a tal surpresa.
Quando se deitaram, Emy e Sophie foram para seus quartos, cada uma com um carinhoso beijo na testa de seus pais. E Rachael, com um beijo, também adormeceu. Ralf desceu e decidiu começar o seu projeto de madeira. Começou a desenhar, mas aquele lápis era pouco, e era preciso fuçar em algumas caixas para achar onde eles estavam praticamente escondidos. Ai então, Ralf achou uma fotografia de Rosie onde eles estavam unidos junto com o Dr. Algust, um velho amigo do casal. E logo em seguida, achou a caixa com os lápis. Voltou para sua escrivaninha e acendeu seu lampião à gás. Fez cada detalhe parecer muito real, mas foi interrompido por seus próprios pensamentos, que o fizeram pegar um bloco de números de telefone, e ligar para Algust. Eles conversaram durante horas, já que Algust ainda estava em seu plantão médico, e sem querer, Algust fala que Rosie era uma linda mulher, e que gostaria de ter mais um filho de Ralf. Queria um casal para serem mimados, e ele se chamaria Daniel. Ralf já sabia que a carreira dele de pai não acabaria na Emily Bakker, então não foi nenhuma surpresa para ele saber disso. Algust então percebe que há um barulho vindo da emergência, e fala para Ralf que precisa ir ver o acontecido. Ralf enfim concorda e desliga o telefone. Embora parecesse tudo nos conformes, Ralf tem um leve pressentimento, talvez uma breve pausa por alguns segundos, é quando Emily aparece o chamando para dormir, e tendo que repetir por alguns minutos até ele sair da psicose. Ele finalmente descobre quem seria Daniel, mas ainda nega o contato de Emy com ele, ainda mais que, se Rosie estivesse grávida, Daniel nunca sobreviveria à queda. Então Ralf meio bagunçado estende a mão para Emy e a deita novamente, mas acaba adormecendo junto a ela na mesma cama.
Um homem simples como ele sempre foi, nunca quis prejudicar ninguém, mas dessa vez, parecia estar se prejudicando sozinho, mesmo não querendo. Não entendia como seus sonhos apareciam e o amedrontavam, mas sabia que eles sim eram terríveis.
Pela manhã, Ralf acorda devagar e olha para o lado, vê Emy intacta, mesmo depois dele ter dormido ao sue lado. Levanta devagar para fazer o café, mas não vê brinquedos ao chão, e acaba pisando em um dos brinquedos, que automaticamente faz um enorme barulho. As meninas se remexem, de um lado para o outro, mas voltam a dormir. Ele abre a porta suavemente, desce pela escadaria e não encontra Rachael na cozinha. Acaba achando estranho, então vai até seu quarto e vê Rachael deitada semi nua deitada embaixo dos lençóis, deita ao lado dela, e começa a passar a mão em seus cabelos cacheados. Ela estava ali, tão clara e doce que parecia um sonho, mas não era. Rachael estava ali para iluminar a vida de Ralf, e estava conseguindo muito bem. Resolve então fazer o café da manhã, e levá-lo na cama para Rachael. Algumas torradas, algumas bolachas, e um pouco de suco de laranja - o preferido de Rachael. Então ele a acorda com alguns beijos no rosto, ela se apóia na cabeceira da cama, e toma em suas mãos todo o café. Ele a oferece um bom dia, ela o retribui com o mesmo, e com um beijo. Um beijo simples mas um beijo forte. Ela diz que na madrugada passada sentiu sede e desceu para beber água, e encontrou a moldura quase feita ao lado de Ralf, no porão.
Ralf diz que dormiu feito pedra, e que aquilo não era possível, já que ele havia dormido junto com Emy. Desce as escadas, abre a porta embaixo da escada, e vê a obra quase pronta, que faltava apenas ser pintada. Rachael vem logo atrás, para a confirmação, da qual é concebida. 
Ralf virou um sonâmbulo. Terminou quase praticamente sua obra, e já poderia vendê-la para seu amigo Mark.

# Queria apenas.

Como eu queria ser um homem simples,
que trafega sem se preocupar com o amanhã,
que ganha dinheiro as custas de quem não é nada.

Queria apenas ser perfeito.

Entretanto uma profecia se ocorreu,
o homem que gostaria ser feliz viu nascer dos mares,
um filho prodígio que males o trouxe.

Queria apenas ser sincero.

Minha mãe que me dizia,
para ser eu mesmo,
onde estão agora estes conselhos de sabedoria?

Queria apenas não ser.

Meus frutos já morreram, não havia água para eles,
e hoje tudo o que tinha desapareceu,
mas afinal, o que eu sempre tive?

Queria apenas ser o nada.

Ao menos ele diz ser muita coisa,
ao menos é muito na vida de muitos.
Aliás dizem que o nada dura para sempre.

# Óleo de motor com Whisky.

Odeio-me por ser um nadador,
que não sabe nadar na piscina de concreto.
Que acaricia o rosto com mãos arrojadas,
e que solta sorrisos espontâneos sem motivo.

Odeio-me por não saber me odiar,
e traçar a vida com o orgulho sempre à frente.
Limparia o chão que pisastes mais de mil vezes,
mesmo que seus pés impuros pisassem em mim.

Odeio-me por não conter o meu ódio,
e acabar explodindo como se uma bomba fosse.
Talvez nunca houvesse existido uma pilha,
que durasse mais que dezoito anos...

# Pobre estandarte que me carrega.

Muitas vezes hesito em viver,
com medo de tudo parecer real,
mas às vezes sinto que o real pode ser tão bom,
e fujo deste mundo de papel.
Me desligo quando te ouço,
a verdade parece doer mais do que o fictício,
mas infelizmente não consigo colocar este ideal na minha cabeça.
São como lágrimas que são dedicadas a uma pessoa,
mas que deixam de cair muitas vezes.
São como estrelas que deixam de brilhar,
por estarem num local sem vida;
dentro de mim.

Camas vazias, sonhos ocultos,
palavras solitárias.
Sempre será assim,
esta é a minha cruz que carregarei.
já que tudo tem um fim.
Porque o dia insiste em nascer?

# Talvez.

Me lembro de quando o sol batia forte na janela, e de quando o celular tocava ansioso para me transmitir a sua voz. O telefone de casa era a mesma coisa, trocava sua voz até mesmo pela minha. Hoje posso dizer que você é tudo o que digo.
Também de quando precisava falar com você, e não conseguia, talvez estes tivessem sido meus piores medos, mas eles sempre foram prejudicados, pois você sempre esteve lá, disposta a dizer tudo o que eu queria ouvir. E no fundo eu já sabia, que você era tudo o que eu sempre soube.
Falta de você, me faz sentir frio. Solidão, infelizmente não posso interromper a ordem natural da vida, nada que possa ser feito será feito. Talvez sinta medo de mim, pois meus olhos mudam de cor ao te ver chegar, eles enxergam luz e não escuridão. Não importava mais se eu fosse adormecer ou não, pois saberia que você estava ali.
E hoje sou muito mais feliz em saber que você esta feliz -ou não-, talvez eu não esteja feliz. Só sei que quando a tempestade passar, espero tê-la em meus braços novamente.

Se eu te der a minha mão, você promete não soltá-la mais?

Novamente...

# Insuperável.

Saudade de te abraçar, de poder dizer que você era minha naquele instante. Dói tanto lembrar, e enquanto sinto dor, as lágrimas são tão previsíveis. Não sei o que é melhor para mim, nem mesmo sei o que sou eu agora. Uma foto, uma simples foto destruindo uma simples vida. Sou tão insignificante que não respiro sem seu ar, sou tão seu nesse momento. É uma pena, mas você não sabe o quanto você vale para minha vida. Queria voltar atrás. Não sou perfeito, não sou perfeito, não sou perfeito e pronto. Mas você me parece tão perfeita.

Absolutamente nada te tirará de dentro de mim. E se enquanto morto sonhar fosse, sonharia com você ao meu lado.

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# Levantando-se.

Um ato automático,
que nos faz acreditar que era um sonho.
Ao padecer de uma catástrofe ver coisas boas,
se olhando no espelho, reparando um belo reflexo medonho.
Caminhando com os pés fora do chão,
dono de um corpo com dores e doenças mil.
Um desastre qualquer, como promessas que não curam,
só o que faço me satisfaz. Meu corpo viril.
Nuvens negras sobre minha cabeça,
trazem chuva seca para meu corpo ardente.
Uma calma que me amoleça,
amolecer esse anjo falido com asas; reluzente,
me esqueça, somente me esqueça.
Uma só historia 
triste por sinal, dolorosa afinal.
somente uma doce memória.
Sou um anjo e não um humano. 
A dor vem como conseqüência no final.

# Medo do escuro (3ª Parte)

Tudo estava indo tão bem, Rachael e Ralf estavam tão entusiasmados com a idéia que depois do ato se deitaram um do lado do outro no sofá apertado, fecharam os olhos agradecendo o que estava acontecendo e se colocaram a dormir. Pela manhã, Ralf acordou e viu que Rachael já estava acordada preparando o café da manhã. As crianças estavam brincando do lado de fora esperando o café, e somente Ralf havia acordado recentemente. Rachael se põe a gritar para chamar as crianças, mas Ralf levanta, lava o rosto, e vai atrás das meninas, cumprimentando Rachael com um beijo de bom dia.
A casa praticamente sozinha, somente com Rachael do lado de dentro. Ralf procura as meninas, mas parece não conseguir achá-las. Enquanto caminha dando voltas pela casa, uma coisa passa pela sua cabeça, será que elas foram até aquela outra propriedade? Ralf vai correndo até lá, e encontra o dono da mesma e pergunta:
- Você por acaso não viu duas meninas pequenas passando por aqui?
E o homem diz:
- Não, nenhuma garota passou por aqui.
Ralf então preocupado com as garotas, volta pra casa, mas no caminho acha um laço que prendia o cabelo de Emy, um laço vermelho de fita de seda. Ele olha para os lados, desconfiando que Emy e Sophie estavam por ali, ou passaram por ali. De repente escuta gritos familiares, eram de Emy e de Sophie, estavam vindo do lado de dentro de uma floresta. Ralf enfim decide prosseguir a dentro, achando objetos que pertenciam a elas. Encontra uma ponte improvisada com um galho de árvore sobre um riacho, e grita para as meninas continuarem gritando. Rachael sozinha, vai até o porão da casa, e vê que o projeto de Ralf não havia nem saído da cabeça ainda. Ela revira uns papeis, mexe nas gavetas e vê o desenho que Emy havia desenhado, mas o desenho que antes estava com o vermelho e o preto bem marcantes, agora estava desbotado. Pega o desenho em suas mãos, e o leva para a sala, colocando-o sobre o sofá. Como Rachael não sabia o que havia acontecido com aquele desenho, ela sobe até o quarto de Emy e pega alguns lápis de cor para melhorar  a pintura. Vê que eles não estão no local onde deveriam estar, e vê um lápis quebrado no chão, se abaixa, e o pega em suas mãos. Vê que em baixo das camas, havia desenhos de Emy, no total dez desenhos amassados, que Ralf ainda não havia visto, e que mostravam apenas um menino. Daniel.
Enquanto isso, Ralf a procurar as garotas, ouve um grito atrás das árvores, acelera o passo e vai em direção ao grito. Vê que Emy estava caída em um buraco e que Sophie estava gritando. Ele então chama pela filha, ela havia caído mas estava consciente. Se estica e não consegue alcança-la. Diz para Sophie que vai pegá-la pelo pé, e diz que é para ela se segurar em Emy, e ela obedece. Assim conseguindo salvá-la. Leva Emy no colo e Sophie em uma das mãos. Sophie diz para Ralf que estavam apenas brincando de pegar borboletas, e que uma foi para dentro da floresta, e que Emy acabou caindo no buraco. Emy meio acordada diz:
- A borboleta era tão bonita papai.
Ralf caminhando de volta pra casa, vê diversas borboletas voando atrás dos passos dele, e as espanta com o passar rápido da mão cortando o vento. Então chegando perto da casa, vê duas crianças idênticas a Emy e Sophie brincando, e pensa:
- Se Emy e Sophie estão brincando do lado de casa, quem estou segurando no colo e de quem é esta mão na minha?
De repente ele escuta a suposta Emy falando sobre seu ouvido:
- Não se preocupa papai, o caos não vai pegar você. O caos reina apenas para os mais fracos. - Sendo bem sussurrado pela garota.
Ralf então com medo, olha para Sophie e a vê com o rosto abaixado, com os cabelos cobrindo o rosto delicado. Ele abre os cabelos da menina, quando uma gota de sangue cai no chão. Ele tira sua atenção para a gota, e quando olha novamente para a menina, vê o seu rosto totalmente machucado, perguntando se Sophie estava bem, vendo-a caindo no chão. Enquanto isso Emy, em seu colo, também com o rosto coberto pelos cabelos, diz a Ralf que vai ficar tudo bem, Ralf vê uma perfuração em sua barriga, com um pedaço de galho dentro e sente a menina lhe dando um beijo. Aquela imagem ficou se repetindo em sua cabeça, quando de repente Rachael, Emily e Sophie o balançam para acordá-lo. Desesperadas, as garotas pegam uma jarra de suco, a enchem com água, e derramam sobre o rosto do pai. Ele acorda assustado depois do pesadelo, contando como havia sido tão real aquilo. E afirma pela primeira vez que estava com medo de perdê-las. Ele estava ensopado de suor, então pega algumas peças de roupa, e entra no banho. Rachael diz para as meninas ficarem em casa para fazer companhia para Ralf; para não abandoná-lo. Ela disse que também ficaria mas que havia coisas para serem feitas. Então Rachael sobe até o quarto de Ralf, senta sobre a cama, e o espera terminar o banho. Emy e Sophie assistem sentadas no sofá um programa de desenhos animados. Já Ralf no banho, começa a se ensaboar com o sabonete, e de tanto calor, abre um vão da janela para o ar entrar. Ao desligar a torneira do chuveiro, uma borboleta entra pelo vão, parecia estar machucada, cai no chão e Ralf a pega na mão, envolvendo-a num pedaço de papel e a colocando no lixo. Abre a porta e se depara com Rachael sentada sobre a cama, esperando-o para conversar. Ralf diz que havia tido um sonho horrivel, que as meninas haviam se perdido na floresta, e que Emy havia caído dentro de um buraco. Elas estavam caçando borboletas. Foi quando as trouxe de volta para a casa, e as vi brincando na varanda, pensei então quem eram aquelas que estavam comigo. Emy estava morta, mas conseguiu me beijar. Foi quando acordei.
Rachael então diz:
- Emy havia desenhado mais coisas, que estavam de baixo de sua cama, era um menino, e que em torno dele, havia uma dezena de borboletas. Ele estava dentro de uma floresta.
Ralf assustado com aquilo:
- Nossa, Emy ainda não parou de desenhar Daniel, seu amigo imaginário. Mas o estranho é, será que ele mora dentro da floresta?
- Mas quem realmente é Daniel? - Pergunta Rachael, também com medo.
- Meu píor pesadelo - Diz Ralf.

# Medo do escuro (2ª Parte)

Já com a comida pronta sobre a mesa, Ralf chamou Emy para lhe fazer algumas perguntas. A cada garfada, uma pergunta sobre Rachael e Sophie era solta por Ralf. E Emy, sem entender muito bem o motivo daquelas perguntas, simplesmente as respondeu. 
- Emy, o que você mais gosta de fazer quando está com Sophie?
- Gosto de brincar de pique-esconde papai.
- Mas como se brinca de pique-esconde Emy?- Perguntou o pai sem interesse, pois já sabia como a brincadeira funcionava.
- Nós contamos até cem, enquanto a outra pessoa se esconde, depois saio para procurá-la, e se eu achá-la, está com ela.
Ralf, já sentindo a carência também por Rosie, decidiu dedicar mais tempo à sua filha Emily, e a convidou para brincar lá do lado de fora da casa. Emy, concordou e foram brincar.
E a casa estava sozinha, e eles estavam sozinhos sem ninguém para os perturbar. Ralf não conseguia vencer o jogo, Emy já sabia muito bem os truques do pai, então pararam de brincar. Ralf foi entrando na frente para atender um telefonema, enquanto Emy se aprontava para entrar. Era seu amigo Mark que revendia seus artefatos de madeira, dizendo que havia encomendado um cavalo com cela avermelhada para uma familia daquela cidade. Então Ralf aceitou fazer o cavalo, e logo colocou o telefone no gancho. Gritou Emy, mas ela ainda não havia entrado, foi quando Ralf achou estranho. Emy estava tentando apanhar uma borboleta, que já entrava dentro de outra propriedade, do qual, Emy não poderia estar invadindo. Ralf começou a correr para protegê-la, e viu-a entrando naquela propriedade, então correu  mais rápido, e conseguiu alcança-la. Foram para a casa, se ligaram para Rachael, para saber se ela poderia aparecer na casa deles as 19:30pm, e ela disse que sim.
Logo após a aceitação de Rachael, Ralf e Emy trataram de arrumar a casa para bem recebê-los. Afinal a casa estava uma bagunça, e o assunto que deveria estar sendo tomado com elas era muito importante e serio. Ralf falou para Emy ir arrumando o quarto dela, e ele limparia os cômodos da parte de baixo da casa. Emy juntando suas bonecas, e Ralf, apanhando o lixo com um aspirador de pó barulhento. Após Emy já ter acabo o seu quarto, se oferece para limpar o quarto de seu pai. E como Ralf estava muito cansado, ele permite isso à ela. Emy limpando daqui, limpando dali, sobe em cima da cama de Ralf, e acha algumas caixas sobre seu guarda-roupas. Emy muito curiosa, começa a observar aquelas caixas, com cada vez mais curiosidade. Então, Emy alcança uma das caixas, observa lá dentro alguns papeis do casamento de seu pai, algumas fotografias do dia 09 de agosto de 1980, o dia em que Ralf havia dado uma câmera fotográfica para Rosie. E o mesmo dia em que Rosie havia sofrido aquele terrível acidente de automóvel. O carro onde ela estava perdeu o controle e caiu do penhasco. Um verdadeiro desastre. E ao ver tudo aquilo, Emy deixou cair aquela caixa, que fez um estrondo muito grande no chão, possível de se escutar da parte de baixo, onde seu pai estava. Então, quando Ralf escutou, subiu correndo a escadaria, se deparou com Emy segurando as fotografias, e a caixa caída no chão. Apanhou a caixa de seus pés, e a ergueu dizendo cuidado, pois ali havia coisas pessoais. Ralf deixou a caixa sobre a cama enorme de casal, e retirou a fotografia de Rosie das mãos da filha, e por um instante se descuidou, deixando-a ver o resto do conteúdo da velha caixa. Havia uma pistola, de uma coleção antiga que seu avô havia dado a Ralf, e junto com ela, uma caixa de balas.
O silêncio foi quebrado pelo som da campainha. Ralf pegou Emy nos braços e a levou junto com ele para atender a porta. Era Rachael e Sophie, com alegria, Emy foi correndo brincar com Sophie do lado de fora de casa. Ralf começou a conversar com Rachael sobre ela cuidar uns dias de Emy, se possível pois havia trabalho a ser feito, então Rachael somente aceitou se pudesse passar alguns dias na casa deles. Foi uma boa notícia para todos ali, e com certeza, as crianças também iriam gostar da idéia. Ralf sabendo que tinha mais um quarto de hóspedes na casa, trouxe uma cama de lá e colocou no quarto de Emy, para Emy e Sophie poderem dormir juntas. Mas faltava mais uma cama, e só restava o sofá. Já estava ficando tarde, e Rachael se deu ao trabalho de chamar as crianças para jantarem e darem a notícia. Todos estavam reunidos, comendo um delicioso prato que Rachael havia preparado com peito de frango e arroz grego. Quando Ralf deu uma das mãos para Rachael, olhou no fundo dos olhos dela, e após isso, olhou para as crianças dizendo que Rachael e Sophie iriam passar alguns dias lá. As crianças olharam uma para a outra e a felicidade delas ficou evidente com a notícia.
Depois do jantar, Ralf se levantou, retirou a mesa, e começou a lavar os pratos sujos, enquanto isso, Rachael levou as crianças para deitar. Contou-lho-as uma historia, e pronto, lá estavam dormindo feito anjos. Ralf já havia lavado a louça, então ao caminhar para a sala, viu Rachael com uma linda camisola vermelha. Ela estava muito sensual pensava ele. A excitação dele ficou clara. Quando ela chegou no ultimo degrau da escada, ele disse que ela poderia ficar no quarto dele, que ele não se importava de dormir no sofá da sala, já que o porão onde funcionava a sua marcenaria improvisada ficava muito mais perto, e facilitava a rapidez do trabalho. Rachael olhou-o com um olhar profundo, o envolveu nos seus braços e se pôs a chorar. Disse que ela estava desesperada pois não sabia o que é ter um homem fazia anos, e pediu desculpas por mentir daquele jeito para Ralf. Ralf então não se importou mais com aquilo, e a desculpou depois daquilo. Ela foi se afastando lentamente, até que os seus rostos ficaram muito próximos um do outro, e eles se beijaram. Emy dormia feito pedra, e Sophie estava cansada demais para ouvir algum gemido, mesmo que estivesse vindo de Emy, então, Rachael empurrou Ralf até o sofá, abaixou a calcinha, e se sentou sobre o colo dele. Eles começaram a fazer amor ali, sem se preocupar com nada. Ralf via flashs de Rosie e Rachael de Bryan, seu ex-marido.

# Dó, ré, mi, fá, sol, la, si, dó.

Às vezes quando sou eu mesmo
sinto medo de te machucar.
Mas quando estamos juntos,
posso me ver no fundo dos seus olhos,
e me sinto privilegiado,
por estar sempre dentro de você.

Quando nos entregamos um para o outro,
fazemos loucuras de amor,
mas o que há dentro de nós? - um leão -
que pra fugir pede por favor.
Que mera coincidência é o prazer
Uns dizem que amaram, 
outros dizem que amar é dor.

Se for pra descobrir,
ó doce cantar, quero seu clamor.
Abaixo do sol de imenso tamanho,
a miragem é sempre um terror.
Sou um cara estranho - no momento -,
nem mesmo sinto frio ou calor.

E se fosse se cansar,
cansaria de receber aplausos sem querer.
Não vejo perfeição em nada,
muito menos no meu crer,
pois se creio o mundo se fecha,
e se me escondo, 
Deus me manda seus anciões
que me acertam com uma flecha.

A flecha divina,
que toca a harpa em dó e ré,
me acerta o coração, 
como num ato bom
com toda a sua fé.
Não gosto de ouvir o som do dó,
porque me recordo,
vendo meu avô e avó 
em cinzas e pó.

# Medo do escuro (1ª Parte)

- Quando mamãe se foi, eu e papai se mudamos para outra cidade. Não queríamos que as mágoas ficassem junto a nós. Tudo bem que a casa era um pouco menor do que a de antes, mas conseguiria me adaptar com o passar do tempo. Na viagem vi a brisa tocando meu rosto e balançando meu cabelo, tudo caminhava bem na medida do possível. Estava somente dentro daquele carro, eu, papai, e minha boneca de porcelana - um presente que minha mãe me deu, alguns dias antes dela partir.
Papai me chamava de Emy, um apelido carinhoso que mamãe também me chamava. Meu verdadeiro nome é Emily Bakker, e sou ainda uma criança. Todas as noites, mamãe me trazia para a cama, e me contava uma história - tudo bem que na metade dela eu já estava dormindo -, mas era a unica coisa que me fazia adormecer. Não conseguia pensar como era a minha vida sem ela, e quando, com uma corda ela se enforcou, perdi a cabeça e a partir daí, começaram os traumas.
Como eu era muito nova, tudo ficou mais difícil. A terapia custava mais caro do que o normal, precisava de medicamentos para adormecer e conter as minhas lágrimas. Mas felizmente papai podia me dar a atenção que eu precisava. Foi quando eu fiz meu primeiro amigo imaginário...
A casa era antiga, sem muitos moveis modernos, e a maioria dos antigos, já estavam empoeirados. Uma televisão antiga sobre o chão, uma cadeira de balanço pintada a mão também estavam lá, num estado melhor do que os outros moveis. Então me sentei, e comecei a balançar, e a balançar ouvi o rangido da cadeira antiga, parecia que estava prestes a quebrar. Enquanto isso, papai foi tirar as coisas do carro, trouxe todas as caixas pesadas e colocou no meio da sala, impedindo a minha passagem para a escolha dos quartos. Papai era um doutor aposentado, Ralf é como ele se chama. Ralf Bakker, era médico cirurgião, que trabalha com antigüidades. As esculpia em madeira, e depois as vendia para um amigo dele de outra cidade.
Em uma caixa estava escrito: - Coisas da Rosie! Com letras rápidas mas delicadas. Devia ser algumas fotografias dela. A obsessão dele era notável, assim como as noites mal adormecidas dele, enquanto sonhava com os tempos dourados da formatura na faculdade, onde ele a conheceu. Ele havia trazido uma caixa grande, onde ele guardava alguns prazeres dele, como a bebida, alguns livros em branco para começar a escrever, e um grande fone que impedia ele de escutar o resto da casa. Quando tudo se apagou, ele se deitou em um dos quartos, e me deixou em um outro separado. Eu fui calada até o quarto, carregando em uma das mãos minha boneca de porcelana, e na outra, a mão dele. Ele me deitou igual a mamãe, me dei um singelo beijo na testa, e deixou a porta entre-aberta para a luz entrar. Me coloquei em baixo dos cobertores, virei para o canto, e adormeci.
No dia seguinte papai trouxe o café da manhã na cama, e me acordou. Demorei um pouco até acordar, mas quando o vi, abracei-o fortemente, para não deixá-lo escapar de meus braços. Dizia para ele que não podia viver sem ele e sem a mamãe, e pedi por favor que ele não me deixasse. A promessa foi a que eu mais esperava, ele prometeu não me deixar. Contei a ele meu sonho, um sonho meio estranho, onde eu conhecia uma pessoa que não mostrava seu rosto, com vergonha ou medo, mas pediu a mim um favor, e eu, no meu sonho, o cumpri.
Ralf: - E qual foi o sonho filhinha?- Perguntava o papai ansioso com o desfecho do meu sonho.
Emy: - Eu teria de desenhar mamãe. - Foi isso que fiz papai.
Ralf após o desfecho ficou mais tranqüilo, deu nas mãos da filha um copo de leite e algumas bolachas, e deixou na forma uma maçã. Quando se levantou, reparou que havia pisado na boneca da filha, e que havia quebrado-a. Quando se abaixou para pegá-la, olhou em baixo da cama, e viu os lápis de cera empurrados por ali, junto com uma folha de papel amassada, simplesmente deixou onde estava, e deu a má notícia a sua filha. Ela, às lágrimas, disse que o perdoava por ter quebrado a sua boneca preferida, e que já era tempo de abandonar mesmo aquela boneca.
Na hora do almoço, Ralf reparou que não havia trazido a comida congelada, e que era preciso comprar alguns pedaços de carne, então perguntou a Emy se queria o acompanha-lo. E ela aceitou. No caminho do mercado, Ralf para seu carro em um farol, e escuta Emy no banco de trás conversando com um amigo. Daniel era o nome dele que ela dizia baixinho, puxando algumas mechas de cabelo para trás da orelha. Ralf achava normal uma criança ter uma amizade imaginária depois do trauma, e aceitou tudo aquilo. Enquanto ele comprava os mantimentos para preparação da comida, ouviu Emy falando com um estranho, que também estava por perto. Com medo, correu até o local onde a filha se encontrava e deparou-se com uma linda mulher com uma criança um pouco mais velha do que Emy. Rachael era o nome da mãe, e Sophie o nome da filha dela. Ralf os cumprimentou, e disse desculpas pela desconfiança, e justificou dizendo que era novo na cidade. Eles trocaram telefones, e partiram até a fila do caixa. Ele se foi junto com Emy, e Rachael ficou logo atrás. Num outro farol, Rachael parou seu automóvel do lado do de Ralf, e ele abaixou a janela lateral e a gritou.
Ralf: - Gostaria de almoçar conosco hoje? Será um almoço simples, não sei cozinhar muito bem.
Rachael: - Não posso, meu marido me espera. Mas se não se importa, poderei levar Sophie para brincar com Emy.
Ralf não perdeu tempo e aceitou a proposta dela. Se despediu, e traçou o seu caminho. Ao chegar em casa, Emy foi sentando na mesa da cozinha a espera da comida, e Ralf foi para a cozinha. Fez o que pode, e colocou no prato da filha, e logo depois se sentou ao lado dela, e começou a comer também. Emy comeu tudo e Ralf só conseguia mexer na comida, estava sem fome depois de conhecer aquela moça. Foi quando eles ouviram a campainha, e Emy foi correndo abrir a porta. Era Sophie querendo brincar com ela no jardim. Emy perguntou ao pai se podia, e ele disse que sim, caminhando até a porta para avistar Rachael dentro do carro. Ele foi chegando mais perto para reparar se ela estava com o marido, mas viu que não, então, se aproximou e disse:
- Tudo bem deixá-la aqui, elas brincarão a tarde inteira.
Rachael disse:
- Tem certeza que não será um incomodo?
- Pode ter certeza que não-, Ralf afirmou.
Então Rachael ligou o carro, e engatou a marcha ré, e se foi.
Ralf disse para elas não brigarem e não irem longe, e elas obedeceram.
Enquanto isso, Ralf abriu uma das caixas, e tirou um aspirador de pó, e começou a limpeza. Limpou toda a casa, deixou-a arrumada para qualquer tipo de visita, e subiu para os quartos, para limpa-los também. Começou pelo seu, no qual estava menos bagunçado, arrumou sua cama de casal, e limpou o pó que havia no criado-mudo onde ele colocava seus livros. Quando terminou, passou a limpar o quarto de Emy. havia muitos brinquedos espalhados pelo chão, e foi recolhendo-os e colocando-os no canto, dentro de outra caixa vazia.
Foi passando o aspirador de pó até chegar perto da cama, olhou o papel e os lápis de cera no mesmo local, então os pegou, e repentinamente, ouviu um grito de uma das meninas. Então,  tratou de ir correndo ver o acontecido. não se importou com o desenho e o deixou esticado sobre a cama da menina.
Sophie havia caído, ralado os joelhos, mas estava praticamente bem, Ralf a pegou nos braços e a levou para dentro da casa, ligou para a mãe, e falou do acontecido. Ela logo chegou, preocupada com a sua filha, e perguntou o que havia acontecido. Emy disse que elas estavam brincando e elas ouviram um barulho estranho e começaram a correr para a casa com medo, foi então quando Sophie caiu, e papai já a pegou. Rachael reparou o curativo nos joelhos da menina, e disse apenas que acidentes acontecem. Ralf a ofereceu uma xícara de café, e ela aceitou, sentando-se sobre a cadeira com sua filha no colo. Todos nós conversamos por alguns minutos, e no olhar do relógio, Rachael viu que estava tarde, e decidiu partir. Ralf a levou até a porta do carro, e a cumprimentou com um beijo carinhoso, seguido do pedido de desculpas. Entrou para casa, levando Emy, e quando a pôs para deitar, viu melhor o desenho que ela havia feito.
Um desenho feito a mão, com o cabelo vermelho de sua mãe, como ela havia contado no sonho. Ele perguntou quem a havia desenhado, naquele papel amassado, e Emy disse apenas que não havia sido ela, e sim Daniel. Ralf então pegou o desenho, e levou ate a lareira da casa para queimá-lo. Enquanto via aquela recordação pegando fogo, encheu o copo com whisky e começou a beber loucamente, buscando esquecê-la. Não demorou muito para ver que Emy estava mentindo, mas simplesmente encarou como carência da mãe da parte da Emy. Se deitou no sofá, puxou um velho agasalho que serviu de cobertor, e adormeceu logo ali.
Quando o sol bateu nos seus olhos, ele acordou assustado não lembrando de nada, e viu o desenho da filha intacto sobre seu peito, olhou para o lado e se assustou, Emy estava ali com uma xícara quente de café, que com o susto, acabou derrubando-a da mão da filha. Ela então se afastou dizendo: - Cuidado! Poderia ter me queimado. O pai então disse perdão à ela, e se sentou encostando as costas no apoio do sofá, se perguntando como o desenho ainda estava ali, intacto. Emy, seguiu para a cozinha e pegou mais uma outra xícara de café, levou até o pai, caminhou até a cozinha novamente, pegou a vassoura e varreu a xícara quebrada no chão, jogou-a no lixo, e se sentou do lado de seu pai.
Ralf perguntou novamente se havia sido ela quem havia feito aquilo, e ela disse novamente que havia sido Daniel. A imagem de Rosie estava ali, como se fosse uma fotografia realmente, e desta vez, Ralf decidiu guardá-la num local seguro. Emy chegou perto de seus ouvidos e disse:
- A Sophie estava me contando que o papai dela também morreu papai, quem sabe vocês não podem se casar.
Ralf com uma cara de desconfiado perguntou:
- Então por que ela disse que o marido dela estava esperando-a?
- Sophie me disse que Rachael gostou tanto de você que ficou com vergonha e disse tudo aquilo.
Ralf soltou um sorriso sutil, e foi até a cozinha preparar o almoço novamente, e deixou Emy assistindo aquela televisão antiga. Ralf ficou pensando, pensando se poderia dar certo, mas deixou de pensar e se pôs a fazer o sustento da filha.

# Pecado é deixar de viver.

Promessas não cumpridas,
frases mal-feitas.
Um grito de socorro, um pedido de ajuda.
Seu nome vem em minha mente, e de repente,
me vejo caído, num mar de desgraça.
Não consigo superar a imagem cíclica,
passando atrás dos meus olhos.

Teu corpo que nega o toque,
o meu que só pede as tuas unhas tão afiadas.
Chego a fingir que estou bem,
mas pode alguém ver?
Enquanto banho meu rosto,
vejo a cair as camadas.

Descasquei novamente,
quem sabe a outra pele escondida por trás da amargura,
não sabia que a dor era infinita,
e remédio algum poderá curar.
Só restou uma dúvida,
eu fui feliz?

# Ache a natureza dentro de você.

Odeio-me quando não sei agir sobre meus conceitos da raiva,
por isso, ela sempre toma conta de mim.
Posso até não expressar com a minha voz,
mas tenha certeza que se uma bomba fosse,
já teria explodido por dentro.
Odeio a falta de não ter o que fazer.

Odeio ser obrigado a fazer!
E por falta de criatividade,
me atiro contra o tempo, para explorar novos mundos,
novas músicas.
Embora odeie tantas coisas, consigo ouvir o canto dos pássaros,
todos os dias pela manhã,
e ver a água dentro de meu copo sem tornar uma tempestade.

É bonito tocar o chão com os lábios,
sempre que estiver livre. Quando se pode se ouvir.
Deixar a chuva te ensopar,
ou caminhar sobre as nuvens,
A natureza é tão bela. Tão insignificante às vezes,
mas está sempre lá, não pode ser modificada.
Essa é a minha natureza, estúpida, insignificante sim,
mas nunca escondeu o que eu sou por dentro.

# Porque?

Me impressiono com a quantidade
de engano que tenho dentro de mim.
Ele às vezes escapa, e acerta outras pessoas.
E se fosse possível descrever, seria o enfermo eterno.
Mesmo com a capa de chuva,
que impede as suas lágrimas de me tocarem,
não sou capaz de dividir a mesma emoção contigo.
A pedra de mármore quente como sempre me aguarda,
e disso já não restou dúvidas.
Não adianta caminhar sob um céu fictício,
quando somos mais fictícios do que ele.
Não resta escolha a não ser,
acabar com a dor.

É como ser auto-destrutivo,
e a bomba já estiver em contagem regressiva.
Para arrancar o músculo alheio do peito, acentuado à esquerda.
Esqueça. Esqueça! Te garanto o melhor.
Não é mais uma sugestão.
Há morte durante a vida,
mas há vida durante a morte?
O suor dos vidros não significa mais nada,
muito menos o calor que existia em nós.
Aprender a viver deve exigir uma boa faculdade mental de nós,
não sei até hoje o que é viver.

A quanto a rosa mórbida,
ela já não existe mais.
Ela sempre esteve ali, só você não quis ver,
através da janela era possível,
mas repito. Só você não viu.
Se hoje a desgraça que há em mim me consumir,
virarei mais além do que um desastre,
a empatia que desejas, ou simplesmente o ser mais insignificante.
Mas cada um tem seu próprio julgamento. Eu te julgo também.
E o meu sempre é o juízo final,
não vejo porque voltar atrás.

# Redenção.

O mundo em água,
calotas polares se destruindo,
nossos filhos verão o fim, de água doce
mas mortífera.
Dinheiro algum resistirá,
ninguem mais passará fome.
A água simplesmente não vai acabar,
vai estar sempre se transformando nesse enfizêma.
Morfina alguma acalmará a dor
- adoro sentí-la -,
vamos se enterrar sozinhos,
não há ninguem para nos salvar, e decisões são para serem tomadas,
por isso, uma pílula de ferro, sempre desce pela minha traquéia.
Ajoelho-se para implorar por todos os santos,
mas parecem que eles se cansaram de nós.
Cansei de esperar por uma salvação,
de acreditar em uma ideologia,
ultimamente nem mesmo meu espelho me mostra alguma.
Mas quando achamos que está tudo perdido,
uma lágrima a mais escorre em nossos olhos,
e só percebemos ela quando ela chega em nossos dedos.
Mesmo quando pensamos estar bem, quando tudo ocorre bem,
lagrimejamos no escuro, e sua textura é tão fina que não conseguimos sentir.
O vento solitário sopra e arrasta nossa gravata para cima do ombro,
e quando a colocamos de volta, olhamos para o lado,
vemos a mulher com seu crucifixo entre os seios; desrespeito.
Tendo como mensagem subliminar a vida,
ocultando os sonhos, que queriamos sonhar a muito tempo,
bom, não podendo fazer absolutamente nada,
o nada é demais para mim.

# Razão

Não sei quem deveria ser,
mas tenho medo de descobrir.
Não sei o que deveria fazer,
mas tenho medo de tentar.
O horizonte para mim não é o mesmo,
muito menos as unhas fartas de tamanho,
que me arranhavam sutilmente.
Se não me lembro de você,
deve ser porque aprendi a gostar mais de mim.
Pois se não soubesse, nunca teria expulsado você do meu coração.
Embora tenha sido mazoquista até esse momento,
eu não existiria se não fosse por você.
Não foi fácil ser egoista o suficiente,
para acreditar no poder das coisas mais difíceis,
porque se não aprendesse,
nunca saberia o que não é ter "pequenas coisas"
fora de mim.

# Dançando na chuva.

Estava vagando sem ter um caminho em mente, quando portas se abriram ao meu redor, mas eu não sabia o que fazer. Pessoas saíram de trás das portas, querendo dizer coisas que eu não entendia, e por isso, corri o mais rápido que pude, mas sempre como o previsto pela mente humana, tropecei e eles chegaram mais perto. Elas estavam cobertas com capas de chuvas, mas não estava a chover. Então procurei me acalmar, e toquei o rosto de uma daquelas pessoas, era frio, não havia cor nele. Ao repararem que eu estava faminto de atenção, eles me levaram até um pequeno vilarejo, onde eles me alimentaram com o prazer de um amigo, com um abraço sem  malícia. Embora estivesse correndo tudo bem, surgiu uma pessoa em meu horizonte, que sua aparência era muito mais amigável, com cabelos ruivos, com um rosto coberto com um toque de pó, um batom vermelho. Não perdi tempo, realmente era o que eu queria, além de toda aquela atenção, e logo as outras pessoas me compreenderam. Corri, mas desta vez eu não tropecei em galho nenhum, mas parecia que ela se distanciava cada vez mais, uma coisa estranha para se pensar, meu maior desejo se voltando contra mim. Quando olhei ao meu redor, já não sabia onde estava, e não conseguia lembrar da face dos meus amigos que estavam a me esperar - ou apenas achava que estavam.
Achei um pedaço de graveto no chão, e comecei a me chicotear com aquilo, queria retirar a dor que havia dentro de mim. Não era uma medida desesperada, depois de já ter perdido tudo, e todos. Ganhei outros amigos; pássaros, cobras, veados. Mas nunca consegui me comunicar com eles, tudo se tornava insignificante. Não sabendo onde estava, caminhava em círculos, buscando uma luz no final do túnel, olhei para os lados, para o chão, mas quando olhei para o céu eu encontrei o que procurava. Luz.
Uma luz mais forte do que já imaginava, talvez ela fosse me curar, não demorou muito e lá estava ela me queimando da cabeça aos pés. Vi um reflexo ao longe, era meu corpo, minha cabeça, e fui me aproximando, vi meus cabelos compridos, minha barba mal feita, e ao lado, uma pequena cabana. Me escondi de mim mesmo, tranquei as portas, sem pensar no que me esperava do lado de dentro. Então simplesmente me abracei com medo do amanhã não existir mais, um pequeno adjetivo naquele momento, mas muito apavorante. Lá dentro existia mais um espelho, do qual não podia ser tocado, não mostrava meu reflexo, minhas mãos estavam desaparecendo, já era possível enxergar através delas, reparei uma banheira no canto completamente suja, mas com uma mensagem: - Estou aqui -, escrita com letras vermelhas aparentemente com sangue de carneiro. Comecei a enchê-la, um pouco de água do riacho, um pouco de minhas lágrimas, e pouco a pouco a borda da banheira estava transbordando. Conseguia apenas sentir o cheiro umido da chuva que estava caindo quase imperceptível do lado de fora, então não senti minha cabeça afundando em uma banheira, vi o chão se transformando em água, e eu apenas afundando junto com a banheira. Era meu fim.
Quando acordei assustado, depois de estar desmaiado com água nos pulmões, corri para o lado de fora, e vi uma porta do tamanho das árvores, não perdi tempo e fui correndo à ela, então como num passe de mágica, vi uma pessoa correndo de mim, e de outras pessoas ao redor, eu gritava: - NÃO CORRA, QUEREMOS AJUDAR! -, mas nossa fala era confundida com a dos pássaros, então, a pessoa se libertou e me tocou, senti o que eu havia feito com a outra pessoa, e levei-a para nossas casas, estavam com poeira do lado de dentro; em nossos móveis rústicos. Mas simplesmente ela fugiu de nós, como um gesto de ingratidão, infelizmente não pudemos fazer nada. Ela estava decidida.
Nós queríamos ajuda, apenas ajuda para nos libertar da floresta. Eu estava com uma lona preta, parecida com uma capa de chuva.

# Suspiro do silêncio.

Crescer, poder dizer que aquilo é seu.
Lutar, poder dizer que tentou, mas que infelizmente perdeu.
Talvez nada seja o bastante,
Engolir um coquetel de pílulas para acabar com sua dor,
ou quem sabe, apenas começar uma nova dor.
Gritar no meio de nada,
Caminhar na chuva em sentido a liberdade.
buscando o Estado de espírito que desejamos,
Entretanto ninguém é capaz de retirar um câncer de onde nasceu
nem mesmo o bisturi do destino.
Às vezes, quando não temos vontade de gargalhar,
nem mesmo um simples sorriso se põe em nossos rostos.
Surgem circunstâncias invisíveis e indestrutíveis,
que vão apagando nossas vidas devagar.
É difícil demais viver.
Que somente Deus venha me julgar!

# Como pode o mundo cair sobre mim?

A hora agora não é de aumentar os sonhos, e sim de organiza-los.
Espero que dê tudo certo, Deus oro por você.
Todos os momentos da minha vida, tenho Flash's de sonhos que não são meus
Mas eu tento superar, posso não conseguir, mas tenho orgulho em dizer que tentei.
E agora espero que a minha vida siga sempre a mesma,
e que nada a atrapalhe.

Às vezes deixamos de lutar,
mas não com medo de perder a batalha,
e sim por não ter mais condição de sofrer.
(Bob Marley)

# Pesadelo! Eterno pesadelo.

Porque sempre temos sonhos que são impossiveis de se realizar
Outros que gostariamos se sonhar, mas não conseguimos
Sempre tentamos retornar àquela cena, mas somos impedidos
Seres malignos e obscuros vêm em nossos pesadelos
E não conseguimos acordar na hora que desejamos.
Ninguém nos acorda,
Até que o pesadelo acaba
Os medos vão embora de perto de nós
Enquanto isso achamos estar bem
Antes de reparar que o pesadelo não havia acabado
Mesmo já estando acordados
Ora porque o pesadelo é o mundo
Respectivamente, nós somos o pesadelo.

#...

Temos tempos na vida,
que toda lágrima é sofrida,
e todo ensinamento que conquistamos,
é por que merecemos.

Como sopros presos,
que não se passam, nem pela traquéia,
desgosto da vida,
sozinho preso na colméia.

# 1° ano de eterna felicidade.

Hoje, como os 365 dias passados, tenho passado muito feliz. Uma felicidade que muitos poucos tem coragem de viver. Uma felicidade que muitos poucos tem direito de ter. Aquilo que te gratifica a cada manhã, e que te acorda com beijos e um bom dia para te animar depois de um dia triste. Uma pessoa que me fez ver um horizonte melhor do que antes, que me mostrou que a vida é linda de se viver, e que Deus existe. Milagres existem, mas não por esperarmos acontecer, e sim por crer que ele pode acontecer. Uma pessoa deve nos ajudar, eu ajudo a minha mãe, eu ajudo a mim mesmo, eu ajudo a minha namorada linda. Isso é o que eu realmente quero em toda a minha vida. Quero filhos, quero familia, com uma só mulher. Só com a Lúcia Batista Duarte e daqui a alguns anos, Sutto.
Eu te amo; eu te quero. Te venero em palavras. E sem você, minha VIDA não tem sílabas.

# O poder da miséria.

Quando vamos? Pra onde vamos? Não há ninguém para nos dizer. Sabemos que o tempo é curto, e quase impossivel de se viver até o final. Somos escravos de materiais unipresentes e o destino só nos maltrata. Pensamos em ter sorte, mas isso não existe, tudo é matemático. Quantos passos daremos? Quantos abalos sísmicos o mundo ainda causará? Não há nada para crer. Temos apenas os pedaços da miséria a nosso favor, e ainda somos jovens demais para termos total malícia da vida, porque tudo não passa de materialização dos sonhos e na verdade, quando vemos realmente o que é necessidade, não conseguimos nem subornar a vida para escapar de tudo isso.

# Como o planejado

Meu sonho -ou melhor útopia- me transformou na marionete de tudo que não consigo ver. E se viver, ou se morrer, o condutor das minhas cordas necessita do meu chão como seu próprio limite. E enquando estou acordando, e como se um passe de mágica tornasse toda essa mentira em verdade, e me colocasse de volta em seu peito. Ó coração diabético, dê a ela um beijo, fale baixinho à ela que meu amor é irrevogavel e que ninguém mais pode voltar no tempo, do mesmo modo que águas passadas não movem moinhos. Mostre-a que estou aqui somente por ela, e que nunca precisei tanto de uma só pessoa em minha vida. E que tudo é passado realmente, e não há vestígios dentro de mim que possam te enganar.
Hoje te aceito como minha legítima salvadora. Aquela que vai me amar e me aceitar independente das consequencias da vida. Independente de tudo que possa acontecer. E não há soldados suficientes para me obrigar a me prender a outra coisa que não seja você.
Simplesmente quando acordo, escuto uma canção pra dormir.

Parabéns amor, e como não estarei aqui no seu aniversario, saiba que o seu presente já vai voltar de viagem. Porque Deus está conosco, e Ele me preenche de toda sabedoria para lutar contra os obstáculos que vêm aparecendo em nossas vidas. Obrigado por Existirem.

# Oculto

Vejo um mundo diferente,
onde poucas coisas se encaixam,
até mesmo aquelas pessoas mais especiais,
deixaram de ser quem eram.
Palavras presas dentro da boca,
me fazem caminhar entre os carros,
tentando sem coragem,
chegar a algum lugar.
Embora não tenha coragem nenhuma
trilho esperando que aconteça,
não gostaria de nada tão doloroso -
também nada tão frio.
Mas a verdade está no modo de se encarar,
de se encontrar e chegar ao seu objetivo,
pois não adianta olhar a vida pela fechadura
sem ter a chave para abrí-la.
A teoria de sonhar está empregada dentro de cada um de nós,
cabe a nós adivinhar como adormecer.

# Onde a chuva não vem mais.

Recordações de um tempo atrás,
Me lembravam você,
E que hoje se foram,
Como tudo que já passou em minha vida.
No mês de janeiro à dois anos atrás,
Onde pensei ter conhecido o insubstituível.
Que simplesmente se substituiu.
Todos os dias que vem passando hoje,
Me fazem olhar para janela e ver a neve a cair -
Tento tocá-la.
Penso novamente em tudo o que passou.
Vejo realmente que fantasias são máscaras,
Que nos escondem de nós mesmos.

Flocos impermeáveis,
Caem sobre minha pessoa.
Seu suspiro empurra a porta para as minhas costas.
Todo momento que adormeço,
Seu sonho se torna o meu em vice-e-versa.
Mas vejo que a chuva aqui não se derrama mais,
Meus sonhos já não são utopias.
Tudo ao redor era branco,
e cinza.
Mas levantei a cabeça e acreditei,
No tudo que faço para ser melhor,
Vi positividade no som das águas,
Vi a cor dos pássaros radiantes.

Na vida da vida.
E em todos os momentos,
Sou melhor do que já fui.
E a falta da sua voz se transformou
Na desistência.
Entretanto sempre recomeço.
E sempre vou recomeçar.
Um dia ainda vou me achar.
" Longe do céu, distante das estrelas"

# Orgulho

Quando de tarde acordei,
Somente luz veio em meu rosto.
Fechava os olhos, e mesmo assim,
A luz forte continuava os ofuscando.
Pensava por si mesmo, qual seria a razão,
De estar ali, pensativo, 
mas nunca encontrava a resposta,
Foi quando, realmente reparei,
Que havia deixado para trás,
Que havia parado de dar valor para pequenas coisas,
E talvez por isso, tenha conseguido te esquecer.

E hoje, o que me  transformou,
Foi ter tido personalidade,
cabeça firme e punho forte,
para seguir realmente ao meu destino.
Sei que não há mil maravilhas,
e que prazer é momentâneo,
mas mesmo assim vou desenhando meu orgulho,
assim podendo me moldar do jeito mais divino,
ou insignificante que desejares. 
E por isso sim, hoje vejo que o nada,
É somente Nada.

# Compaixão

Ontem estava acordando,
mas não conseguia te escutar.
Talvez houvesse alguma coisa,
me impedindo de querer.

Buscando com o tempo, entender,
preenchi as lacunas da minha vida.
Muita materialização imposta errada,
mas com tempo para ser corrigida.

Embora meu espelho estivesse embaçado,
e meu umbigo estivesse sujo:
- Aprendi a cuspir para baixo.
Ah! Como é bom sobreviver.

E como uma coisa cíclica,
renasço das cinzas de uma fênix,
não nasço, e não morro.
Sou apenas um ser.

E sou a dor do solo não fértil,
que não faz nascer,
as flores que choram: - Personificação!
O que vou ser quando crescer?
Compaixão?

# {IM}Perfeição

Senhor eu não sou digno que entreis em minha morada, pois a abandonei completamente, graças a cabelos ruivos de uma garota. Se arrependimento matasse, iria me tornar mais sarcástico ainda, pois ficaria feliz ao ver que não quero se tornar invencível e ver todos meus inimigos caídos sob mim. Nada dura para sempre simplesmente porque ele não existe, e ninguém o fará existir. Nada se cria, nada se destrói, tudo se modifica, mas quando nós mudaremos? Quando alguém criará a fórmula da felicidade plena, aquela do verdadeiro amor? E quais serão os fundamentos que nos farão caminhar e ver que valeu a pena esperar para ser aquilo quando crescermos? Enquanto adultos querem voltar a ser crianças, crianças querem ser adultos, e assim por diante. No meu estado, a idéia do meu destino mudou, e agora não basta só me conformar, tenho que confrontar a derrota de frente, e continuar a procurar algo que me dê a vitória. Apesar do Mármore ou do Paraíso estarem me esperando, a teoria é melhor do que a pratica da vida.
Sei o que é sentir a dor persuadindo sobre minhas pálpebras.