# Dezembro.


Vou sempre me lembrar
de quando um dia
vim a falar
dos seus cabelos
se bem me lembro
crespos pela chuva
de setembro.
Hoje
me recordo
apenas do seu sorriso
no mês de dezembro
apenas mais um doce natal
e um novo ano
que ia entrar.
Vou apenas lembrar
que em setembro
ou em dezembro,
estava só
a te acompanhar
estava só
transformado em pó
esperando
o vento soprar-me
até você.

# Sentido não!

A inconfidência
deste sentimento
tem desmatado
todo sentido
de querer-te aqui.
Não quero
mais prorrogação
tudo que toco
se torna destruição,
não faz sentido,
esculpir essa ilusão.

Parte de mim
está no Rio Negro
vivo assim
pensativo...
Nada se torna
intuitivo,
são batalhas,
uma benevolência
perto dessa
violência
o príncipe,
é exaltado.

Ele regressa
e se entrega
em uma prorrogação
esperando um milagre
uma oração prega
o álcool que consome
te espera de manhã
até anoitecer
esperança de um amanhã
ver o dia clarear
outro dia a nascer.
Ele nasce
mas sente
outro seu
morrer.

# Empreendedor.

Quando
Hoje acordei
Minha crença
Era apenas
Uma doce doença.
Me sinto
Como uma presa,
Um pequeno peixe
Em uma represa
De predadores.
Fui um
Empreendedor
Que investiu
Em ser um sonhador.
Mas desistiu...

Paguei o meu preço
Joguei tudo para o alto
- Eu mereço!
Apesar do meu grande assalto.
Não pude roubar
A sua infelicidade.
Fracassei!
É verdade,
Sou fraco demais.
Preciso
De um pouco
De você;
De paz.

A sua voz
É gritante, escandalosa,
Mas me cai sempre tão doce
Sempre o seu timbre
Chocolate como fosse,
É a máscara saudosa,
É a hóstia
Da minha realidade.
É tudo que
Sonhei;
Luz que ilumina
Toda minha maquete
Você poderia me salvar,
Aproxima-se,
Aos seus pés
Quero me curvar.

# Corpo e Calabouço.

Hoje pensei ter acordado;
Pensei que estivesse dormindo;
Mas voltei a pensar,
Talvez na madrugada, tenho parado
De sentir o que necessitava.
E com as horas a passar
Senti palpitações
Dormência nos lábios.
E na pior das situações
Quando eu pensei
Que estava acordado
Estava em óbito
Havia um cadeado
Trancando minha voz
Não podia mais
Falar de nós.
Um calabouço
Infeliz.
Meu corpo é
uma senzala.
O que
fiz?

# Luta Livre (Pt. 9)

Era típico de Erick ouvir vozes, ainda mais de Dianna. Mas dessa vez a voz estava falha demais, ele parecia confuso, ela parecia sem voz. No seu sonho, Erick começou a correr atrás de Dianna, ela parecia um feixe de luz, indo para uma porta. Erick só percebia em suas mãos, o sinal de "vem" de Dianna, mas as palavras eram mudas; incompreendíveis. Ele vagarosamente caminhava em direção a Dianna, porém pensava muito em Mariah, talvez não quisesse abandoná-la, e quando ele ultrapassou a porta, ele foi reanimado pelos médicos de um hospital próximo a casa de Mariah.
Todos estavam assustados, não sabiam o que estava acontecendo, Erick acabara de ter uma parada cardíaca, ficou alguns instantes desacordado. Mariah estava as lágrimas, as crianças estavam na escola já, não presenciaram a cena. Já estava amanhecendo, as aulas começavam bem cedo, as normas escolares eram rígidas para as crianças.
Enquanto isso, Erick estava deitado sobre uma cama, com um lençol e um avental de paciente, passando por alguns exames, ainda um pouco confuso e desnorteado com tudo o que estava acontecendo. Parecia que Dianna, uma linda jovem de cabelos ruivos o chamava para uma morte envolvendo-o em seus braços, ela queria mesmo que Erick ficasse com ela, a ideia lhe passou vagarosamente muito boa na sua cabeça. Contudo, ele se recusava a entender a distancia entre o céu e a terra, talvez ele precisava mesmo de um contato físico e menos espiritual. E naquela mesma noite, já de alta, continua a receber os cuidados de Mariah, ela realmente se mostrava muito cuidadosa e atenciosa, talvez ela amasse mesmo Erick, mas tivesse medo de não ser correspondida. E as horas foram passando, ela havia preparado uma sopa de legumes, e ciclicamente movimentava a colher para a sopa, assoprava a sopa, e dava na boca de Erick. Ele estava com um pouco molenga, os médicos disseram que podia ser normal, já que lhe fora extraído uma quantidade de sangue para exames e até que lhe fosse dado um diagnóstico, que comesse bastante proteínas para fortalecê-lo.
Erick então tenta se explicar:
- Eu... Estava... Bom... De alguma forma... - Sua boca estava seca, talvez a sopa estivesse com um pouco a mais de sal. - É que... Ela me chamava...
- Ela quem? Perguntou Mariah amedrontada.
- D-I-A-N-N-A
- Mas o que ela dizia? O que ela queria?
- Ela... Queria a mim.
Sei o que é sentir a dor persuadindo sobre minhas pálpebras.