# Homem do Tempo.

O homem brinca,
Brinca com o tempo
Não o faz de passatempo
Mas sim
um contratempo
Viril,
Não enxerga os passos
dos ponteiros,
faz-se de cego
alimenta seu próprio ego
e se destrói
com seus próprios morteiros.
Enquanto isso
és feliz,
Numa escala ilusória
procurando seu grande amor
E o tempo
que sempre te amou
leva consigo o rancor
de um homem,
com seu relógio de pulso.

# Duto de ventilação.

Um minuto
de silêncio
Eu providencio
à mim mesmo.
Talvez esse
um minuto
seja quem sabe
um mero duto
de ventilação
oculto
em minha mente.

Se és
remédio
procuro em ti
a minha cura
Hipocondria
que se torna obscura.
Minha perfeita
criação
é adoração,
Se hipocondríaco sou
doenças eu tentei curar
até chegar onde estou.

Meu duto
é extenso
um grande viaduto
e sem ele
sou planta sem adubo
sou luto
Sou palavras
sem sentido
e por mais que eu
tivesse te sentido
seria apenas
mais um carro repetido.

Já com seus olhos
minha doença se vai
caminha rua a fora
ela vai embora.
Não está na hora?
Seu café está na mesa,
E por ora
vou orar,
mesmo que a alegria
esteja acesa,
não tomo o remédio
que me cura
se minha criatura
quer que eu desapareça.

Eu sou um carro
no catarro
do escarro
Sou o duto
do silêncio
o fruto
de anos
sem colheita.
Sou antídoto
que não cura,
sou você
que não és segura.
Sou eu mesmo
que me criei
sem a sua ajuda.


# Somente Amar.

Sua mão
Tem leve textura;
És tão pura.
Ela me segura,
É segura.
Então,
Sua figura
É a mais linda
Criatura.

Você é
Meu novo embrião
Sem você
Não consigo viver
E se sobrevivesse
Tudo seria em vão.
Estar com você
É desacreditar em Platão
É tocar seu rosto
É ser o seu encosto
É te ter, pois então

Você
É a razão
Da minha emoção
É o fugir
Sem mera movimentação.
É o meu alto astral
É o fuso horário
É o sol, o luau
Amar você
É renovação
É a ação
É o novo amar
Sem qualquer
Explicação.

# Mundo Clichê.

Tenho escutado
Sua voz
Soando algo
Sobre nós.
Tornando-me
Meu próprio algoz.
– Venha!
Vamos ficar a sós...

Aproveitemos
Para brindar
Enquanto a lenha
Está a queimar.
Nosso amor
Só irá aumentar.
– Venha!
E me tenha.

Faça-me novo
Pois meu mundo
É você,
E se ele, és tu
Todo o resto
É clichê.
Nada me desvinculará
Pois não tenho
Para onde correr,
Como dizem,
Que não adianta se esconder,
Porque em seus braços,
Sempre me encontrará.

– Venha!
Pois a lenha
Está em seu olhar,
Não precisa se intimidar.
Caminharemos lado a lado
E desculpe-me
Por esse meu
Jeito calado,
Posso até estar errado,
Mas é você,
Invadindo minha cabeça
Impedindo
Que eu te esqueça.

– Venha!
Aqueça
E retenha,
O que há de melhor.
Faça-me puro suor.
Sem você
Sou apenas
Uma doce resenha.
Sem você
Estou cada vez pior.


# Cachaça e Poesia.

Eu tenho dor
Tenho minhas angústias
minhas mágoas,
mas um copo de cachaça,
faz com que as águas
as levem embora.
O vento
balança meu interior
junto ao cabelo
grisalho de um senhor
a névoa de um dia frio
como condensado vapor
que sai de meus pulmões,
é tudo novo
e tudo igual,
são apenas situações
que vamos um dia passar.
Isso é natural.
Rezamos em nome
de quem?
Quem nos quer bem?

# TV.

Você sabe quem és?
Ou és um convés,
que ao invés,
de aprender,
fica ai
olhando através
da imagem que sempre
quis ser.
Sabe ser o que?
O que é ser para você?
Que está sempre a mercê
das propagandas
e da massa manipuladora da tv.
Assiste ao verossímil
da novela das nove
achando que pode
e o governo?
Que sempre te fod...
Isso não é
preciso que se prove...
Sua vida
que nunca sai da ida
calada e esquecida.
Que não faz sentido
Insensata.
É sempre sem sida,
reza para dar tudo bem,
reza à quem?
E seu prêmio
– Que que tem?
É sua alma
sem sangue
nem honra
nem os bateres de palma.

# Tatu Bola.

No barro
vejo um tatu,
Bola.
Vejo ele,
enquanto anda,
Enrola.
inofensivo,
fecho os olhos
tudo que vejo
é o barro
no tatu
bola.
Enquanto anda,
enrola.
Inofensivo
é o tatu bola.

# Conta Gotas.

Eu conto
O conta
Gotas gotejar
as gotas.
Salgadas;
Amargas.

Eu conto
contos
Em cantos
Tantos outros
Prantos

Eu leio
Creio
contando gotas
A me contar
Gotejando seu pranto
Estas, vem a me salvar.

E
u

C
o
n
t
o

G
o
t
a
s

Do rosto
Que vim
A derramar
Eu conto
Pranto
e seu pranto
é um encanto
Desejo
de plantar.

O pranto
planto
no entanto
não canto
pois cantar
é te ganhar

E

e
u

n
ã
o

g
a
n
h
e
i

a
i
n
d
a
.

# Samba

 Eu                procuro...
 Eu     Fujo
 escondo-me
 Eu     Sujo
 Sujo   estou         {TE OBSERVANDO! ADMIRANDO!}
 Eu...      O teu
 o era
 A     quimera
 melancolia                              
 Eu    corro                                !
 SOCORRO!                           O
 Eu    ando                                D
 s  m   a  d                               AN
   a   b  n   o                             NT
 tropeçando                             VA
 Eu                                          LE
     vou                              ME
           caindo           VOU
                      MAS

# Dente de Leão ~*

Costumo escutar O crepitar dos galhos quando derramaste seus cabelos ruivos sobre eles. Você se deita e o vento trás o seu perfume e me atrai uma doce paz. A luz do sol reflete no brilho, iluminai minha casa. Vermelho: seu crepitar recita belas palavras
e a brasa do olhar, me guia me motiva a caminhar. Ó fogo me queima como a brasa que voa no vento como fio de cabelo é eterno o momento. "Não pode ser paixão, que se vai como as penugens de um dente de leão"...

# Sete Palmos.

Minha mente,
grande tubo de ensaio
que armazenou
os mais variados
perfumes.
Sou o meliante,
e seu cheiro,
sempre muito
viciante.
Armazeno,
no tubo
as imagens,
as mesmas,
movimentam minha
grande engrenagem.
Estou programado,
para vasculhar
quaisquer pistas.
– Os vestígios
vou encontrar!
As bombas explodirão,
enquanto estiverem
em minha mão.
Vamos estar juntos,
pode ter certeza.
Até mesmo quando acabar,
essa mesma oração.
Vamos estar juntos,
e "os sete palmos
do chão",
será apenas
o nosso ritual
de união.

Desequilíbrio de uma mente.

Ele era só um garoto de 21 anos que se achava velho, porém não era como os outros garotos da sua idade, vivia se jogando pra longe de si mesmo, talvez por medo de encontrar o monstro que ele achava que existia dentro de sua mente conturbada por esperanças.
 Estava no auge da crise dos vinte e poucos anos, e não tinha muitas escolhas. Gostava de sempre ter novas experiências, porém não se permitia viver ou apenas estava com medo do que poderia acontecer.
 O fato é que ninguém é completo suficiente para completar a história ou escrever a história de outra pessoa...
 Ele achava que aquela adorável garota o completava, e quando ela foi embora ele se sentiu sem chão, porque ele achava que ela simplesmente o completava... Ele não sabia que o espaço que faltava poderia ser completo por outras coisas que não apenas ela, ele se esqueceu dos valores que a vida tem.
 Uma vez, quando ele mais precisava de um simples abraço, seu mundo desabou, e foi ai que ele caiu.
 Caiu no desgosto de desmerecer a si mesmo, caiu no entendimento dos seus próprios sentidos, caiu por inteiro na amargura que havia dentro de si mesmo. Ele apenas caiu. Só acordou quando a vida resolveu abrir seus olhos, mas ele já não era o mesmo garoto inocente de antes.
 Ele se levantou para mais um dia dentro do seu mundo " normal " de sempre, tomou uma cerveja de café da manha porque era a única coisa que o satisfazia no momento, ele sabia que apesar de isso ser um erro e provavelmente fazer mal, pensou consigo mesmo que um erro a mais não faria diferença.
 Ele tinha um jeito psicótico diferenciado de pensar, tanto é que tinha o costume de reparar nas pessoas, no modo como elas falavam, andavam e se pudesse até anteciparia seus pensamentos.
Era mais um garoto que as pessoas costumam chamar de louco, porém em todas as horas lúcido em meio a sua loucura.
 Confesso que em todas as nossas conversas ele sempre foi uma base de inspiração enorme, eu mesmo estando longe sempre senti sua respiração em poesia, o olhar oculto de suas palavras, enfim...
 Só sei que um dia ele se foi e levou consigo seus sonhos quis seguir os caminhos dos mesmos, retomou em mente tudo oque já havia feito as pessoas a sua volta e toda a sua breve história de vida. Ele então sobe até a sacada do prédio onde morava aquela adorável garota, da qual observara durante anos e anos em busca de uma explicação que o levasse até o resultado da pergunta: Porque ela me faz tão bem? E como se sentisse dono de largas asas brancas, caminha até o parapeito do prédio, fecha os olhos, e voa, suavemente, deixando sair de si todos os vestígios de um homem mal, toda maldade que um dia fizera a alguém. Voa em direção ao chão, para encontrar aquela adorável garota que matou enquanto procurava tocá-la com suas mãos envenenadas de ódio. Voa em direção ao chão, para encontrá-la no céu.

# Fechei Os Olhos!

Ando a beira
da loucura
A beira do abismo.
Ando em busca da cura.
Não sei se enlouqueço,
E se isso é realismo
Entro na maré
em mais um
mundo de ilusões.
Não sei
o que é ter fé,
Não sei mais
ter previsões.
Viver?
Sem ter coesão,
não sei ser mais aquilo
que era, antes de ter
cérebro e coração

Fecho os olhos
para não ver
outro dia a nascer
Concedo com prazer
um dia para você
poder perceber
os erros que cometi
e hoje assumi.
Quantas coisas perdi
e quantas outras coisas
eu não ganhei.
Era feliz e não saber
era o que me destruía
Eu era o amor da sua vida
e hoje, o pesadelo que a repudia
Fechar os olhos
de nada vai adiantar,
se enquanto não vejo as pessoas
vejo o mundo
vejo você!


# EnredoMedo

Faço parte deste enredo,
mais um simples jovem
que também sente medo.
Eu também sou assim,
Não adianta fugir,
nem mentir, enfim.
Eu sou medonho,
sou medroso.
Tenho um sonho,
que pode ser doloroso,
mas ei de conquistar.
Mas ei de ser vitorioso!

# Você!

Tão misteriosa,
sorri.
E é sempre
muito generosa.
Parece falar
em silêncio
E ouço ecoar
Suas vozes
na minha cabeça.
Você desaparece
tento te esquecer
mas você é forte
e reaparece
para que
não te esqueça.
Mesmo estando aqui
Ao meu lado
Saudade vai,
saudade vem
Você mora aqui
Porém,
longe de mim.
Sem te tocar
sinto seus braços
entrelaçando minhas costas.
O cheiro
do seu perfume
trafegando
minhas narinas,
seu gosto em meu paladar.
Seu jeito de andar.
Você não sai de mim,
e não adianta negar.

# Provas de 1 crime (Pt. 4)

A imagem de sua esposa se deitando lhe vinha na cabeça. Ela se deitando lentamente, apoiada pelo braço encostado em um dos travesseiros da cama. Ela se levantando devagar, ela sorrindo em câmera lenta, o som das risadas ecoavam dentro do quarto, e ela estava vestida a rigor para aquela noite. Uma camisola bem solta, com as costas nuas, vermelha sangue. Sua calcinha era vermelha também, havia um laço do lado direito e outro do lado esquerdo. Ela era linda, adorável.
Naquele tempo cuidava da parte administrativa da loja de departamentos, então era quase obrigado a se vestir bem. Pelo menos, servir de exemplo para aqueles que gostariam de sair daquele trabalho braçal e ocupar seu cargo. Seu sonho era ocupar a gerência da mesma, quem dera, um jovem de seus vinte e cinco anos ocupando a gerência de uma loja de departamentos com mais de vinte mil itens. Embora parecesse impossível um líder com essa idade, ele era sempre prendado e atencioso a tudo que acontecia por ali, um forte candidato.
Naquele dia o trabalho era mais puxado, havia chegado algumas mercadorias novas no departamento, algumas notas deviam ser dado baixa, ele sabia o que fazer, então, puxou sua cadeira de rodinhas, colocou a papelada sobre a mesa, e começou a mexer naquele computador empoeirado, aquele teclado duro que muitas vezes não dava o controle para que o caractere aparece na tela do computador. Sempre mais papeis apareciam sobre a mesa. Tratava de algumas dívidas da loja também, então ele sabia como estava a situação financeira da mesma, que aliás, estava em perfeito estado.
Começava a escurecer as seis horas, nesse tempo todo, Enrico já estava exausto daquele esforço. Prestar atenção nos numerais, aguentar o falatório do chefe ao seu ouvido pedindo agilidade. Ele não sabia a dificuldade que era usar um teclado daqueles. Não via a hora de subir de cargo, pelo menos não passaria por mais aqueles descasos, estava enfatizado.
Eram cinco horas e dez minutos, faltava pouco para ir para a casa. Se levantou, foi até a sacada, acendeu um cigarro e fechou os olhos, tragando com vontade para que aqueles minutos passassem mais rápido. Então, voltando a sua posição, terminou o seu trabalho, e chegou até a não se despedir do chefe, pegou sua bolsa, e foi embora dali.
Foi naquele dia então que pegou seu automóvel, o deixou na garagem, e como já era o esperado, caminhou até aquele bar. O mesmo bar desde quando começou a trabalhar. Porém, hoje ele precisava de uma coisa a mais, talvez uma dose a mais, talvez duas, talvez três doses. E foi assim mesmo que acontecera. As mesas do bar eram de madeira, uma tábua retangular envernizada, já haviam algumas marcas d'água dos copos sobre a mesa, então as garçonetes serviam os copos com um guardanapo sob eles, para evitar que acontecesse essas marcas indesejáveis. Os guardanapos que estavam sendo postos sob os copos de Enrico guardavam informações como o numero de telefone e nome das garçonetes. A cada pedido, um nome e numero diferente. Ele estava ficando bêbado, cansado, então, com todos aqueles guardanapos sobre a mesa, se levantou meio tonto, já havia deixado ali uma quantia razoável de dinheiro por causa das bebidas, então, tropeçando ainda mais em suas pernas, foi até em casa, mas não conseguiu fazer tanto silêncio. Estava exausto, então, não queria conversa com ninguém, foi até o banheiro, levantou as pressas a tanta do vaso sanitário e começou a vomitar. Se limpou e começou a ouvir uma bronca de Alisson, ela já sabia que bebia, mas nunca havia chegado a esse ponto. Ele estava esgotado, mas ela disposta a iniciar uma briga. Falava alto, dizia que assim não conseguiria continuar, começou então a chamá-lo de bêbado, alcoólatra, então, fez com que ele perdesse o pouco de paciência que lhe restava. Deu-lhe um tapa no rosto, e o olhou nos fundos dos seus olhos. Ele estava feroz, não suportara a ideia de que uma mulher o batesse, por mais que soubesse que estava errado, ele então devolveu o tapa. Sua mão era um pouco mais pesada, Alisson sentiu o tapa com mais peso, e para ela, aquilo havia sido a gota final.

# Provas de 1 crime (Pt. 3)

Ele então abre os olhos assustado, depois de acordar daquele sonho, mais uma vez ele leva a mão sobre a barriga de Alisson, e começa a cheirar seu cabelo. Um cheiro doce como cravo da índia, um creme que ela adorava passar sempre antes de dormir. Enrico beijava seu pescoço delicadamente, agradecendo por ela ainda estar ali.
— Onde está o meu whisky? Não encontro meu whisky — Procurava desesperadamente por sua garrafa de whisky doze anos.
As memorias vinham com o tempo, não conseguia deixá-las de lado...
O cheiro era fascinante, penetrava dentro da cabeça de Enrico, e não o deixava. Embora ele achasse que o sonho medonho que havia tido teria acabado, quanto mais ele cheirava aquele doce cabelo, as mãos começavam a acariciar ainda mais o corpo, e acariciando, acariciando, sentiu sua mão um pouco úmida, um cheiro de ferro, era sangue, e quando afastou a mão, Alisson pedia: — Não me deixe amor!
Acordou do sonho que havia sonhado em outro sonho, então mais aliviado, se levantou. Viu que sua esposa não estava deitada ao seu lado, estava preparando o café da manhã. Entrou em outro banho, estava soado, a noite o deixou nervoso, e só aquele banho poderia acalmá-lo.
Cada passo o fazia lembrar do sonho, alguns pedaços de madeira de seu quarto rangiam de verdade, e o corredor, era um pouco frio, mas não muito. Desceu as escadas segurando no corrimão, viu Adam correndo pela casa enquanto Alisson gritava da cozinha para ele parar. Sorridente então, abraçou a esposa por trás, encostou a cabeça em seu ombro esquerdo, e a beijou com certa voracidade, vontade, alivio por ela ainda estar ali. Ela até achou um pouco estranho, era raríssimas as vezes que ele estava de bom humor quando acordara. Então, disse a ela o que havia sonhado, se sentando em uma das cadeiras da mesa de quatro lugares da cozinha. Pegando o suco, que tomava pela manhã, disse que ele havia matado-a em sem sonho, e que aquilo tinha o assustado.
Ela achou estranho, disse para que cortasse o remédio, ou que pelo menos, tomasse meio comprimido, afinal, o médico disse que haveriam efeitos colaterais. Suspeitaram logo que esse fora um desses efeitos.
Pegou seu suéter vinho, terminou de tomar mais um copo de suco, e pegou seu automóvel para ir ao trabalho mais um dia. Não entendia o porque da vida ser assim, só queria que as coisas ficassem perfeitas, com ele, e com sua família.

# Provas de 1 crime. (Pt. 2)

Enrico costumava-se lembrar das tardes em que ia tomar um drink no bar em uma rua próxima a sua antiga residência. Sempre após o trabalho, era uma rotina bem cansativa, e ele sempre aproveitara a situação para se desligar um pouco do mundo do trabalho.
O dono do bar, Johnny, não ia muito com sua cara, mas já que lhe trazia dinheiro a presença de Enrico, bom, aproveitava a presença dele. Enquanto isso, as garçonetes dali gostavam dele, um homem de cabelos negros, alto, sempre com seu cigarro na boca queimando e derrubando as cinzas em um cinzeiro de prata que ficava sobre as mesas. Não entendia muito bem o porque dos olhares das garçonetes direcionados a ele, embora ele soubesse que era um cara bonito, ele sempre se mostrou fiel a sua amada esposa.
— Uma dose de whisky por favor... Mais uma dose de whisky por favor. — Era a frase proferida de Enrico quando seu dia fora mais puxado. Já que andava a pé, não se importara de ir trombando em alguns postes, ou de ir tropeçando nas próprias pernas. Chegava em casa, já era noite, tomava um banho, e enquanto todos dormiam, às vezes se sentava para assistir um pouco de televisão até que voltasse sua lucidez.
Seu filho já estava deitado, e depois de umas duas ou três escovadas de dente, o cheiro já havia deixado-lhe, e podia então, beijar carinhosamente a sua testa, dando-lhe benção. Se levantava, caminhava até a porta, desligava as luzes - já que Adam ainda tinha medo do escuro -, e encostava-a, dando ali uma leve olhada para saber se tudo estava em ordem.
Chegando em seu quarto, cautelosamente para não acordá-la e se põe a deitar devagar, abraçando-a e pensando na sorte que tinha de possuir uma ótima família. Lembrando-se do seu remédio para dormir, abre uma das gavetas de seu criado-mudo, pega sua cartela de comprimidos, destaca dali um, e toma com uma saborosa golada de água. Adormece.
O remédio era ótimo, mas o médico que lhe indicara disse que poderia haver alguns efeitos colaterais, e que ficariam menos frequentes a medida que ele já se acostumara com o remédio. Um desses efeitos era praticamente o desmaio de sua mente, que permanecera ali sempre inquieta, ao tomar o remédio, se acalmara, acalmando o corpo principalmente. E embora a mente parecesse estar calma, alguns pesadelos o atormentavam pela madrugada. Ele só não conseguira acordar.
E justamente um desses pesadelos lhe pareceria mais real agora. No sonho ele se levantava de sua cama, o chão de madeira rangia ao pisar, e cada passo, seu ouvido escutava o agudo do vento soprando contra a fresta da janela, porém, com seus decibéis multiplicados em mil, duas mil, três mil vezes mais altos. Ele corria para o corredor onde o piso era um pouco mais resistente, escorregadio, mas resistente. Lá fazia silêncio, muito silêncio, a ponto de tornar o suspense até mais delicado e sublime. Ele não conseguira acordar, sua mente e seu corpo estavam sob o efeito do sonífero do remédio.
E caminhava, caminhava dentre as escadarias de sua casa, até passar pela televisão da sala que estava ligada, porém com o chiado de uma televisão sem antena nenhuma, se lembrou da lenda de poltergeist e do que aquilo significava. Caminhava até a cozinha, apunhalava então uma faca com o cabo de madeira maciço, uma herança de seu pai que ficava guardado dentro de uma das portas do armário antigo. Subiu os mesmos degraus da escada, passou pelo silêncio do corredor, ouviu os rangidos do piso que lhe atormentavam, mas tudo lhe fora silenciado com a imagem de um lindo assassinato. Facadas na região do tórax e barriga, o sangue que ali jorrava em sua camisa branca a tornando vermelha. E ela, ainda não estando morta, sorrindo com o sangue que escorria da sua boca...


# Provas de 1 crime.

Era uma manhã fria de inverno., e mais um dia Enrico acendeu seu cigarro e pegou uma xícara quente de café e se pôs a pensar nos problemas pessoais. Até então, nunca havia sentido sua crise dos vinte e poucos anos, mas lá estava ele, pensando, e pensando e pensando.  Seu trabalho, sua família, sua casa, tudo sendo ameaçado de um suposto suborno policial.
Tudo começou a alguns meses atrás, quando ele dirigia seu veículo em uma estrada isolada da cidade. Ficava próxima a uma grande floresta, e era comum o caso de acidentes por causa de pequenos animais que atravessavam em frente aos carros. Os policiais da região então já conheciam a região, era famosa, saia em grandes noticiários da região, e muitas vezes rodavam até em cidades vizinhas.
Todos tomavam um certo cuidado ao passar por ai, mas para sua sorte, aquele foi apenas mais um dia comum no caminho que o levava de volta do trabalho para casa.
Ele morava em uma cabana aconchegante, com uma grande lareira que sempre era acessa as seis horas, separado a mais ou menos um ano e meio da sua esposa Alisson, e seu filho, ainda um pouco novo, Adam, que não sabia de quase nada.
Se sentava mais um dia, com seu cigarro sempre no bolso esquerdo da camisa, era companheiro inseparável e fruto de tantas e tantas inspirações com um copo de whisky envelhecido ao lado do cinzeiro. Lembrava dos romances policiais que sua ex esposa adorava ler. Agatha Christie era sua escritora favorita, e um dos romances favoritos dela se chamava Cem Gramas de Centeio. Um suspense muito intrigante, e Enrico sempre desejou ser um grande escritor, como Agatha. Ele trabalhava em uma loja de departamento, seu salario não era alto, mas dava para se virar.
Já Alisson, vivia na cidade grande, havia arrumado um padastro para Adam, seu nome era Bryan, e juntos viviam bem, não precisavam pedir nada a ninguém, e Adam tinha um ótimo contato com seu pai biológico. Todos viviam muito bem, entretanto, algumas brigas do casal Alisson e Bryan, surgiam a partir do ciumes que Bryan tinha da situação. Bryan era um quarentão, aposentado, e Alisson acordava cedo para levar Adam até a escola. Ela cuidava de outras crianças também, enquanto outras mães trabalhavam. Adam sentia muito medo dos trovões e relâmpagos que caiam lá fora, e muitas vezes ia devagar até o quarto de seus pais  para dormir com eles. Bryan não gostava muito, mas era o que ele fazia desde pequeno quando chovia horrores na sua antiga casa, com seu pai verdadeiro, já Alisson vivia pedindo paciência, dizia que aquilo iria acabar um dia, enquanto isso, paciência...

# Nó na garganta.

Havia ali acontecido o primeiro ato:
Era noite, o frio se tornava
quase um desacato.
Ninguém passara aos arredores
queria, ao menos um mero pão.
Mas meu desprezo, se tornara pacato.
Toda vizinhança
era preenchida pela manhã.
Com o som da esperança
vindo da gargalhada
de uma doce criança.
Era eu,
relembrando
quando amava uma mulher
e com ela, usara uma aliança.
Mas ela caminhava
Pulava e cantarolava
seus cabelos quebravam as expectativas
- Até me controlava
mas seu cheiro me aproximava,
eu me sentia tão seu
e seu perfume, me adormeceu

No segundo ato:
Sentia saudade
Isso era um grande fato.
Não podia esconder;
escolher o que sentir
afinal meu olfato
me fazia prosseguir.
Talvez o meu tato
sentisse você no vento.
Ficava ao relento
esperando
apenas um doce momento
de pegar-te nos braços
e como uso minha imaginação
por uns segundos, invento
você aqui comigo.
Você se vai
e eu ao chão.

E no ato final:
Sinto tudo desmoronar,
a criança estava perturbada
mas a criança era eu, afinal.
O choro era mortífero
e eu não conseguira parar.
Enquanto isso,
via-se a ossada
a se decompor
no ar rarefeito
a carniça
não me deixara pensar.
Ao chão
cinzas perturbadas
tudo era pó
e na memória
apenas
uma linda história.
Na garganta restara
uma palavra que formara
um grande nó.
Você estava linda
E eu estava só.

# III

I

As noites frias aproximavam-me do perigo, nunca fui o cara certo, mas naquela noite aonde as estrelas aparentemente se esconderam em alguma esquina longe do céu o perigo queria me tentar. Um universo de lembranças veio me visitar e realmente eu estava sofrendo ou me forçando a sofrer, as lembranças nunca voltam nos dias certos. Tragava o nosso passado em um Marlboro Vermelho e sentia a brisa daquela noite tocar a minha face. O frio realmente trás a saudade de uma maneira brusca. As tuas frases que mesmo eu sabendo que eram falsas me torturavam, provavelmente pelo fato que eu tinha decidido sofrer naquela ocasião. Torturavam-me ainda mais com o pensamento de que você poderia está deitada na cama ao lado dormindo enquanto eu admirava tuas belas curvas, mas não estava. Nunca. Eu me negava a acreditar que te tinha em minhas mãos, mas talvez essa sempre fora a minha mágica. Eu te dominava querida.

II

Examinei as ultimas conversas no celular e resolvi dormir quando meus pensamentos estavam tão longes que me focar em conversas banais ou no livro era totalmente fora de cogitação. Tinha acabado de assistir uma comédia romântica. – Daquelas que te faz odiar o universo com a força da alma e acabam com a sua esperança de um dia amar. Bufei de ódio, me cobri um tanto quanto inteira, mas deixei o celular ativado para tocar em caso de alguém falar comigo. Dormi, dormi como um bebê cansado e voei longe em meus sonhos sem sentido.

III

Eu estava totalmente apaixonada e as lembranças me alegravam de uma maneira anormal, os dias iam perfeitos apesar da saudade eu sabia que ele era meu e tuas juras afirmavam para meus sentimentos. O amor sempre retornava para mim e dessa vez eu jurei ser para sempre.

I

Retornei a escrever, as palavras não apagavam a minha dor, mas pelo menos eu sabia dentro de mim que a dor também retornaria para ela. Após chorar totalmente o meu passado em um lapso interno eu adormeci, ali mesmo, atirado entre os cigarros e o celular. Saberia que quando amanhecesse ela me despertaria. Ou não.

II

Não acordei durante toda a noite, mas quando peguei o celular que estava caído entre o cômodo acima da cama ele estava uma loucura. Meu passado retornava e eu que tentava ser forte há semanas desabei, como sempre desabo facilmente. Reli texto, revivi sentimentos e quis morrer antes de ter de engolir meu orgulho. No fundo eu sabia que o gosto doce do universo não duraria muito, que toda a dor retornaria e que ele não me esperaria todos os dias de sua vida como ele jurava em seus versos.
Eu não conseguia escrever desde que o ultimo adeus foi dito e por mais que ele não soubesse, eu o culpava por todo o meu bloqueio. Xingava-o em todos os dias que chorava por não sair nada que prestasse e eu bebia meu passado em longos goles de drinks que a determinadas alturas eu nem sentia mais o gosto.
Acordei-o e quando menos esperei já estava em teus braços de novo.

I

Batom vermelho, cabelo solto, calça dobrada, sapatilha e olhar cansado; Realmente não acreditei quando ouvi aquela voz um tanto quanto rouca me chamar. Abracei-a na intenção de beija-la, mas ela desviou.  – Sabia bem o motivo, mas acima disso eu a conhecia bem e sabia das tuas vontades.
Repeti todas as frases que me perturbaram na noite anterior no pé do ouvido dela quando ela já havia cedido á mim. Ela dizia que me amava, mas tinha um olhar preocupado e toda vez que teus lábios pronunciavam meu nome com uma voz de choro eu não sabia o que fazer porque ela nunca terminava a frase; Quando finalmente resolveu dizer o que acontecia, ela não conseguia completar, me disse que estava com medo e eu prometi que não havia o que temer quando se tratava de nós dois.
Ela segurou o choro quando eu brincando ou não disse que não era com ela que eu deveria ficar e essa era a realidade. Eu a amava, mas não conseguia tê-la, por mais que ela dissesse que fosse minha, havia um bloqueio maior que nos dois e havia outra pessoa na qual eu jurava meus dias e eu já não sabia o que fazer.
Ela implorou para que eu ficasse, abraçou-me e eu senti suas frases ecoarem caladas até meus lábios no nosso ultimo beijo antes da nova partida.

II

Eu nunca quis separar nenhum casal, sempre fui até mesmo uma defensora e sempre levei comigo uma frase “olhe primeiro o sentimento das pessoas a sua volta depois o seu” e por mais que gritassem comigo todos ao meu redor para que eu me libertasse dessa “bobagem” eu tinha isso como principio moral. A felicidade sempre retorna em algum novo amor então eu não quis lutar para separar ninguém, mas naquela tarde eu tinha feito tudo errado... Eu o amava, o amava de uma maneira que nunca tinha amado, sabia que ele me amava, mas havia outro amor no jogo e eu entrava numa relatividade. Talvez eu quisesse que ele tomasse a decisão por si só, sem que eu tivesse que pedir, mas ele ainda me relembrava os momentos anteriores e eu gritava comigo mesmo que tinha de parar com isso.
Adormeci. Porque afinal dormir é sempre a melhor opção na hora do erro. – E do medo.

“Você me fez sentir o gosto doce do universo e foi embora, novamente. E no fim eu só sou sua inspiração literária, ótima escolha. Guarda em tua mente uma lembrança, eu também guardarei. Me desculpa por ontem eu nunca tinha engolido meus princípios morais. E sim retorno a disposição das palavras. Talvez nunca mais, eu e você.”

I

- Amor, eu amo você, só você.

III

- Quero seu calor humano comigo, estou com frio. Eu amo você, você é tudo para mim.

II

A felicidade um dia volta a me visitar e no fim eu sempre espero pelo pior, por mais que a esperança tente gritar sua inocência dentro dos meus versos.


Carolina Bertozzi.

# Amor de Operário (Pt. 1)

E mais uma vez ele se levantava com sono da sua cama quente e confortável, atrasado para o trabalho mais um dia. E embora ele tivesse que se apressar, não fazia as coisas com tanta rapidez, acreditava sempre que a pressa era inimiga da perfeição, simplesmente ele passou a acreditar ainda mais, quando seu amor levou nove meses para nascer.
Desde pequeno sempre almejou ter boa vida, então deixou para trás toda mordomia e se entregou ao mundo. Desde os quatorze anos trabalhava, na mesma indústria, no mesmo cargo, com o mesmo salário. Sua mãe, uma mulher um pouco mais vulnerável, passava horas e horas limpando a casa dos vizinhos pela região para conseguir um pouco de dinheiro e colocar a comida na mesa. Já com dezesseis, ele estava crescido, tinha alguns amigos pela região, mas o contato era quase que impossível, uma vez que Marcos trabalhasse quase que 10h por dia. Ele gostava de ler contos um pouco mais clássicos do que os outros jovens, talvez ele não gostasse tanto das coisas mais "mastigadas", mas de verdade, ele tinha um grande dom, o de decifrar códigos imperceptíveis a olho nu.
A cada página de jornal que lhe era distribuído com algum entretenimento ele fazia música, poesia, contos. Imaginava aquelas lindas mulheres estampadas, contudo, sua mão pequena e suja, borrava aquelas páginas frágeis, precisava de algo a mais. Seu pão do dia a dia não era suficiente, ele queria crescer, investir em si próprio. Sua mãe sempre achou besteira, insistia que ele devia ficar onde estava, já que aquilo os alimentava, a vida simples era sinônimo de união e saúde.
Certo dia, lá estava ele, seguindo sua rotina mais um dia, quando um dos operários reparou que ele chegara atrasado, uns três minutos de diferença, e ele foi chamado até a sala do patrão, onde lá foi descontado o atraso. Não entendia como eram as leis que regiam o capitalismo, mas ele ainda procurava uma razão para não desistir, ele procurava um grande amor.
Havia uma menina, uma bela adolescente que morava a algumas casas da sua, de nome, Maria. Uma jovem morena, bonita. Seu sorriso era largo, sua voz soava como o ar que passa assoviando com rapidez em suas orelhas frias. Ele reparava em cada detalhe, até mesmo na fumaça quente que saia de sua garganta, de como os seus olhos prestavam atenção nos seus olhos, e de como as frases eram proferidas ao movimentar a língua e sua mandíbula, pra lá e pra cá. Ele realmente fixou-a em seu mural de expectativas e de desejos, até aqueles mais difíceis de ser alcançados, afinal, seu sonho era estar com ela, amá-la mais uma vez. Podendo tocá-la, abraçá-la.
Pensava sozinho: Beija-me, até secar-me toda saliva que umedece meus lábios, beija-me até calar todas as vozes que estão dentro de mim, beija-me, me dê um novo sentido, uma nova inspiração. E me faça dançar com suas sombras, me faça rir com as vozes tenebrosas que soam a noite dizendo que você é a mulher que eu sempre sonhei...

# Grite!

A vida
é uma amarga
luta.
Ainda mais
quando você
grita, mas ninguém
te escuta.
Você é assim
e lhe convém
que melhore
um dia
ei de achar alguém
que lhe implore
- Fique comigo!
Implantar,
a semelhança
que sentes por mim,
argumentar
uma esperança
contra esse nosso fim.


# O Que?


Não tenho tempo, a perder,
só tenho a mim,
Ganhar
receber, mais
Enfim, só,
Sei que amar,
é paz, tranquilidade
é bajulação
escutar, ficar,
Quieto? Maldita
Irracionalidade.
É,
É, ter
a consciência,
do mundo, você,
Desabar
você.
Seu criado, mudo,
vai crescer!

# Luta Livre (Pt. 14)

Erick então começara a pensar em uma escapatória, já que seu corpo queria viver. Seu estado estava melhorando, mas os médicos não entendiam o porque dele ainda não ter acordado.
Ao lado dos médicos estavam Mariah e John, apreensivos, rezando para que tudo desse certo. Uma vez que Mariah havia caído no consentimento de que Erick era o homem de sua vida, deu a sua vida como ninguém para cuidar de Erick. John apoiava a mãe em todas as decisões.
Enquanto isso, Erick em seu mundo paralelo, corria de seus medos e angústias, a fim de sobreviver e de deixar Dianna, sua amada, para trás. Ele avista uma cabana, do qual procura se esconder ainda mais do mundo inexistente que desabara lá fora.
O céu era um mistério, fora do parâmetro de universo ele era constituído de dor e vulgaridade. Os peixes estavam mortos dentro das represas, os veados estavam comendo os restos dissecados do paraíso. Dianna era um monstro, ou o amor da vida de Erick?
Ele fecha a porta, encosta no batente da mesma e respira fundo, com medo de que alguma coisa possa vir a entrar pela mesma, e ao olhar para dentro da casa, vê uma grande lareira acesa, um grande candelabro por ali também deixava o ambiente propício a novas tensões.
Ele então se vê puxado para dentro de um dos cômodos da casa, com o anseio de que tudo virasse um novo pesadelo se pôs a gritar, mas seu próprio grito, não podia escutar. Quando se libertou do que lhe parecia uma grande mão, tudo ficou bem silencioso, e ao seu redor, eram só espelhos de sua alma calma, ou conturbada. Ali parecia que Erick conhecia outro ser, um que ele não sabia que morava dentro de si mesmo. Uma pessoa perturbada pelas lembranças de Dianna, uma pessoa amável, uma pessoa odiada. Ele tentava caminhar por entre os espelhos, e algumas vezes ele via se quebrar ao olhar para trás o seu passado refletido em seus olhos. Era surpreendente, uma vez que Erick parecia estar renascido, as coisas fariam tanto sentido. Nada era capaz de acorrentar Erick mais uma vez, ele queria viver.
Foi quando ele avistou um grande portal, distante ainda, mas ali havia a chance de renascer, de ser Erick mais uma vez, um Erick mais Mariah, e menos Dianna. Afinal, lhe cairia bem viver, sua vida não tão mais pacata assim, teria a certeza de que Mariah agora seria a mulher de sua vida. Ele então caminha mais um pouco, os espelhos vão se quebrando rapidamente, o mundo lá fora era intergalático, os cometas passavam diante das janelas da cabana, porém os espelhos pareciam paredes a se fechar, pressionando Erick a ir mais rápido, com mais vontade.
Estava pronto Erick para viver? Seu corpo estava desidratado, os médicos já não sabiam mais o que fazer, e Erick não aparentava mais nenhum sinal de vida. John virou a mãe e disse:
- Mãe, o boneco sorriu! - Chorando desesperadamente, ouvindo o som do monitor cardíaco de Erick que não captava mais as frequências cardíacas.
- Filho, não se preocupe, ele está vivo agora. Dentro do boneco.
E foi assim que Erick partiu, com os cacos do passado caindo diante de si, perdendo a possibilidade de viver na morte, ou morrer na vida, escolheu por si próprio, morrer na morte, viver na vida. A madeira agora era sua casa, e jamais sairia das mãos de Mariah, sua verdadeira amante.

# Homem Bomba.

Estou preso
dentro da solidão
tudo que toco
se choca contra o chão
sou homem bomba
auto destruição
apenas uma memória
relatos de uma história
do qual não quero lembrar
tudo é uma farsa
que meus olhos
vieram a enxergar,
você esteve aqui
mas não quis me ajudar
suas palavras
voavam com o ar
beijava-me
sem o desejo
de me amar
e hoje
suas mãos
estão unidas a rezar
- Volta para mim?
(...) O fim,
é só o começo
de um novo fim.(...)

# Sono Mergulhado Na Água

Mergulho,
na mágoa,
e durmo
silenciado
pela água.
Sou entulho;
escória,
de uma história
sem sentido.
É memória,
de coisas boas,
que você... Ah você..
Havia prometido!
Blasfêmia,
achar estar contente
por mais que tivesse vivido
ou por seu amor
viver descontente,
quantos erros mais
eu teria cometido?


# Anelar & Aliança.


Você não sabe
quanto tempo esperei
para chegar
onde não sei
Quantas fronteiras
destruí
quantas portas
eu obstruí
Mas hoje
Estou aqui
E você não.
Pois sou
Mero embrião
Que ouve o som
desaba ao chão
ao imaginar
você segurando
minha mão...
Só eu aqui
Apago as marcas
que você deixou
sem razão
Cá estou eu
deixando o que restou
- Se é que restou
um pedaço do anelar direito
meu dedo e o seu dedo
juntos na mesma oração.

# Luta Livre (Pt. 13)


Ouviu dizer que nem sempre as coisas saiam do modo que queríamos, e que às vezes devíamos sacrificar boa parte das nossas energias para sustentar nossos sonhos, e Erick tentou levar esse pensamento a risca, até perceber que suas forças estavam se esgotando. Ele precisava de suprimentos, de sentimentos, de momentos. Ele precisava do calor de Mariah, um calor real, e que precisava reagir, lutar com o pouco do que restava de boas vibrações. Ele corria então para longe de Dianna, mesmo ela sem entender o que se passava. Corria desesperadamente, as lágrimas eram barbantes em seu rosto enquanto corria contra o vento. Seu cheiro ficou, Dianna também.
Mariah já não estava mais no hospital, estava em sua casa quando aconteceu. Os médicos assistentes chamaram sua atenção para o fato, Erick respondia positivamente a alguns testes que seu corpo era submetido. E por mais que o tempo corresse entre a vida e a morte, Erick procurava alguma explicação, sentia-se acorrentado dentro do seu mundo paralelo. Saudades de Dianna, saudades de viver.
O boneco estava lá, ileso, sobre a escrivaninha do lado da cama de Erick. Ele já estava empoeirado, fazia semanas -ou meses-, que Mariah não aparecia para lhe dar um pouco de atenção, afinal, quando se está nesse estado, quem quer apenas dizer, sabendo que a pessoa não expressará reações. Sabendo que a pessoa não verá você.
Mas quando o telefone tocou, a primeira coisa que Mariah pensou foi que ele havia acordado. Por mais que fosse parcialmente verdade a mentira que os médicos disseram, Mariah cheia de esperanças se preparou para visitá-lo. No caminho pensou no quanto devia suas desculpas a Erick, no quanto ela se disperçou quando ele mais precisou. Então, como outro barbante de água arejada, as lágrimas foram caindo com cada vez mais pressão pelo vento que fazia Mariah se prender ainda mais no chão. Gravidade? Força? Se tratava mais de percepções, Erick não havia acordado, mas os médicos a chamaram pessoalmente para conversar.
- Olha, sabemos que mentimos em relação ao Erick, mas precisamos que você saiba de uma coisa...
- Diga-me, não aguento mais esse sofrimento. Ele vai ficar bem? - Mariah dizia cautelosa cheia de duvidas.
- O estado de Erick tem melhorado, mas é justamente nesse estado em que precisamos de alguém para cuidar e conversar com ele. Por mais que todos achem que de nada adianta, isso ajuda em sua recuperação.
- Tudo bem, estarei aqui para vê-lo acordar.
Ao voltar para o quarto e ver Erick desacordado, Mariah repara no boneco em que o seu filho deixou. Ele estava pressionado pela mão direita de Erick que parecia não deixá-lo cair.
O boneco representado por Erick estava sendo protegido por ele mesmo, e assim, Erick não deixaria Erick cair. Seu eu exterior protegia seu eu interior.

# Sua Falta...

Sou a ata
pauta,
um pedaço de metal
que sente
sua falta.
A estaca
que finca 
matando o lobisomem
sou desprezo
saudade
e a desordem.
Sou confuso
sou decisivo
determinado
a ser intuitivo.

# Hoje o dia...

Hoje se vai
mais um dia
sem você.
Hoje se vai
a minha estrela guia.
Sem direção estou
 buscando uma solução,
procurando em que restou
alguma explicação.
Posso não encontrar
mas não vou
medir esforços
para estar ao seu lado.
Hoje o dia vai acordar
e ainda vou imaginar
como os dias
eram tão belos
com você
a me chamar.
Hoje o dia vai acordar,
você vai se levantar
e talvez pensar em mim.
Nossos planos
denominados importantes
vão ser esquecidos,
e eu vou tentar gritar
muitos não vão escutar,
mas minha voz
vai penetrar
e ultrapassar
a barreira do som.
Nas igrejas o sino,
ela vai badalar
ela vai perambular
até encontrar você.
Ela vai encontrar
Ela vai dizer
Que hoje o dia
vai acordar,
mas eu não.

# Luta Livre (Pt. 12)

Embora todos os indícios mostravam a loucura por Dianna, a cada noite, Erick pensava com um pouco menos de tesão em sua vida carnal. As coisas que ele via em seu paraíso unicelular eram muito mais intrigantes, misteriosas e emocionantes, gostosas de se decifrar, ainda mais por estar junto a Dianna.
Certa manhã, recebeu mais uma visita. a que viria a ser a ultima de Mariah. - Hoje as coisas serão diferentes - indagava Mariah. Em um de seus braços estava John, o filho mais novo, com um brinquedo em uma das mãos. Era um boneco de madeira sem vida. Quando viram o estado de Erick, em repouso, mas sem nenhum equipamento que perturbasse a visão do filho mais novo, Mariah se sentou com seu filho no colo e se pôs a contar uma historia.

"Certo dia, conheci um homem maravilhoso no meu trabalho, ele era espetacular. Eu o via de longe, seus olhos sedavam a minha voz e me mantivera em silencio. Embora ele não precisasse falar nada, era de se esperar que ele era sozinho. Seu jeito calmo sempre me transmitira paz, e sempre apreciei a inércia do nada. Muitas das vezes eu estive pensando o que poderia dar errado entre nós, podíamos ser tão felizes juntos. Mas outro eu afirmara que isso não passara de uma loucura, a medida que eu aumentasse a relevância dos meus pensamentos em Erick, mas eu mostrara a mim mesma que eu queria ele a mim. E mesmo não o tendo ainda, tentei me aproximar mais e mais, eu tinha medo de perde-lo sem ter-te.
E não dava pra imaginar como seria o meu mundo novo sem ele. Não conseguira imaginar sem ele, sem ele, bom, sem nada."

As lagrimas escorriam ciclicamente do rosto de Mariah, John abraçou forte a mãe, começou a chorar também, fechou os olhos e fez uma pequena prece a Erick, e prometeu de presente o boneco sem vida a ele caso acordasse.

" Querido Erick, eu estou aqui... - Erick na vida paralela sentiu um vento mais forte, uma palpitação foi sentida em sua mão - ... queria que você me escutasse, pois mamãe não para de pensar em você. Ela diz que a culpa é toda dela por não te amar o suficiente, que se ela fosse auto suficiente você amaria mais ela do que qualquer coisa no mundo - Os olhos de Erick foram ficando pesados, ele não sabia o que estava por vir - bom, eu espero que você esteja bem onde o senhor está, eu vou te deixar esse boneco, mas só será seu se o senhor acordar. Quanto mais rápido acordar, mais rápido ele será seu.

O boneco estava ali, representado por Erick desencarnado...

# Luta Livre (Pt. 11)

Erick se deitou e mais uma vez junto a Dianna, seu amor. Ele queria ser forte e combater todo mal em sua família. Se deitou, com a ausência de corpo, e presença de espírito.
Ele fechou os olhos, tudo ficou escuro. Por alguns instantes ele ficou assim, até que ele ouviu a voz de Dianna o chamando para passear. Um campo verde, árvores, pássaros e muita luz. Ela corria alegre, se afastava e vinha novamente em sua direção.
- Venha! Quero lhe mostrar uma coisa AMOR!
Erick sorriu, foi revolucionário vê-la novamente, ele se sentira mais forte daquele lado.
- Me espere! - Ele indagava.
Era uma corredeira, onde os peixes viviam em paz com o homem, onde todos respeitavam a natureza, uma paisagem natural, colorida.
Uma oportunidade de recomeço, Erick era a pessoa mais feliz do mundo. Quando ele se deitara na grama, olhava o céu, o vento forte em seu cabelo, ele sentia os raios do sol em seu olhar, ele sentia a presença do bem maior unipresente quando estava com Dianna. Ela o beija, ele sente-se beijado pelo anjo mais belo, em forma de uma explosão de risos, sorrisos, suspiros...
- Vamos amor, quero te mostrar uma coisa! Dianna dizia ansiosa.
Tudo era tão belo, harmonioso. Os veados passeavam pelo campo, corriam, comiam a grama. Erick deu à vida o que a vida lhe deu, o troco era a infelicidade de pessoas ao seu redor no outro plano espiritual. Ele sorria com Dianna desencarnada, ele ria da simplicidade, da falta do que fazer. Não se sentia preso dentro de seu corpo, ninguém se importara se andasse nu, ninguém se importara se gritasse o mais alto que pudesse, ele estaria pelado e gritando para seu novo mundo. Seu mundo era Dianna.
Seu álibi só foi quebrado quando sentiu fortes dores no ouvido, era um monitor cardíaco, ele observara o seu polegar fechando os olhos e sorrindo. Seu sorriso era controverso, ele estava vivo, preso dentro da vida e morte, e de vez em quando via vultos passando diante da paisagem. Era um paraíso particular, a Terra prometida.
Era fácil diagnosticar o problema desta vez, infelizmente Erick havia entrado em coma profundo, e todo mundo lhe davam boas vibrações. Mariah estava pensativa, mesmo estando todos os dias no hospital, preferiu não se relacionar com Erick, já que ela se achara o problema de tudo. Se sua mente se entrega ao amor de Dianna no plano desencarnado, porque insistira em amar Erick encarnado em uma vida preto e branca?

# Luta Livre (Pt. 10)

Enquanto Erick pensava no que podia acontecer com você, ele não excluía a ideia de que Mariah era a mulher da sua vida, e que ela estava ali presente no mundo carnal. Tudo parecia muito fora do normal, mas mesmo assim, Erick não pensava em outra coisa além daquele seu mal presságio. O seu renascimento, a sua parada cardíaca.
Na verdade, ele havia ficado durante cinco minutos ao lado de Dianna, sua ex namorada, o seu antigo amor. Esses cinco minutos resultaram na aproximação de dois mundos, o espiritual e o carnal, onde toda a sua família nova estava sendo construída. Ele estava realmente muito dividido, mesmo assim, Erick continuara a seguir a sua doce rotina de bom samaritano, e Mariah, um pouco mais atenta as reações emocionais de Erick agora enfatizava o fato de que ele não podia mais passar por todo aquele stress do trabalho. Não era atoa que Erick sofria certos preconceitos e casualmente zombavam de sua cara.
Por mais que todo o trabalho passasse através das mãos dele, e por mais que ele fosse um funcionário exemplar, Erick sempre era descriminado, e por isso, zombaram quando ele teve o primeiro desmaio quando foi tirado as pressas por Mariah próximo à maquina de café.
Embora ela estivesse de olhos abertos, Erick não se importara muito com a opinião dos outros, por dentro ele sabia que era o que ele queria. De um modo ou de outro, ele estaria nos braços do seu grande amor, encarnado ou desencarnado.
E naquele dia, Mariah já mais cansada, deixou um pedido em aberto para que Erick dormisse em sua casa. Erick, com um pouco mais de trabalho e disposição, recusou de primeira mão, mas não descartou a ideia. Levantou, cumprimentou Mariah e disse que ela não precisara esperar acordada, e que em torno da meia noite ele estaria em casa. Em sua casa.
Os papeis recheavam a mesa de Erick, e o relógio alertava-o de que ainda eram dez horas, e a sua cabeça falava mais alto, seu organismo pedia cafeína. Ele não se levantara para nada se não perdia a coragem de terminar de resolver aqueles relatórios. Então ele fixou a sua mente na mesa, ergueu as mangas, e se pôs a trabalhar como nunca havia trabalhado. Assim, uma a uma as folhas foram colocadas em uma pilha, organizada para dividir o que estava pronto e o que não estava. Quando ele terminou a ultima folha, ele não aguentou e pegou a escadaria para dar uma olhada da sacada do prédio. Ao chegar lá, se deparou com uma forte luz vinda do colchão de alvenaria do qual ele sempre se deitou. Parecia a mesma luz do qual o arrastava para a porta em seu sonho. Era Dianna em forma de anjo, o chamando para dormir novamente.

# Insanidade.

Uma nova perspectiva
um caminho diferente
traçar sorrisos
que vão além
da distância.
Dois paraísos;
seus braços...
Uma boa importância
é o valor da sua felicidade.
Perder a sanidade
é caminhar até você
- Sua pele morena
só a torna mais
serena!
E quanto mais me afasto,
mais me desgasto
você é espinho
que me faz rir.
Parece insano?
Para ter você
abriria o oceano
Para ter você
Veria paz
na guerra.
Amaria você
Até abaixo
da Terra.


# Fora de alcance.

Sentimentos...
Não valem a distância
O tempo,
É irrelevância,
E meu sonho é você.
Meu medo
É perder essa importância
Na atmosfera 
Do seu sorriso,
Encontro a confiança
Escutando seu riso
Me vejo bobo igual 
A uma criança,
Nos abraços
Que protegem,
Da ignorância
- Meu Eu é uma criança!
Seus braços;
lares e berços
São a proteção
Que me faltava.
Agora,
Nada posso fazer
Se nos meus sonhos
Você estava junto a mim,
E pessoalmente,
Jamais te alcançava.
Sei o que é sentir a dor persuadindo sobre minhas pálpebras.