# Conselhos do Silêncio.

Porque eu sei que gosto de viver amedrontado, sem coragem para olhar o mundo ao redor e para aceitar algumas coisas. Sei que as coisas acontecem, não vou deixar meu cérebro cair sobre meu pé, vou continuar, vou fazer que tudo comece a dar certo. Caminhar sem pensar pra onde ir, poder viver livremente, e jogar tudo para o alto. Rir das coisas alheias que já aconteceram, fazer piadas com as coisas inusitadas que eu enxerguei. Poder gritar, poder chamar, poder chorar por todas as pessoas que eu sempre quis ao meu lado, e que hoje, talvez o problema não seja elas, e sim eu mesmo. Demorou um pouco para enxergar também que o mundo é injusto sim, e que o silêncio pode ser saboreado e degustado, deve ser disso que eu esteja precisando.

# Perfeição Imperfeita.

E eu que sempre inexplicavelmente,
me achei tão perfeito.
Hoje não sei qual é a razão de tudo isso,
por ter prosseguido com meu brilhante feito.
Tento não me machucar,
mas tenho o dom de opinar pelo mais difícil,
quando cheiro ou quando bebo,
o suor que escorre do rosto, tão igual as lágrimas sofridas,
tão imenso quanto esse edifício.
E caio, enquanto penso.
Fico atento as suas reviravoltas,
e para minhas recaídas.

# Memória Fotográfica.

Onde está o crédito que deveria ter,
depois de tudo que aconteceu.
Hoje estou aqui para mostrar,
que já sabia que o início começa no fim.
E assim, solto-me na atmosfera,
e começo a escutar os dedos
que tocam as notas do piano.
Revejo as fotos guardadas,
no interior da minha mente.
- Memória fotográfica.
Simplesmente coisas que não vão,
nunca mais fugir de mim,
até a nossa história começar.
E me levantar do chão.

# A felicidade depende de mim.

Acordava mais um dia ao seu lado, tudo dependia do dia anterior, nossos momentos, nossa dúvidas, nosso carinho um pelo outro. Íamos tranqüilamente até nossos trabalhos, costumávamos ir juntos, me sentava do lado do motorista, e apreciava você a se maquiar de fronte ao espelho do carro. Sempre tão linda, uma coisa que eu tinha muito medo de perder, e na verdade, tudo aconteceu tão de repente que até hoje tenho medo, mesmo não te tendo, de te perder; de perder você de vista.
Se amávamos tanto que esse amor ainda não terminou, nada foi por falta de amor, na verdade, por falta de compreensão. Éramos muito jovens para pensar no nosso futuro, eu que sempre quis te dar de tudo do melhor, e você me presenteando com seus sorrisos lindos. Com sua vontade de ser algo a mais do que já éramos. Hoje tudo mudou.
Hoje estamos separados. Uma coisa que pra nós, era destrutiva, mas que infelizmente aconteceu, e é mais um dia que me pego sem ter você aqui. Quando me levantei, vi que não estavas aqui. Me escondi em baixo de meus cobertores, o maior protetor do meu medo. Os papeis, o que eu sempre escrevi para ti, indo por água a baixo. Menos a esperança; meu desejo.
Sofremos com tudo o que aconteceu? Estamos conseguindo realmente viver?
Algumas palavras que ficam na mente, de você me perguntando se o verde era melhor do que o amarelo, se você estava bonita, ou se você estava com vergonha deitada sobre meu ombro esquerdo. Melhores lábios ressecados que já tive a oportunidade de beijar. E oportunidade é difícil de aparecer novamente.
Separados pelo destino, mas unidos novamente por ele. Uma coincidência?
Mas a verdade é que hoje estamos felizes -eu acho-, com outras pessoas, uma pessoa maravilhosa apareceu na minha vida. Espero que a pessoa que tenha aparecido na sua também tenha sido tão boa quanto eu. Tenho medo de alguém te machucar, pois sei que a minha dor depende de sua felicidade. Por isso que sou um masoquista.
A música que chorávamos juntos, que trazia lembrança hoje toca para outros casais como nós, que também se amam ou se amaram. Nada pessoal, nada rancoroso, nada devastador, mas ainda sinto algo por você. E essas pessoas estão aqui para isso, para fazermos sofrer menos, e por isso, estou um pouco mais feliz, vivendo uma vida de casado, com uma esposa pra me acordar sempre que for necessário, e você com um namorado que te faz feliz, que está sempre dormindo na mesma cama que você. Aquele que te toca, aquele que te beija. A mesma coisa acontece comigo, só vivo com essa outra pessoa comigo aqui, na casa da mesma.
O nome da pessoa que tem me feito feliz é Lúcia, e estamos juntos aproximadamente desde quando paramos de se falar, paramos de se ver... Eu amo muitas pessoas, eu gosto de muitas pessoas, mas felizmente, uma delas parece me compreender um pouco, me dar um pouco de carinho quando preciso.
Garanto que vamos ficar melhor a cada dia que passar, e se um dia eu acordar com mais medo, quero tudo o que eu não posso ter.

# Opostos que se atraem.

Queria o magistério,
um prêmio de consolação,
minha queda tem sido tão longa,
que sinto que não vou chegar ao final.
Mas talvez, a sorte não dependa disso,
talvez sejamos nós mesmos em busca,
da vontade de acordar ao lado de quem se quer.
Mas nem tudo que queremos,
significa o melhor para nós,
ou talvez o melhor naquele momento.
Já sofremos, já fizemos de tudo,
menos uma coisa,
nós não nos fizemos iguais.
e talvez por isso esteja sendo assim,
tantos opostos se atraindo.

~ Uma mente brilhante.

O pesadelo final da esquizofrenia,
não é pensar nas coisas que aconteceram,
nem saber se foram boas ou más,
se as pessoas eram bondosas ou não.
E sim, saber que tudo o que aconteceu,
não aconteceu.

# Sopro do vento.

A noite é sempre tão tenebrosa,
a névoa que chega devagar,
o céu vestido de azul marinho.
A minha intuição vem a vagar,
rapidamente atrás de mim,
é assim que começo a correr,
procurando me esconder.
Talvez desisto. Sim!
Afinal é isso que queres,
é o lado fraco da carne.

Sinto muito
em dizer meus pêsames,
é o que queremos.
Há sempre caminhos sem ênfase?
E meu gênero maníaco,
que mostra apenas a incompatibilidade,
do meu signo do zodíaco,
tem iluminado meu caminho,
pra não seguir ao redor de pessoas,
mas mesmo assim sozinho.
Isso tudo é a saudade de risadas boas,
e de tudo aquilo que deixamos para trás.

# Só.

Me sinto só,
como o pássaro que plana sozinho,
é algo tão estranho que acontece,
quando não acho meu caminho.
Alguma coisa me distrai,
e sou atingido no peito.
Quando caiu,
sinto uma mão para me amparar,
então deixo-me cair.
E nesse cair vejo,
o valor, arrecadado perdido,
como um mar de miséria,
pelo que no meu peito tenho sentido.

# Brilhante.

Algumas vezes que me pego só,
sinto vontade de me abraçar.
É simples meu gesto de indignação,
algo que só de pensar,
já faz arder a imaginação.
E assim, toco a tristeza,
como uma orquestra,
faz seu melhor espetáculo. Uma beleza.
Mas sinto um ar de agrado,
no decorrer da minha história.
discórdia, é como dançar sem acompanhante,
sem ninguém para deitar nos seus braços.
Contudo, há sempre a primeira vez,
quem sabe concomitantemente um olhar,
saberá mostrar meu novo caminho. Brilhante..

# Garganta.

Garganta sadia,
que gritai sempre seus horrores,
expulsai de mim todo resto,
de meus temores.
E comecem a temer a mim,
como o santo pecador,
teme pelo seu fim.
Que rezai em silêncio,
buscando a paz interior,
entregai-me por suas mãos,
a pessoa que me faz tão superior.
Iluminai o túnel,
que me guia.

# Prazer

Alguém, por favor
não me esquente,
deixe-me doente.
Preciso sentir minha dor.
Preciso apenas,
de uma asa com penas.
que se nada fosse.
Dor que vem como foice.
arrancai-me de meu corpo,
os membros falantes e expressivos,
como de mim, um ser morto,
todos meus sentimentos depressivos.
Queria sentir na pele o que é perder,
perder o prazer por viver...

# Mente Criminosa.

Hoje fui acusado,
por ter uma alma criminosa,
tenho sido usado,
como distração para mais essa dor ansiosa.
Sou o principal suspeito,
como meu santo veredicto,
o réu que não me entende.
- Bem é isso que tenho dito!
A perpétua que não passa de uma prisão,
uma vida já significa trancar sua liberdade.
Não há como viver, se você não sente paixão,
sem prazer pelo seu ser de verdade.

Hoje o que restou do sofrimento,
foi a asa quebrada e irrevogável,
que não pede para voltar atrás, voar com o vento,
e buscar mais uma dor implacável.
O cloro que limpastes meu intestino,
desce como dejetos de puro furto,
mas ao final da história,
infelizmente mais uma memória,
tem sido meu destino.
Até o momento longo mas curto.
    

# Cocaína.

Doce mágoa doce,
que bom seria se não fosse,
a dor que estremece.

E que entorpece,
feito efeito nostálgia.
Cocaína, que ascende a boléia.

É como magia,
que ilude o real,
e que me fantasia.

# Fato.

Você sabe solidão,
algumas coisas consigo esquecer.
Da ferradura enferrujada trazendo sorte,
ou você, no pôr do sol, próximo ao anoitecer.
Mas simplesmente poucas coisas vem a me agradar,
há muita saudade de tempos fartos de fartura.
Hoje vivo apreciando a beleza da tristeza
que arranca meu sorriso feito tortura.
- Que males vem a me atingir?
Só queria ser um jovem simples. Mas sou meu desacato.
Solidão, para mim você tem nome próprio,
que tatuagem nenhuma é capaz de cobrir.
E pra que mentir? Não escondo esse fato.

# Hipotermia

Aplauda! A orquestra,
que toca em seu funeral,
sei que estás aqui
então faça-me um sinal.

Apenas um ruído,
um som de esquizofrenia
sei que estás aqui
mesmo depois que o abraço que te neguei
matou-te de hipotermia.
Sei o que é sentir a dor persuadindo sobre minhas pálpebras.