# Lembrando de lembranças...


Me recordo de quando eu reparava a satisfação nos seus olhos, de quando eu sentia seu cheiro e seu corpo pesando sobre o meu. Me lembro também de quando andávamos de mãos dadas, não nos importávamos com o que os outros iriam dizer, e se bem me lembro também, das vezes que eu pude olhar nos seus olhos e ver que você dizia a verdade. Aquilo nunca eu vou esquecer. Nem das vezes em que você se deixou levar por coisas banais, de quando você deixou escutar o que os outros disseram. Me lembro que perdoaria inúmeras vezes os seus erros, que eu estava disposto a abrir mares para tê-la em meus braços, e que não importava se o mundo desabaria na minha cabeça, só me importava com você, com sua felicidade, com meu modo simples de ser.
Sempre me recordo das coisas boas que aconteceram, das mágoas não mais, isso não devo guardar dentro de mim, eu sempre fui forte a ponto de pensar que conseguiria sobreviver, a ponto de ver que eu poderia traçar um rumo na minha vida. Infelizmente percebo que as coisas não eram como eu imaginava, infelizmente não sou nada sem você. E se não bastasse isso, tenho que me martirizar todos os dias quando acordo e relembro do sonho que tive ao seu lado. De quando eu pude fazer um cafuné carinhoso em você, de quando você deitava em meu peito. Hoje eu sou um mero pedaço de metal que é arrastado a você, imã. Sou fruto da união entre dor e sabedoria. Sou fraco sem você.

# Luta Livre (Pt. 2)

Quando se levantou naquela terça feira, as coisas pareciam um pouco melhores. Era natal, alguns vizinhos o cumprimentavam, mas ainda sim, ele não se sentia confortável o suficiente para dar um sorriso, mesmo que fosse singelo. Ao voltar-se para a rua, ao olhar o trânsito vazio, as pessoas comemorando aquela data especial, Erick fingia não sentir saudades do tempo em que sua família estava presente, e de quando ele corria ao badalar da meia noite para dar um feliz natal e dar um pedaço do chocolate que todo ano ele ganhava de seus avós, para Dianna.
Pensava consigo mesmo o porque de tudo acabar, e assim, continuava caminhando, traçando um propósito. Contudo, suas lembranças eram muito claras, isso o abalava muito, se sentia totalmente destrutivo e fraco. Ao chegar no Grand Palace, se percebeu estar sozinho, havia ali apenas a faxineira do escritório e um recado sobre sua mesa que dizia: - Erick, dentro de sua gaveta há um presentinho, apenas uma lembrança para que você não passe em branco esse natal... Todos do Grand Palace desejaram isso a ele, já que ele era o mais dedicado da equipe, e conforme ele foi organizando seu trabalho, ao fundo do escritório ele reparava uma lampada falhando. Ele então, por se incomodar com coisas imperfeitas, se levanta e vai tentar resolver esse pequeno problema. Remexe em sua mochila, retira alguns outros papeis não importantes, e segura uma lanterna com pilhas também fracas, se levanta e sai em disparada para consertar aquela lampada.
E embora parecesse um trabalho simples, ele sentia um certo medo do escuro, algo que não te trazia confiança, mas ele se atentou em andar rápido. A lampada estava um pouco distante ainda, foi quando a sua lanterna o abandonou, sua coluna se arrepiou toda, ele estava no meio do caminho, grudou na parede, e caminhou devagar até a lampada. Porém. Ela se apagara.
Erick estava com medo, se esfregou na parede até sentar-se e levar as mãos a cabeça e a cabeça entre os joelhos. Seus olhos eram muito curiosos, ele procurava sempre abri-los para ver se não estava sonhando. Abriu a primeira vez e nada aconteceu, na segunda vez, nada aconteceu, na terceira vez, viu sua amada Dianna ao seu lado, deitando a cabeça em seu ombro. Começou a imaginar o pesadelo, e viu todo o resto desmoronando ao seu redor, porém, Dianna continuava ali, firme e forte dizendo que não o abandonaria. Ele emocionado se deu ao luxo de segurar a mão de Dianna, fechou os olhos novamente e sentiu seu corpo despencando bruscamente.
- Abra os olhos Erick, veja! Dizia Dianna pausadamente. - O céu está lindo querido.
A imagem de seu corpo rompendo as nuvens, dos pássaros voltavam a tona, e lá estava Dianna em mais um dia, maravilhosa, elegante, cabelo contra o vento. Ele estava feliz, e a medida em que se aproximara do chão, ele foi vendo Dianna se despedindo dele, se aproximando para lhe beijar. Ao chegar próxima, o impacto é inevitável, e ele se choca antes mesmo de beijá-la.
Aquele foi seu presente de natal de 1990...

# Luta Livre. (Pt. 1)

E ele acordara pela manhã naquela fria segunda feira. Tudo amanhecera diferente, as coisas lhe pareciam descoloridas; desbotadas. Os pássaros estavam caídos ciscando o resto dos farelos dos pães que uma senhora havia deixado cair por ali. E lá estava ele novamente caminhando pela mesma rotina, buscando implacavelmente o sucesso particular e sustentável.
Era véspera de natal de 1990, e Erick morava sozinho em uma cidade pequena de Nova York, o seu trabalho exigia muita atenção, determinação, e ele sempre soube como fazê-lo exatamente, sempre foi um cidadão americano comum que pagava em dia suas contas, seus impostos, tinha alguns problemas com cigarros, mas nada que passasse dos limites. Sentava-se a sua mesa do 5º andar do edifício nova iorkino, Grand Palace. Lá havia um grande prédio de doze andares, uma linda vista da cidade, daquela vida pacata que Erick vivia. Erick sempre muito prevalente, saia sempre que suas coisas já estavam perfeitas, fazia mais de duas horas extras para todo trabalho ficar concluído. E para relaxar, comprava um café em uma maquina velha de dentro do prédio, e subia até o ultimo andar para falar sozinho, ver os carros passando, as nuvens se despedindo do céu e a lua dando oi para a cidade. Ele sentava no parapeito do prédio, e agradecia vagarosamente por mais aquele dia de trabalho. Abria sua mochila e tirava alguns papeis que não eram tão importantes, os esticava ao chão, e se deitava até que a hora apertava, e ele precisara voltar a sua casa.
A distancia não importara muito, ele era muito rígido, gostava de caminhar, de olhar como os carros paravam diante do transito e como ele caminhava mais rápido do que aquelas maquinas.
Ao chegar em casa, caminhava lentamente e já bem cansado até o banheiro, ligava a torneira e colocava um pouco de água para esquentar no seu pequeno fogão. Ele então devagar, sentia o cheiro úmido da água da torneira de seu banheiro, e ouvia o borbulhar da água que estava a esquentar.
E sempre que esse ritual acontecera, Erick lembrava do tempo em que era criança, quando não precisava assumir certas responsabilidades, quando as coisas eram simples. Quando ele era amado por seus pais, seus falecidos irmãos. Tudo lhe trouxera lembranças daquele horrível acidente, quando seus pais chocaram o carro em um poste ao longo da rodovia, quase todos morreram, menos Erick...
Contudo, Erick imaginara o porque de não ter morrido, porque só ele restou daquele horrível e trágico acidente, o porque das coisas terem acabado daquele jeito.
E conforme os pensamentos eram retrocedidos em sua mente, Erick repulsava outras lembranças enquanto emergia sua cabeça na água. - Ah! Que saudade daquela moça... Retrucava sempre em silencio consigo mesmo. Quando se levantava da banheira, suas pernas estavam amolecidas, suas pálpebras cansadas, ele vestia suas vestes, e se deita novamente.

# Medrosa....

Realmente
devo estar cansado.
Ficando velho,
e minha mente,
enfraquecida.
Ontem já é
apenas um passado,
e vejo
o quanto estava errado.
Pensei
que fosse tudo;
contudo,
Revisei,
nada vai se chocar,
contra mim.
Se você
quer ser medrosa,
que seja assim.

# Tempo Maluco.

Esse tempo
Maluco,
me deixa bem.
Se existir
um contratempo,
espero que fique também.
Vamos sorrir?
Se do contrario,
me prometa também sorrir.
Eu quero ficar bem
Isso é necessário
Eu e você feliz
Eu ou você feliz
Nem que só eu
Lembre de tudo que fiz.


# Fertilizante De Nós.

Vou fazer valer
realmente reinventar
quero me tornar seu
aumentar; somar
o que sinto por você.
Nessa equação
estou aqui para
me arriscar.
De nada vale viver,
sem ao menos tentar,
dar uma chance a nós;
acreditar; aproveitar.
Sorrir, sonhar
fazer alguns planos,
eu feliz,
você feliz,
não se importar
com o que os outros vão pensar.
Vamos apenas viver?
- Ao seu lado quero ficar...
Eu te amo,
isso ninguém vai mudar!

# O Risco Vale a Pena?

Você é minha artéria,
onde correm esses malditos
 glóbulos vermelhos e brancos
Com você ao meu lado existiu a antimatéria
 e agora vivemos aos trancos e barrancos.

 Não entendo o porque
 disso tudo ocorrer
 - Procuro ser o mais perfeito
 Porém algo não estou vendo
 antes de eu tentar correr
 para me esconder

 Será que tudo isso
 tudo mesmo
 me faz lembrar aquela cena
 ou será um jogo
 o risco a ser tomado
 vai realmente valer a pena?
Sei o que é sentir a dor persuadindo sobre minhas pálpebras.