Me recordo bem
Daquela sua calça cós alto
De cor azul marinho
Sobre a regata meio amarronzada
Que me tirava do caminho
Do seu cabelo curto
Da sua nuca arrepiada
Deitados sobre a cama
Sob o cobertor
Em uma bela madrugada
Lembro da sua mania
Da sua simpatia
Do seu sorriso acentuado
Do seu gemido baixo
Já como uma nostalgia
Lembro da sua mão escorrendo
Entre meus cabelos;
Meus lábios
Lembro de suas cartas
No pé do ouvido
Sem seus selos
Dos seus seios
Da sua bunda
Vivemos quase sempre
Sem preceitos
Tão alheios
Vivemos sempre
Com vontade
Com desejo
A flor da pele e da carne
Flor com prazer de ser percevejo
E sempre que te vejo
Mão na nuca
Como nunca
Um beijo
Estar dentro de ti
Sou percevejo
Sou teu homem
E teu desejo
Teu escravo
Teu senhor
Sou seu cravo
E você és
Meu maior penhor