# Cata Vento.

Sou
Um
Cata Vento
Tão comum
Quanto
Esse momento
Sou
Invólucro
Perante
Ao movimento
Quase
Irradiante

Sou lucro
Tributação
A voar
Com toda
Tripulação
No mar
Da população
Sou inundação
Sou o vento
Do pulmão
Ares
Para vós
Inspiração

Sou
Quase
Tudo
Um ser
A crase
Do a
Acento circunflexo
Do seu você
Sem
Merecer.
Evolução
Do natural
Ao
Complexo
Tão comum
Quanto sexo
A perecer.

Sou
Cata
Sucata
Nas ruas
Cato aqui
Cato ali
Sou
Hélice
A girar
Plumas
Do chapéu
Do rei
Se és céu
Não
Não sei.

Sou
Cata
Vento
A girar
O mundo
Em torno
De mim.

# A Ostra E O Réu

Nesse mar
Mergulhei
Fui buscar amor
Fui buscar sua voz
Agora não pude encontrar
Vestígios de nós...

Como num tribunal
Fui indiciado; fui réu
O Juiz meritíssimo
Foi o céu
E não sou mais nada afinal...

No fundo dele
Raptei
As mais belas ostras,
Suas pérolas
Eram brilhantes como você
Mas a encontrei
Como encontrei as outras.

Sua pérola
Perdeu o brilho
Virou ladrilho
E eu o culpado
Por pressionar o gatilho
Contra minha têmpora direita
Esse som:
– Bang! Bang!
Que sensação! Foi tão bom.

Estar nesse céu
Talvez me fizesse
Encontrar você
Coberta pelo véu
Do nosso casamento.
Estar com você hoje
Um grande lamento.
Um bom sofrimento.

Como a ostra
E a pistola
Cada uma
Com seu brilho dentro de si mesma.
Sei o que é sentir a dor persuadindo sobre minhas pálpebras.