I
As noites frias aproximavam-me do perigo, nunca fui o cara
certo, mas naquela noite aonde as estrelas aparentemente se esconderam em
alguma esquina longe do céu o perigo queria me tentar. Um universo de
lembranças veio me visitar e realmente eu estava sofrendo ou me forçando a
sofrer, as lembranças nunca voltam nos dias certos. Tragava o nosso passado em
um Marlboro Vermelho e sentia a
brisa daquela noite tocar a minha face. O frio realmente trás a saudade de uma
maneira brusca. As tuas frases que mesmo eu sabendo que eram falsas me torturavam,
provavelmente pelo fato que eu tinha decidido sofrer naquela ocasião. Torturavam-me
ainda mais com o pensamento de que você poderia está deitada na cama ao lado
dormindo enquanto eu admirava tuas belas curvas, mas não estava. Nunca. Eu me
negava a acreditar que te tinha em minhas mãos, mas talvez essa sempre fora a
minha mágica. Eu te dominava querida.
II
Examinei as ultimas conversas no celular e resolvi dormir
quando meus pensamentos estavam tão longes que me focar em conversas banais ou
no livro era totalmente fora de cogitação. Tinha acabado de assistir uma
comédia romântica. – Daquelas que te faz odiar o universo com a força da alma e
acabam com a sua esperança de um dia amar. Bufei de ódio, me cobri um tanto
quanto inteira, mas deixei o celular ativado para tocar em caso de alguém falar
comigo. Dormi, dormi como um bebê cansado e voei longe em meus sonhos sem
sentido.
III
Eu estava totalmente apaixonada e as lembranças me alegravam
de uma maneira anormal, os dias iam perfeitos apesar da saudade eu sabia que
ele era meu e tuas juras afirmavam para meus sentimentos. O amor sempre retornava
para mim e dessa vez eu jurei ser para sempre.
I
Retornei a escrever, as palavras não apagavam a minha dor,
mas pelo menos eu sabia dentro de mim que a dor também retornaria para ela.
Após chorar totalmente o meu passado em um lapso interno eu adormeci, ali
mesmo, atirado entre os cigarros e o celular. Saberia que quando amanhecesse
ela me despertaria. Ou não.
II
Não acordei durante toda a noite, mas quando peguei o
celular que estava caído entre o cômodo acima da cama ele estava uma loucura. Meu
passado retornava e eu que tentava ser forte há semanas desabei, como sempre
desabo facilmente. Reli texto, revivi sentimentos e quis morrer antes de ter de
engolir meu orgulho. No fundo eu sabia que o gosto doce do universo não duraria
muito, que toda a dor retornaria e que ele não me esperaria todos os dias de
sua vida como ele jurava em seus versos.
Eu não conseguia escrever desde que o ultimo adeus foi dito
e por mais que ele não soubesse, eu o culpava por todo o meu bloqueio.
Xingava-o em todos os dias que chorava por não sair nada que prestasse e eu
bebia meu passado em longos goles de drinks
que a determinadas alturas eu nem sentia mais o gosto.
Acordei-o e quando menos esperei já estava em teus braços de
novo.
I
Batom vermelho, cabelo solto, calça dobrada, sapatilha e
olhar cansado; Realmente não acreditei quando ouvi aquela voz um tanto quanto
rouca me chamar. Abracei-a na intenção de beija-la, mas ela desviou. – Sabia bem o motivo, mas acima disso eu a
conhecia bem e sabia das tuas vontades.
Repeti todas as frases que me perturbaram na noite anterior
no pé do ouvido dela quando ela já havia cedido á mim. Ela dizia que me amava,
mas tinha um olhar preocupado e toda vez que teus lábios pronunciavam meu nome
com uma voz de choro eu não sabia o que fazer porque ela nunca terminava a
frase; Quando finalmente resolveu dizer o que acontecia, ela não conseguia
completar, me disse que estava com medo e eu prometi que não havia o que temer
quando se tratava de nós dois.
Ela segurou o choro quando eu brincando ou não disse que não
era com ela que eu deveria ficar e essa era a realidade. Eu a amava, mas não
conseguia tê-la, por mais que ela dissesse que fosse minha, havia um bloqueio maior
que nos dois e havia outra pessoa na qual eu jurava meus dias e eu já não sabia
o que fazer.
Ela implorou para que eu ficasse, abraçou-me e eu senti suas
frases ecoarem caladas até meus lábios no nosso ultimo beijo antes da nova
partida.
II
Eu nunca quis separar nenhum casal, sempre fui até mesmo uma
defensora e sempre levei comigo uma frase “olhe primeiro o sentimento das pessoas
a sua volta depois o seu” e por mais que gritassem comigo todos ao meu redor
para que eu me libertasse dessa “bobagem” eu tinha isso como principio moral. A
felicidade sempre retorna em algum novo amor então eu não quis lutar para
separar ninguém, mas naquela tarde eu tinha feito tudo errado... Eu o amava, o
amava de uma maneira que nunca tinha amado, sabia que ele me amava, mas havia
outro amor no jogo e eu entrava numa relatividade. Talvez eu quisesse que ele
tomasse a decisão por si só, sem que eu tivesse que pedir, mas ele ainda me
relembrava os momentos anteriores e eu gritava comigo mesmo que tinha de parar
com isso.
Adormeci. Porque afinal dormir é sempre a melhor opção na
hora do erro. – E do medo.
“Você me fez sentir o
gosto doce do universo e foi embora, novamente. E no fim eu só sou sua
inspiração literária, ótima escolha. Guarda em tua mente uma lembrança, eu
também guardarei. Me desculpa por ontem eu nunca tinha engolido meus princípios
morais. E sim retorno a disposição das palavras. Talvez nunca mais, eu e você.”
I
- Amor, eu amo você, só
você.
III
- Quero seu calor
humano comigo, estou com frio. Eu amo você, você é tudo para mim.
II
A felicidade um dia volta a me visitar e no fim eu sempre
espero pelo pior, por mais que a esperança tente gritar sua inocência dentro
dos meus versos.
Carolina Bertozzi.