Ainda me lembro
do dia oito
do mês de novembro
embora estivesse alterado
nada me tiraria da lembrança
o dia em que te conheci
Ainda sinto
seu cheiro de perfume
como um novo peixe
perdido em seu cardume,
sinto você aqui
e ouço sua voz
em tom de baixo volume
Seu sussurro
é insoletrável
mas tão penetrante
quanto as mãos calejadas
de um outro novo murro,
você é delirante
você é inigualável
E quando acordo
e percebo
sua expressão facial
recebo
as bençãos de um bom dia
me sinto perdido
nessa fenda espacial
Me sinto assim
mesmo sem mim
sinto que enfim
pude me encontrar
Ajuda que sempre precisei
sem que tivesse de procurar
em outro alguém.
Você apareceu Índia
nessa hora
que eu não entendia
Apareceu e trouxe luz
trouxe fogo
Trouxe paz
Trouxe cruz
Trouxe a mim
você
e te trouxe
eu.
# Navio Negreiro
E toda vez
esse rebanho
se lava de xerez
E toda vez
Toma-te o banho
do que não fez
E se ao invés
fazer obras
ao convés
E toda vida
não ser esquecida
Não ser revés
Se tu não for
Só estes beijos
de rancor
Se tu beijar
e se amar
Colorir a cor
Se em mim viver
sem perecer
sem esquecer
Beijarei-te
Ó todo meu amor.
esse rebanho
se lava de xerez
E toda vez
Toma-te o banho
do que não fez
E se ao invés
fazer obras
ao convés
E toda vida
não ser esquecida
Não ser revés
Se tu não for
Só estes beijos
de rancor
Se tu beijar
e se amar
Colorir a cor
Se em mim viver
sem perecer
sem esquecer
Beijarei-te
Ó todo meu amor.
# Timidez
E quando você chegar
Cê vai notar
Que eu também já cheguei
A minha voz
Vai poder escutar
E vai me ouvir falar
Que eu já te encontrei.
Sua respiração
Vai me ofegar,
Seu suspiro
Em meu ouvido
Embora ar tivesse sido
Não sei qual ar respiro.
E quando eu chegar
Não sei o que encontrar
se você já saiu de mim
Somos tímidos demais
Vermelhos
Vamos ficar
E o seu ar vou respirar
E ficar de joelhos
ao te ouvir falar
que amanhã você me amou.
Cê vai notar
Que eu também já cheguei
A minha voz
Vai poder escutar
E vai me ouvir falar
Que eu já te encontrei.
Sua respiração
Vai me ofegar,
Seu suspiro
Em meu ouvido
Embora ar tivesse sido
Não sei qual ar respiro.
E quando eu chegar
Não sei o que encontrar
se você já saiu de mim
Somos tímidos demais
Vermelhos
Vamos ficar
E o seu ar vou respirar
E ficar de joelhos
ao te ouvir falar
que amanhã você me amou.
# Unipresente
Vim varrer as folhas
Vim fazer o café
Vim ver se vinha
Só pra ver você chegar.
Vim ver se tinha
Aroma em seu lugar
Vim chegando devagar
Acreditei que pudesse voar
Por isso sonhei
Em reagir ao seu olhar.
Vim ver
Se vinha vindo
Alguém aqui
Vim sonhar
Com seu aroma
Vim beijar sua boca
Mas te espero chegar
Vim vindo
E vendo
Você dançar
Devagar
Vim sentindo
O mal estará inibido
E eu provarei do seu líbido
Vim chegando
Ao devastar
Também devorei
O rastro
Perfume
Que não pude decifrar
Vim devagar
Ficar contigo
Iluminai minha estrada
Sonhava acordada
E devagar
Vim te acordar
Você quase sem voz
Disse que de errado
Não haveria nada
Disse algo sobre nós.
Acreditei
Que amar fosse um estudo
Embora eu te amasse
Esse crepitar
Queimava as expectativas
O mundo onde tive tudo
Mas hoje
Sobre você
Hoje só me recordo
Do seu sorriso imponente
Dos raios do olhar poente
Da dança suave
Do seu suspiro em minha mente.
Vim fazer o café
Vim ver se vinha
Só pra ver você chegar.
Vim ver se tinha
Aroma em seu lugar
Vim chegando devagar
Acreditei que pudesse voar
Por isso sonhei
Em reagir ao seu olhar.
Vim ver
Se vinha vindo
Alguém aqui
Vim sonhar
Com seu aroma
Vim beijar sua boca
Mas te espero chegar
Vim vindo
E vendo
Você dançar
Devagar
Vim sentindo
O mal estará inibido
E eu provarei do seu líbido
Vim chegando
Ao devastar
Também devorei
O rastro
Perfume
Que não pude decifrar
Vim devagar
Ficar contigo
Iluminai minha estrada
Sonhava acordada
E devagar
Vim te acordar
Você quase sem voz
Disse que de errado
Não haveria nada
Disse algo sobre nós.
Acreditei
Que amar fosse um estudo
Embora eu te amasse
Esse crepitar
Queimava as expectativas
O mundo onde tive tudo
Mas hoje
Sobre você
Hoje só me recordo
Do seu sorriso imponente
Dos raios do olhar poente
Da dança suave
Do seu suspiro em minha mente.
# Homero
Ver-te
Vertentes
Tu és peculiar
Perfeita igual o três
Refiro-me a tudo
Que pude enxergar.
Sorriso perpendicular
De carne e osso
Osso e pele
Minha citação se refere
Àquilo que ainda não enxerguei
Escuto seu timbre
Penetrando os tímpanos
Vagando entre o córtex
És a endorfina
Você fora dor
Homero ama seus sinais.
De seus cabelos
Ama a cor
Olhos tão joviais
Nem toda força carnal
Acabará com a magia
Se Homero ama-te em tudo,
Sem você existe alegria?
Vertentes
Tu és peculiar
Perfeita igual o três
Refiro-me a tudo
Que pude enxergar.
Sorriso perpendicular
De carne e osso
Osso e pele
Minha citação se refere
Àquilo que ainda não enxerguei
Escuto seu timbre
Penetrando os tímpanos
Vagando entre o córtex
És a endorfina
Você fora dor
Homero ama seus sinais.
De seus cabelos
Ama a cor
Olhos tão joviais
Nem toda força carnal
Acabará com a magia
Se Homero ama-te em tudo,
Sem você existe alegria?
# Quem Disse?
Um novo céu
À de se abrir
E o sol celestial
Iluminará o caminho
Que devo seguir
Dentro de ti seu próprio ninho
E a vontade de proteção.
É a esperança
De um novo começo
Para a destruição.
É ter firmeza
Diante do gelo
Que o sal derreterá
Esperar por aquilo
Que jamais chegará
O sonho recíproco
De encontrar alguém.
A reciclagem chega
E o amor é de ninguém.
É ser e estar
Pensar e agir.
A religião muda
E a próxima está por vir.
Quando as marteladas
Soarem as três vezes
Nem os indícios saberão
O que é mentira ou solução
E a dor começa a redigir
O personagem que és
Se dor também se diz
Solução, talvez ao invés
De dor seja morada
Já que sentirmos dor
É sinônimo de vida
Quem disse que somos felizes?
À de se abrir
E o sol celestial
Iluminará o caminho
Que devo seguir
Dentro de ti seu próprio ninho
E a vontade de proteção.
É a esperança
De um novo começo
Para a destruição.
É ter firmeza
Diante do gelo
Que o sal derreterá
Esperar por aquilo
Que jamais chegará
O sonho recíproco
De encontrar alguém.
A reciclagem chega
E o amor é de ninguém.
É ser e estar
Pensar e agir.
A religião muda
E a próxima está por vir.
Quando as marteladas
Soarem as três vezes
Nem os indícios saberão
O que é mentira ou solução
E a dor começa a redigir
O personagem que és
Se dor também se diz
Solução, talvez ao invés
De dor seja morada
Já que sentirmos dor
É sinônimo de vida
Quem disse que somos felizes?
# Câncer Terminal.
Acordei
Embora ainda estivesse com sono
para mim, coisa normal
um jovem de vinte e dois anos
sofrendo de tristeza terminal.
Talvez dormisse
no pranto sagrado
sentimento totalmente agregado,
para com aquela que me jurou amor
eu a amava,
mas estava comigo apenas por favor,
nunca se entregou
apenas fingiu ser quem não era,
fingiu ser ela mesma.
Eu fiz promessas
e perdi coisas que não eram realmente minhas
perdi você,
isso fazia parte do plano,
Enxergava-te nos reflexos do mundo
com aquele seu sobretudo
a cobrir seus seios,
Enxergava-te e beijava-te sem saber
talvez estivesse no meu universo particular
sem você não conseguiria sobreviver.
Sem você nunca soube o que é viver.
Mas posso lhe dizer que tentei,
de todas as formas,
durante horas,
achar alguma explicação
o tumor era maligno,
era mais do que uma cirurgia,
era preciso uma transfusão.
Você está em mim
e aparentemente não quer sair,
ouço outra de você,
falando com outro eu,
ouço ela a rir,
ouço ela feliz,
se enquanto eu estiver a morrer,
você estiver feliz,
assinai minha autópsia
votando para que você não seja retirada daqui.
Eu amo você a me corroer,
enquanto essa grande hemorragia
acaba com as paredes sanguíneas.
Você me faz sentir-se vivo,
bem melhor que a radioterapia.
Embora ainda estivesse com sono
para mim, coisa normal
um jovem de vinte e dois anos
sofrendo de tristeza terminal.
Talvez dormisse
no pranto sagrado
sentimento totalmente agregado,
para com aquela que me jurou amor
eu a amava,
mas estava comigo apenas por favor,
nunca se entregou
apenas fingiu ser quem não era,
fingiu ser ela mesma.
Eu fiz promessas
e perdi coisas que não eram realmente minhas
perdi você,
isso fazia parte do plano,
Enxergava-te nos reflexos do mundo
com aquele seu sobretudo
a cobrir seus seios,
Enxergava-te e beijava-te sem saber
talvez estivesse no meu universo particular
sem você não conseguiria sobreviver.
Sem você nunca soube o que é viver.
Mas posso lhe dizer que tentei,
de todas as formas,
durante horas,
achar alguma explicação
o tumor era maligno,
era mais do que uma cirurgia,
era preciso uma transfusão.
Você está em mim
e aparentemente não quer sair,
ouço outra de você,
falando com outro eu,
ouço ela a rir,
ouço ela feliz,
se enquanto eu estiver a morrer,
você estiver feliz,
assinai minha autópsia
votando para que você não seja retirada daqui.
Eu amo você a me corroer,
enquanto essa grande hemorragia
acaba com as paredes sanguíneas.
Você me faz sentir-se vivo,
bem melhor que a radioterapia.
# Cafeínico.
Embora fosse somente cafeína, senti meu corpo viciado naquilo. Foram longos anos ao lado dos cafés expressos, longos anos dos cafés coados, e aquele cheiro de café pela manhã aguçava sempre meus neurônios como se fosse cocaína. Eu era um viciado, um pseudo viciado em café.
Tudo começou quando minhas horas se sono não cobriam exatamente todo sono que eu deveras sentir. Precisei de um "reagente" a mais no meu organismo para combater o sono e tentar me manter concentrado nas matérias da faculdade de Letras da qual cursava – nunca soube verdadeiramente se eu gostaria de ser professor, escritor, revisor –, mas uma coisa era certa, sono e concentração não combinam nenhum pouco.
Tentei por tantas vezes outras soluções que pareciam não surtir efeito, misturar refrigerantes de cola com energéticos a base de guaraná. Já tomei pílulas de cafeína para acalmar minha cabeça sonolenta, mas acredito que somente o aroma... Ah, aquele aroma, fosse o suficiente, talvez eu precisasse mesmo de uma dose de café diária em excesso, talvez meu dia fosse contabilizado por horas, talvez precisasse de café para sobrevivência.
Hoje em dia, o café tem feito parte da minha vida. Necessitei de uma cafeteira que o fizesse expresso, afinal, um gosto mais apurado saciaria mais rápido a minha vontade/necessidade de consumo cafeínico. Errado, consumir um café um pouco mais apurado, não significaria em um equilíbrio em quantidade, isso apenas aumentaria o meu metabolismo fazendo com que eu precisasse de mais café, sendo assim, enquanto eu tomasse café eu permaneceria necessitado de cafeína, sendo café coado ou expresso. Se coado fosse, talvez precisasse um pouco mais, pois a quantidade de cafeína é menor, já que a quantidade de água utilizada no modo de preparo da minha mãe é maior do que o utilizado na maquina italiana de café.
Minha família sempre grande apreciadora de café, embora também controlassem a dosagem usando a quantidade de dedos que queriam que fosse colocados na xícara, e eu, como adquiri esse gosto um pouco depois de quase toda a minha família ter falecido, não aprendi com os melhores como era saber moderar o consumo dessa maravilha que sempre me arrancou de mim mesmo. Quantos copos; xícaras se podem consumir sem que haja alteração metabólica em um individuo como eu? E mesmo que houvesse tais alterações, elas afetariam na minha saúde e bem estar, ou só atrapalhariam na minha renda financeira já que teria que comprar aos fardos café torrado para que fossem moídos na minha maquina e depois consumidos quase que imediatamente pelo meu corpo?
Bom, talvez não importe mais, porque afinal, precisei tomar uns seis copos de café hoje, com esse ultimo, o sétimo, e bom, surge uma nova questão, cafeína é minha cocaína?
Tudo começou quando minhas horas se sono não cobriam exatamente todo sono que eu deveras sentir. Precisei de um "reagente" a mais no meu organismo para combater o sono e tentar me manter concentrado nas matérias da faculdade de Letras da qual cursava – nunca soube verdadeiramente se eu gostaria de ser professor, escritor, revisor –, mas uma coisa era certa, sono e concentração não combinam nenhum pouco.
Tentei por tantas vezes outras soluções que pareciam não surtir efeito, misturar refrigerantes de cola com energéticos a base de guaraná. Já tomei pílulas de cafeína para acalmar minha cabeça sonolenta, mas acredito que somente o aroma... Ah, aquele aroma, fosse o suficiente, talvez eu precisasse mesmo de uma dose de café diária em excesso, talvez meu dia fosse contabilizado por horas, talvez precisasse de café para sobrevivência.
Hoje em dia, o café tem feito parte da minha vida. Necessitei de uma cafeteira que o fizesse expresso, afinal, um gosto mais apurado saciaria mais rápido a minha vontade/necessidade de consumo cafeínico. Errado, consumir um café um pouco mais apurado, não significaria em um equilíbrio em quantidade, isso apenas aumentaria o meu metabolismo fazendo com que eu precisasse de mais café, sendo assim, enquanto eu tomasse café eu permaneceria necessitado de cafeína, sendo café coado ou expresso. Se coado fosse, talvez precisasse um pouco mais, pois a quantidade de cafeína é menor, já que a quantidade de água utilizada no modo de preparo da minha mãe é maior do que o utilizado na maquina italiana de café.
Minha família sempre grande apreciadora de café, embora também controlassem a dosagem usando a quantidade de dedos que queriam que fosse colocados na xícara, e eu, como adquiri esse gosto um pouco depois de quase toda a minha família ter falecido, não aprendi com os melhores como era saber moderar o consumo dessa maravilha que sempre me arrancou de mim mesmo. Quantos copos; xícaras se podem consumir sem que haja alteração metabólica em um individuo como eu? E mesmo que houvesse tais alterações, elas afetariam na minha saúde e bem estar, ou só atrapalhariam na minha renda financeira já que teria que comprar aos fardos café torrado para que fossem moídos na minha maquina e depois consumidos quase que imediatamente pelo meu corpo?
Bom, talvez não importe mais, porque afinal, precisei tomar uns seis copos de café hoje, com esse ultimo, o sétimo, e bom, surge uma nova questão, cafeína é minha cocaína?
# Acumule.
Lembro-me
que sempre quis ganhar
e nunca
aceitei perder.
A vida é composta de
unhas roídas,
de rosas caídas.
Sua voz
sempre me foi doce.
Embora você não fosse
quem sempre me quis.
Existia um pequeno
Enorme sentimento
E seu abraço tão sereno
se foi
Sinto medo
de reencontrá-la
não sei o que será de mim
não sei o que eu era.
Mas se eu bem a queira
Mesmo não estando ao meu lado
Esteja bem minha paquera.
Da grão que saia da semente.
Popule.
Acumule...
que sempre quis ganhar
e nunca
aceitei perder.
A vida é composta de
unhas roídas,
de rosas caídas.
Sua voz
sempre me foi doce.
Embora você não fosse
quem sempre me quis.
Existia um pequeno
Enorme sentimento
E seu abraço tão sereno
se foi
Sinto medo
de reencontrá-la
não sei o que será de mim
não sei o que eu era.
Mas se eu bem a queira
Mesmo não estando ao meu lado
Esteja bem minha paquera.
Da grão que saia da semente.
Popule.
Acumule...
# Quem sou ela?
– Será que ela lembra quem sou? E quem será ela?
Lembro-me pouco daquele dia. Amnésia.
É somente um distúrbio da minha mente
e me transformei em um refém de anotações;
Conotações...
Não sei ao certo quem sou,
Só sei que sou de São Francisco, e meu nome é John
Meu nome é John Brightmann
"(...) Olhe nos meus olhos amor,
Beije-me e sinta que eu sou toda sua (...)"
Uma lembrança, talvez uma das únicas que eu pudesse acreditar
a outra era...
Eu a amava.
Não que me importasse com o problema.
Talvez o fato de eu estar ao lado dela
fizesse com que tudo isso se transformasse em uma coisa normal
embora ela sempre me ajudasse a me organizar
Tão disciplinar,
tão excepcional.
Talvez você me fizesse toda a diferença
(apesar de tudo ao meu redor ser diferente a cada minuto que passasse)
Mas sabia que após meu acidente, coisas que eram recentes sumiam
assim, misteriosamente desse grande espaço vago da minha mente que não quer ser preenchido.
Deve ser bom lembrar-se de todos os detalhes...
De quando eu lhe beijei a primeira vez não é mesmo?
Ou de quando eu segurei a sua mão pela primeira vez
de quando nos olhamos nos olhos e prometemos ser fieis,
sermos os melhores amantes do mundo.
Eu prometi, e só me recordo disso pois uso uma aliança semelhante a dela
e acredito que estejamos casados desde o dia em que nos juntamos diante do altar...
Acredito...
Hoje em dia, quando ela me acorda todos os dias de manhã
sinto que ela é meu despertar mais belo,
e não vejo o sol raiar de outra maneira a não ser em seus olhos. Talvez isso seja saudade.
Ou talvez isso seja apenas a primeira figura que eu vejo ao acordar,
os lindos olhos verdes que foram posicionados em seu rosto branco
cobertos pelo seu cabelo avermelhado.
Talvez a janela que ficava atrás da cabeceira da cama, batesse em seus cabelos longos
refletindo o vermelho deles em seus olhos. Afinal, o sol não era verde.
Aliás... Desde quando o sol é desta cor?
Não sei, não me lembro...
Acredito apenas que
Eu a tenho
e como não me lembro das ruas, como não me lembro como dirigir
não me lembro de todas as palavras,
não me lembro dos rostos,
não me lembro andar sozinho
não sei confiar em mais ninguém.
E hoje me sinto mais instintivo,
embora não possa confiar em ninguém
talvez nem em mim mesmo.
Só sei que eu a amava
– Já disse isso antes?
Só sei que amava a ela
E não a mim.
Aplicava todos os dias
a injeção de insulina que me mantinha vivo
apenas com um beijo na boca.
Aplicava-me a sua saliva
por entre a língua que me fazia vivo.
Aplicava-me felicidade
segurando minha mão
Me fazia seguro.
Deixava-me estar dentro de você, independente se eu a fazia bem, afinal, eu não sabia mais fazer aquilo.
Esquecia-me de tudo, exceto de dizer eu te amo com as mais variadas palavras
que insistiam em sair da minha boca.
Insistia em lhe fazer feliz,
e para isso eu tinha que ser renovador.
Afinal, eu já não sabia mais como fazê-la no dia seguinte.
Eu não tinha memória.
Mas sabia
que você fazia parte da minha doce história
– Acordei!
E continuo dentro deste mesmo quarto empoeirado
com tantas recordações de um dia que eu jamais vou esquecer.
Independente das coisas que se passam,
independente de quantas pessoas passem.
Eu a amei, e meu amor foi invulnerável.
Eu a amei da mesma maneira que ninguém consegue explicar o que é o amor.
Mas a amei com toda a força dos ventos sudoestes
Amei em todas as direções. De Norte ao Sul, na estrela dos ventos.
Eu te amei.
Amei ser seu durante os anos que você viveu,
amei ser seu durante os anos que eu vivi.
– Acordei!
Mas eu não estava com você
acordei e tive medo de te perder.
Mesmo sem nunca te ter.
E se tivesse, jamais me lembraria do amanhã.
Te amei assim.
E continuo te amando!
Lembro-me pouco daquele dia. Amnésia.
É somente um distúrbio da minha mente
e me transformei em um refém de anotações;
Conotações...
Não sei ao certo quem sou,
Só sei que sou de São Francisco, e meu nome é John
Meu nome é John Brightmann
"(...) Olhe nos meus olhos amor,
Beije-me e sinta que eu sou toda sua (...)"
Uma lembrança, talvez uma das únicas que eu pudesse acreditar
a outra era...
Eu a amava.
Não que me importasse com o problema.
Talvez o fato de eu estar ao lado dela
fizesse com que tudo isso se transformasse em uma coisa normal
embora ela sempre me ajudasse a me organizar
Tão disciplinar,
tão excepcional.
Talvez você me fizesse toda a diferença
(apesar de tudo ao meu redor ser diferente a cada minuto que passasse)
Mas sabia que após meu acidente, coisas que eram recentes sumiam
assim, misteriosamente desse grande espaço vago da minha mente que não quer ser preenchido.
Deve ser bom lembrar-se de todos os detalhes...
De quando eu lhe beijei a primeira vez não é mesmo?
Ou de quando eu segurei a sua mão pela primeira vez
de quando nos olhamos nos olhos e prometemos ser fieis,
sermos os melhores amantes do mundo.
Eu prometi, e só me recordo disso pois uso uma aliança semelhante a dela
e acredito que estejamos casados desde o dia em que nos juntamos diante do altar...
Acredito...
Hoje em dia, quando ela me acorda todos os dias de manhã
sinto que ela é meu despertar mais belo,
e não vejo o sol raiar de outra maneira a não ser em seus olhos. Talvez isso seja saudade.
Ou talvez isso seja apenas a primeira figura que eu vejo ao acordar,
os lindos olhos verdes que foram posicionados em seu rosto branco
cobertos pelo seu cabelo avermelhado.
Talvez a janela que ficava atrás da cabeceira da cama, batesse em seus cabelos longos
refletindo o vermelho deles em seus olhos. Afinal, o sol não era verde.
Aliás... Desde quando o sol é desta cor?
Não sei, não me lembro...
Acredito apenas que
Eu a tenho
e como não me lembro das ruas, como não me lembro como dirigir
não me lembro de todas as palavras,
não me lembro dos rostos,
não me lembro andar sozinho
não sei confiar em mais ninguém.
E hoje me sinto mais instintivo,
embora não possa confiar em ninguém
talvez nem em mim mesmo.
Só sei que eu a amava
– Já disse isso antes?
Só sei que amava a ela
E não a mim.
Aplicava todos os dias
a injeção de insulina que me mantinha vivo
apenas com um beijo na boca.
Aplicava-me a sua saliva
por entre a língua que me fazia vivo.
Aplicava-me felicidade
segurando minha mão
Me fazia seguro.
Deixava-me estar dentro de você, independente se eu a fazia bem, afinal, eu não sabia mais fazer aquilo.
Esquecia-me de tudo, exceto de dizer eu te amo com as mais variadas palavras
que insistiam em sair da minha boca.
Insistia em lhe fazer feliz,
e para isso eu tinha que ser renovador.
Afinal, eu já não sabia mais como fazê-la no dia seguinte.
Eu não tinha memória.
Mas sabia
que você fazia parte da minha doce história
– Acordei!
E continuo dentro deste mesmo quarto empoeirado
com tantas recordações de um dia que eu jamais vou esquecer.
Independente das coisas que se passam,
independente de quantas pessoas passem.
Eu a amei, e meu amor foi invulnerável.
Eu a amei da mesma maneira que ninguém consegue explicar o que é o amor.
Mas a amei com toda a força dos ventos sudoestes
Amei em todas as direções. De Norte ao Sul, na estrela dos ventos.
Eu te amei.
Amei ser seu durante os anos que você viveu,
amei ser seu durante os anos que eu vivi.
– Acordei!
Mas eu não estava com você
acordei e tive medo de te perder.
Mesmo sem nunca te ter.
E se tivesse, jamais me lembraria do amanhã.
Te amei assim.
E continuo te amando!
# Melancólica
Sopraram os ventos
dos desenvolvimentos
sopraram
e nos separaram.
Sopraram os ventos
e seus movimentos
mexiam com minha cabeça
sopraram
para dentro de mim.
Momentos
que jamais havia vivido
sentimentos
que jamais havia sentido
sopraram os ventos
com toda força eólica
seu sorriso é lindo
sua presença melancólica
Soprem,
para dentro de mim
a pessoa que devia ser feliz
talvez seja mais afim,
talvez esteja falando
Por fim
de mim mesmo.
dos desenvolvimentos
sopraram
e nos separaram.
Sopraram os ventos
e seus movimentos
mexiam com minha cabeça
sopraram
para dentro de mim.
Momentos
que jamais havia vivido
sentimentos
que jamais havia sentido
sopraram os ventos
com toda força eólica
seu sorriso é lindo
sua presença melancólica
Soprem,
para dentro de mim
a pessoa que devia ser feliz
talvez seja mais afim,
talvez esteja falando
Por fim
de mim mesmo.
# Andarilho
O que se passa?
Na lenha avermelhada
No fogo, na brasa.
O pássaro que
De tanto sonhar voa
Em pensamentos
Sem ter asa.
Sem ter casa
Na lenha avermelhada
No fogo, na brasa.
O pássaro que
De tanto sonhar voa
Em pensamentos
Sem ter asa.
Sem ter casa
O que, asa?
Se passa
Na cabeça do pássaro
Que cai do vôo,
Sobre o crepitar
Da brasa
No barulho
No orgulho...
Se passa
Na cabeça do pássaro
Que cai do vôo,
Sobre o crepitar
Da brasa
No barulho
No orgulho...
Onde é casa?
Que esquenta
Que assa,
Em minha cabeça
Tanto passa
Tanto fica.
Que esquenta
Que assa,
Em minha cabeça
Tanto passa
Tanto fica.
Minha mente é
A brasa,
que atormenta
Minha asa
Não vôo,
A rua é o ladrilho
E lá também minha casa.
Sou o andarilho
Que salva
Que morre
Que asa.
A brasa,
que atormenta
Minha asa
Não vôo,
A rua é o ladrilho
E lá também minha casa.
Sou o andarilho
Que salva
Que morre
Que asa.
# Corpete Vermelho
Tentei sucumbir
tentei esconder,
mas hoje lembrei
a seda em seu corpo a cobrir
Lembrei-me do seu corpete,
avermelhado.
Atirei-me ao chão
confundia-te com o carpete
comecei a abraçá-la então
e o pó do carpete
lembrou-me do perfume
e as fibras dele,
do leve toque da sua mão.
A cortina aveludada
ressaltou após o vento a tocar
o suspiro de um dia bom
sua voz vem e vai
entra por um ouvido,
passa por meus olhos,
minha garganta
e sai por outro alguém.
Você está aqui
em todo mundo
em ninguém.
tentei esconder,
mas hoje lembrei
a seda em seu corpo a cobrir
Lembrei-me do seu corpete,
avermelhado.
Atirei-me ao chão
confundia-te com o carpete
comecei a abraçá-la então
e o pó do carpete
lembrou-me do perfume
e as fibras dele,
do leve toque da sua mão.
A cortina aveludada
ressaltou após o vento a tocar
o suspiro de um dia bom
sua voz vem e vai
entra por um ouvido,
passa por meus olhos,
minha garganta
e sai por outro alguém.
Você está aqui
em todo mundo
em ninguém.
# Ano novo
Mais um ano
Passa e passa,
ano novo
frutas cristalizadas,
uva passa.
Vinho tinto
de mesa
na mesa
a taça de vidro
um doce, sobremesa
Os fogos estouravam,
uns pediam dinheiro
outros passavam
de vermelho,
Eu semelho,
a fumaça
quase nevoeiro.
Minha cabeça gira,
quanto mais quisesse
voltar no tempo,
era só o tempo,
que prosseguia
Passa e passa,
ano novo
frutas cristalizadas,
uva passa.
Vinho tinto
de mesa
na mesa
a taça de vidro
um doce, sobremesa
Os fogos estouravam,
uns pediam dinheiro
outros passavam
de vermelho,
Eu semelho,
a fumaça
quase nevoeiro.
Minha cabeça gira,
quanto mais quisesse
voltar no tempo,
era só o tempo,
que prosseguia
# Provas de 1 crime (Pt. 5)
Enrico então, num movimento rápido, levanta o braço direito para sacar o maço de cigarros do bolso esquerdo da camisa social vermelha que ele adorava usar. Talvez além da bebida, fumar também o acalmava. Enquanto isso, Alisson chorava ao telefone, ligando para a polícia que ficava a algumas quadras de sua residência.
Ele não parecia tão arrependido, talvez por demasiado descontrole pessoal ao ainda estar sob efeito da bebida do bar. Os minutos iam passando, ela já se encontrava sentada em uma das cadeiras da mesa de jantar, que aliás, estava repleta de comida que esperava quente – agora fria –, a chegada de Enrico. Mal sabiam aquelas batatas que ele levantaria um dedo, e encostaria uma mão no rosto de Alisson.
A campainha toca
Din don...
Alisson se levanta, eram os guardas devidamente uniformizados, com sobretudo azul marinho, calça preta, coturnos impecáveis, e aquele chapéu tradicionalista da polícia, embora os tempos ainda não tenham voltado a ditadura, era de se esperar que grandes homens como os da polícia andassem bem trajados.
– Foi você quem ligou para nós? Você é a srta Alisson?
Enrico estava voltando do banheiro após lavar bem o rosto com água gelada, parecia um pouco mais sóbrio depois do acontecido. Não parecia entender muito bem a situação, estava um pouco tonto, e foi preciso de ajuda de um dos guardas para descer a escadaria da casa.
Alisson olhava piedosamente para o pai de sua filha, e decidiu então, não denunciá-lo, dizendo apenas que havia escutado um barulho estranho atrás de sua casa, próximo a uma das janelas.
E com o passar da noite, quando as luzes iam sendo apagadas, Alisson olhou novamente para o rosto de Enrico, e pensou como seria dali pra frente. Enquanto ela refletia sobre Enrico, ele aparentava estar serio demais com a situação, alguma coisa o inquietava, talvez tivesse "caído a ficha" sobre o que havia acontecido. Ele então não queria mais sofrer com a ideia de viver ao lado de uma mulher do qual, ele havia machucado um dia, com toda força de seus punhos.
Pega o carro, e vai se arriscar no mundo afora, não perde tempo para ir conhecer novos locais, ver a vista, entender tais finalidades da vida. De certo modo, Enrico estava arrependido, mas seu orgulho tomava conta de seus olhos, ele não queria se entregar novamente as artimanhas de um destino sombrio. Ele queria se curar. O carro vermelho, combinava com a cor da sua camisa vermelha, e com o sangue que escorria por suas narinas, que o fez parar em um pequeno vilarejo perto da rodovia que ele seguia sem rumo.
Ele não parecia tão arrependido, talvez por demasiado descontrole pessoal ao ainda estar sob efeito da bebida do bar. Os minutos iam passando, ela já se encontrava sentada em uma das cadeiras da mesa de jantar, que aliás, estava repleta de comida que esperava quente – agora fria –, a chegada de Enrico. Mal sabiam aquelas batatas que ele levantaria um dedo, e encostaria uma mão no rosto de Alisson.
A campainha toca
Din don...
Alisson se levanta, eram os guardas devidamente uniformizados, com sobretudo azul marinho, calça preta, coturnos impecáveis, e aquele chapéu tradicionalista da polícia, embora os tempos ainda não tenham voltado a ditadura, era de se esperar que grandes homens como os da polícia andassem bem trajados.
– Foi você quem ligou para nós? Você é a srta Alisson?
Enrico estava voltando do banheiro após lavar bem o rosto com água gelada, parecia um pouco mais sóbrio depois do acontecido. Não parecia entender muito bem a situação, estava um pouco tonto, e foi preciso de ajuda de um dos guardas para descer a escadaria da casa.
Alisson olhava piedosamente para o pai de sua filha, e decidiu então, não denunciá-lo, dizendo apenas que havia escutado um barulho estranho atrás de sua casa, próximo a uma das janelas.
E com o passar da noite, quando as luzes iam sendo apagadas, Alisson olhou novamente para o rosto de Enrico, e pensou como seria dali pra frente. Enquanto ela refletia sobre Enrico, ele aparentava estar serio demais com a situação, alguma coisa o inquietava, talvez tivesse "caído a ficha" sobre o que havia acontecido. Ele então não queria mais sofrer com a ideia de viver ao lado de uma mulher do qual, ele havia machucado um dia, com toda força de seus punhos.
Pega o carro, e vai se arriscar no mundo afora, não perde tempo para ir conhecer novos locais, ver a vista, entender tais finalidades da vida. De certo modo, Enrico estava arrependido, mas seu orgulho tomava conta de seus olhos, ele não queria se entregar novamente as artimanhas de um destino sombrio. Ele queria se curar. O carro vermelho, combinava com a cor da sua camisa vermelha, e com o sangue que escorria por suas narinas, que o fez parar em um pequeno vilarejo perto da rodovia que ele seguia sem rumo.
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