# Luta Livre (Pt. 13)


Ouviu dizer que nem sempre as coisas saiam do modo que queríamos, e que às vezes devíamos sacrificar boa parte das nossas energias para sustentar nossos sonhos, e Erick tentou levar esse pensamento a risca, até perceber que suas forças estavam se esgotando. Ele precisava de suprimentos, de sentimentos, de momentos. Ele precisava do calor de Mariah, um calor real, e que precisava reagir, lutar com o pouco do que restava de boas vibrações. Ele corria então para longe de Dianna, mesmo ela sem entender o que se passava. Corria desesperadamente, as lágrimas eram barbantes em seu rosto enquanto corria contra o vento. Seu cheiro ficou, Dianna também.
Mariah já não estava mais no hospital, estava em sua casa quando aconteceu. Os médicos assistentes chamaram sua atenção para o fato, Erick respondia positivamente a alguns testes que seu corpo era submetido. E por mais que o tempo corresse entre a vida e a morte, Erick procurava alguma explicação, sentia-se acorrentado dentro do seu mundo paralelo. Saudades de Dianna, saudades de viver.
O boneco estava lá, ileso, sobre a escrivaninha do lado da cama de Erick. Ele já estava empoeirado, fazia semanas -ou meses-, que Mariah não aparecia para lhe dar um pouco de atenção, afinal, quando se está nesse estado, quem quer apenas dizer, sabendo que a pessoa não expressará reações. Sabendo que a pessoa não verá você.
Mas quando o telefone tocou, a primeira coisa que Mariah pensou foi que ele havia acordado. Por mais que fosse parcialmente verdade a mentira que os médicos disseram, Mariah cheia de esperanças se preparou para visitá-lo. No caminho pensou no quanto devia suas desculpas a Erick, no quanto ela se disperçou quando ele mais precisou. Então, como outro barbante de água arejada, as lágrimas foram caindo com cada vez mais pressão pelo vento que fazia Mariah se prender ainda mais no chão. Gravidade? Força? Se tratava mais de percepções, Erick não havia acordado, mas os médicos a chamaram pessoalmente para conversar.
- Olha, sabemos que mentimos em relação ao Erick, mas precisamos que você saiba de uma coisa...
- Diga-me, não aguento mais esse sofrimento. Ele vai ficar bem? - Mariah dizia cautelosa cheia de duvidas.
- O estado de Erick tem melhorado, mas é justamente nesse estado em que precisamos de alguém para cuidar e conversar com ele. Por mais que todos achem que de nada adianta, isso ajuda em sua recuperação.
- Tudo bem, estarei aqui para vê-lo acordar.
Ao voltar para o quarto e ver Erick desacordado, Mariah repara no boneco em que o seu filho deixou. Ele estava pressionado pela mão direita de Erick que parecia não deixá-lo cair.
O boneco representado por Erick estava sendo protegido por ele mesmo, e assim, Erick não deixaria Erick cair. Seu eu exterior protegia seu eu interior.
Sei o que é sentir a dor persuadindo sobre minhas pálpebras.