Ele era só um
garoto de 21 anos que se achava velho, porém não era como os outros garotos da
sua idade, vivia se jogando pra longe de si mesmo, talvez por medo de encontrar
o monstro que ele achava que existia dentro de sua mente conturbada por
esperanças.
Estava no auge da crise dos vinte e poucos anos, e não
tinha muitas escolhas. Gostava de sempre ter novas experiências, porém não se
permitia viver ou apenas estava com medo do que poderia acontecer.
O fato é que ninguém é completo suficiente para
completar a história ou escrever a história de outra pessoa...
Ele
achava que aquela adorável garota o completava, e quando ela foi embora ele se
sentiu sem chão, porque ele achava que ela simplesmente o completava... Ele não
sabia que o espaço que faltava poderia ser completo por outras coisas que não
apenas ela, ele se esqueceu dos valores que a vida tem.
Uma
vez, quando ele mais precisava de um simples abraço, seu mundo desabou, e foi
ai que ele caiu.
Caiu
no desgosto de desmerecer a si mesmo, caiu no entendimento dos seus próprios
sentidos, caiu por inteiro na amargura que havia dentro de si mesmo. Ele apenas
caiu. Só acordou quando a vida resolveu abrir seus olhos, mas ele já não
era o mesmo garoto inocente de antes.
Ele
se levantou para mais um dia dentro do seu mundo " normal " de sempre,
tomou uma cerveja de café da manha porque era a única coisa que o satisfazia no
momento, ele sabia que apesar de isso ser um erro e provavelmente fazer mal,
pensou consigo mesmo que um erro a mais não faria diferença.
Ele
tinha um jeito psicótico diferenciado de pensar, tanto é que tinha o costume de
reparar nas pessoas, no modo como elas falavam, andavam e se pudesse até
anteciparia seus pensamentos.
Era
mais um garoto que as pessoas costumam chamar de louco, porém em todas as horas
lúcido em meio a sua loucura.
Confesso
que em todas as nossas conversas ele sempre foi uma base de inspiração enorme,
eu mesmo estando longe sempre senti sua respiração em poesia, o olhar oculto de
suas palavras, enfim...
Só sei
que um dia ele se foi e levou consigo seus sonhos quis seguir os caminhos dos
mesmos, retomou em mente tudo oque já havia feito as pessoas a sua volta e toda
a sua breve história de vida. Ele então sobe
até a sacada do prédio onde morava aquela adorável garota, da qual observara
durante anos e anos em busca de uma explicação que o levasse até o resultado da
pergunta: Porque ela me faz tão bem? E como se sentisse dono de largas asas
brancas, caminha até o parapeito do prédio, fecha os olhos, e voa, suavemente,
deixando sair de si todos os vestígios de um homem mal, toda maldade que um dia
fizera a alguém. Voa em direção ao chão, para encontrar aquela adorável garota
que matou enquanto procurava tocá-la com suas mãos envenenadas de ódio. Voa em
direção ao chão, para encontrá-la no céu.