Minha vida é uma cela oculta, do qual minha única certeza é a morte. Infelizmente nunca tenho para onde correr, e só não sou um livro totalmente aberto por não ter uma historia para contar. E se é fato que o desejo me consome, o prazer de estar me olhando acaba, e não sei onde acaba o que acontece todas as noites comigo.
Às vezes, espero o trem das onze passar, mas eu sempre o perco, e se por vontade de voltar atrás me machuco, fico em silencio lembrando os melhores momentos da minha vida.
De quando era feliz, e sabia, mas a velocidade do qual evolui, não reparou que isso me fazia mal, que não precisava ser uma aberração para as pessoas prestarem atenção em mim. Hoje me tornei abominável, tenho medo de mim mesmo, e das consequencias das minhas palavras. Quem elas podem atingir?
Há semelhança entre a vida e a morte, mas ninguém reparou, uma pessoa morre para outra nascer, e outra nasce quando outro morre. Eu morri, meus amigos morreram. Mas quem vai nascer agora dentro de nós? Uma cópia mal feita de quem eramos no passado?
Se sabes o que é viver, digas a mim. Porque quem diz ter amado, nunca amou, nunca foi amado.
Somos o combustível do pecado e da dor, se um dia se formos, tudo vai acabar!