# Segredo

Descobri toda a verdade da vida, e que ela não passa de ilusão.
Que não somos capazes de ouvir vozes,
muito menos de dizer o que elas significam.
Não sei se a pedra de mármore estará me esperando,
mas sei que estou fazendo de todos meus limites,
um mistério a cada dia que acordo.
Sei que gostava de apreciar e acariciar
os rabiscos da parede do meu quarto,
eles não me faziam solitário.
Percorria sempre meus lençóis
- seus quilômetros eram poucos -, para te procurar.
Hoje quando acordo sinto que nunca serei único,
e que todos os seres são invisíveis, e que o nada dura mais do que tudo.
Que gelo nada mais é do que moléculas unidas,
e que meu peito pode lutar contra isso,
e o sol não passa de uma estrela qualquer que não podemos fazer pedidos.
É infinita a dor do saber,
que se livrar de uma dor é muito mais do que se livrar,
é tê-la junto consigo mesmo
a confusão de não saber agir nem dizer,
Quando não se sabe enxugar as lágrimas,
e de não saber acordar com medo que o amanhã seja mais medonho.
E o que são cinco metros perto de sete palmos, ou seja o que for.
É o bastante? Sacrificar o sangue que corre nas veias,
mentir pra si mesmo, e por si só dizer,
que solidão é costume e rotina.
Que suspiros são quaisquer sonhos que não podemos ter,
e que os sonhos que não podemos ter, é por não querermos adormecer.
E com medo, fechar os olhos e puxar as mechas do cabelo,
abraçar os joelhos numa crença insignificante.
Afrouxar a gravata pelo calor,
apertar o cinto e se encorajar.
Esse é meu caminho,
e ninguém pode retirá-lo de mim.
Nem marcas de batom, nem borboletas presas num pote qualquer,
Vão me fazer voltar atrás.
Aliás! Atrás de mim,
só há sombras.
Sei o que é sentir a dor persuadindo sobre minhas pálpebras.