# Luta Livre (Pt. 2)

Quando se levantou naquela terça feira, as coisas pareciam um pouco melhores. Era natal, alguns vizinhos o cumprimentavam, mas ainda sim, ele não se sentia confortável o suficiente para dar um sorriso, mesmo que fosse singelo. Ao voltar-se para a rua, ao olhar o trânsito vazio, as pessoas comemorando aquela data especial, Erick fingia não sentir saudades do tempo em que sua família estava presente, e de quando ele corria ao badalar da meia noite para dar um feliz natal e dar um pedaço do chocolate que todo ano ele ganhava de seus avós, para Dianna.
Pensava consigo mesmo o porque de tudo acabar, e assim, continuava caminhando, traçando um propósito. Contudo, suas lembranças eram muito claras, isso o abalava muito, se sentia totalmente destrutivo e fraco. Ao chegar no Grand Palace, se percebeu estar sozinho, havia ali apenas a faxineira do escritório e um recado sobre sua mesa que dizia: - Erick, dentro de sua gaveta há um presentinho, apenas uma lembrança para que você não passe em branco esse natal... Todos do Grand Palace desejaram isso a ele, já que ele era o mais dedicado da equipe, e conforme ele foi organizando seu trabalho, ao fundo do escritório ele reparava uma lampada falhando. Ele então, por se incomodar com coisas imperfeitas, se levanta e vai tentar resolver esse pequeno problema. Remexe em sua mochila, retira alguns outros papeis não importantes, e segura uma lanterna com pilhas também fracas, se levanta e sai em disparada para consertar aquela lampada.
E embora parecesse um trabalho simples, ele sentia um certo medo do escuro, algo que não te trazia confiança, mas ele se atentou em andar rápido. A lampada estava um pouco distante ainda, foi quando a sua lanterna o abandonou, sua coluna se arrepiou toda, ele estava no meio do caminho, grudou na parede, e caminhou devagar até a lampada. Porém. Ela se apagara.
Erick estava com medo, se esfregou na parede até sentar-se e levar as mãos a cabeça e a cabeça entre os joelhos. Seus olhos eram muito curiosos, ele procurava sempre abri-los para ver se não estava sonhando. Abriu a primeira vez e nada aconteceu, na segunda vez, nada aconteceu, na terceira vez, viu sua amada Dianna ao seu lado, deitando a cabeça em seu ombro. Começou a imaginar o pesadelo, e viu todo o resto desmoronando ao seu redor, porém, Dianna continuava ali, firme e forte dizendo que não o abandonaria. Ele emocionado se deu ao luxo de segurar a mão de Dianna, fechou os olhos novamente e sentiu seu corpo despencando bruscamente.
- Abra os olhos Erick, veja! Dizia Dianna pausadamente. - O céu está lindo querido.
A imagem de seu corpo rompendo as nuvens, dos pássaros voltavam a tona, e lá estava Dianna em mais um dia, maravilhosa, elegante, cabelo contra o vento. Ele estava feliz, e a medida em que se aproximara do chão, ele foi vendo Dianna se despedindo dele, se aproximando para lhe beijar. Ao chegar próxima, o impacto é inevitável, e ele se choca antes mesmo de beijá-la.
Aquele foi seu presente de natal de 1990...
Sei o que é sentir a dor persuadindo sobre minhas pálpebras.