# Luta Livre. (Pt. 1)

E ele acordara pela manhã naquela fria segunda feira. Tudo amanhecera diferente, as coisas lhe pareciam descoloridas; desbotadas. Os pássaros estavam caídos ciscando o resto dos farelos dos pães que uma senhora havia deixado cair por ali. E lá estava ele novamente caminhando pela mesma rotina, buscando implacavelmente o sucesso particular e sustentável.
Era véspera de natal de 1990, e Erick morava sozinho em uma cidade pequena de Nova York, o seu trabalho exigia muita atenção, determinação, e ele sempre soube como fazê-lo exatamente, sempre foi um cidadão americano comum que pagava em dia suas contas, seus impostos, tinha alguns problemas com cigarros, mas nada que passasse dos limites. Sentava-se a sua mesa do 5º andar do edifício nova iorkino, Grand Palace. Lá havia um grande prédio de doze andares, uma linda vista da cidade, daquela vida pacata que Erick vivia. Erick sempre muito prevalente, saia sempre que suas coisas já estavam perfeitas, fazia mais de duas horas extras para todo trabalho ficar concluído. E para relaxar, comprava um café em uma maquina velha de dentro do prédio, e subia até o ultimo andar para falar sozinho, ver os carros passando, as nuvens se despedindo do céu e a lua dando oi para a cidade. Ele sentava no parapeito do prédio, e agradecia vagarosamente por mais aquele dia de trabalho. Abria sua mochila e tirava alguns papeis que não eram tão importantes, os esticava ao chão, e se deitava até que a hora apertava, e ele precisara voltar a sua casa.
A distancia não importara muito, ele era muito rígido, gostava de caminhar, de olhar como os carros paravam diante do transito e como ele caminhava mais rápido do que aquelas maquinas.
Ao chegar em casa, caminhava lentamente e já bem cansado até o banheiro, ligava a torneira e colocava um pouco de água para esquentar no seu pequeno fogão. Ele então devagar, sentia o cheiro úmido da água da torneira de seu banheiro, e ouvia o borbulhar da água que estava a esquentar.
E sempre que esse ritual acontecera, Erick lembrava do tempo em que era criança, quando não precisava assumir certas responsabilidades, quando as coisas eram simples. Quando ele era amado por seus pais, seus falecidos irmãos. Tudo lhe trouxera lembranças daquele horrível acidente, quando seus pais chocaram o carro em um poste ao longo da rodovia, quase todos morreram, menos Erick...
Contudo, Erick imaginara o porque de não ter morrido, porque só ele restou daquele horrível e trágico acidente, o porque das coisas terem acabado daquele jeito.
E conforme os pensamentos eram retrocedidos em sua mente, Erick repulsava outras lembranças enquanto emergia sua cabeça na água. - Ah! Que saudade daquela moça... Retrucava sempre em silencio consigo mesmo. Quando se levantava da banheira, suas pernas estavam amolecidas, suas pálpebras cansadas, ele vestia suas vestes, e se deita novamente.
Sei o que é sentir a dor persuadindo sobre minhas pálpebras.