# Luta Livre (Pt. 14)

Erick então começara a pensar em uma escapatória, já que seu corpo queria viver. Seu estado estava melhorando, mas os médicos não entendiam o porque dele ainda não ter acordado.
Ao lado dos médicos estavam Mariah e John, apreensivos, rezando para que tudo desse certo. Uma vez que Mariah havia caído no consentimento de que Erick era o homem de sua vida, deu a sua vida como ninguém para cuidar de Erick. John apoiava a mãe em todas as decisões.
Enquanto isso, Erick em seu mundo paralelo, corria de seus medos e angústias, a fim de sobreviver e de deixar Dianna, sua amada, para trás. Ele avista uma cabana, do qual procura se esconder ainda mais do mundo inexistente que desabara lá fora.
O céu era um mistério, fora do parâmetro de universo ele era constituído de dor e vulgaridade. Os peixes estavam mortos dentro das represas, os veados estavam comendo os restos dissecados do paraíso. Dianna era um monstro, ou o amor da vida de Erick?
Ele fecha a porta, encosta no batente da mesma e respira fundo, com medo de que alguma coisa possa vir a entrar pela mesma, e ao olhar para dentro da casa, vê uma grande lareira acesa, um grande candelabro por ali também deixava o ambiente propício a novas tensões.
Ele então se vê puxado para dentro de um dos cômodos da casa, com o anseio de que tudo virasse um novo pesadelo se pôs a gritar, mas seu próprio grito, não podia escutar. Quando se libertou do que lhe parecia uma grande mão, tudo ficou bem silencioso, e ao seu redor, eram só espelhos de sua alma calma, ou conturbada. Ali parecia que Erick conhecia outro ser, um que ele não sabia que morava dentro de si mesmo. Uma pessoa perturbada pelas lembranças de Dianna, uma pessoa amável, uma pessoa odiada. Ele tentava caminhar por entre os espelhos, e algumas vezes ele via se quebrar ao olhar para trás o seu passado refletido em seus olhos. Era surpreendente, uma vez que Erick parecia estar renascido, as coisas fariam tanto sentido. Nada era capaz de acorrentar Erick mais uma vez, ele queria viver.
Foi quando ele avistou um grande portal, distante ainda, mas ali havia a chance de renascer, de ser Erick mais uma vez, um Erick mais Mariah, e menos Dianna. Afinal, lhe cairia bem viver, sua vida não tão mais pacata assim, teria a certeza de que Mariah agora seria a mulher de sua vida. Ele então caminha mais um pouco, os espelhos vão se quebrando rapidamente, o mundo lá fora era intergalático, os cometas passavam diante das janelas da cabana, porém os espelhos pareciam paredes a se fechar, pressionando Erick a ir mais rápido, com mais vontade.
Estava pronto Erick para viver? Seu corpo estava desidratado, os médicos já não sabiam mais o que fazer, e Erick não aparentava mais nenhum sinal de vida. John virou a mãe e disse:
- Mãe, o boneco sorriu! - Chorando desesperadamente, ouvindo o som do monitor cardíaco de Erick que não captava mais as frequências cardíacas.
- Filho, não se preocupe, ele está vivo agora. Dentro do boneco.
E foi assim que Erick partiu, com os cacos do passado caindo diante de si, perdendo a possibilidade de viver na morte, ou morrer na vida, escolheu por si próprio, morrer na morte, viver na vida. A madeira agora era sua casa, e jamais sairia das mãos de Mariah, sua verdadeira amante.
Sei o que é sentir a dor persuadindo sobre minhas pálpebras.