# Nó na garganta.

Havia ali acontecido o primeiro ato:
Era noite, o frio se tornava
quase um desacato.
Ninguém passara aos arredores
queria, ao menos um mero pão.
Mas meu desprezo, se tornara pacato.
Toda vizinhança
era preenchida pela manhã.
Com o som da esperança
vindo da gargalhada
de uma doce criança.
Era eu,
relembrando
quando amava uma mulher
e com ela, usara uma aliança.
Mas ela caminhava
Pulava e cantarolava
seus cabelos quebravam as expectativas
- Até me controlava
mas seu cheiro me aproximava,
eu me sentia tão seu
e seu perfume, me adormeceu

No segundo ato:
Sentia saudade
Isso era um grande fato.
Não podia esconder;
escolher o que sentir
afinal meu olfato
me fazia prosseguir.
Talvez o meu tato
sentisse você no vento.
Ficava ao relento
esperando
apenas um doce momento
de pegar-te nos braços
e como uso minha imaginação
por uns segundos, invento
você aqui comigo.
Você se vai
e eu ao chão.

E no ato final:
Sinto tudo desmoronar,
a criança estava perturbada
mas a criança era eu, afinal.
O choro era mortífero
e eu não conseguira parar.
Enquanto isso,
via-se a ossada
a se decompor
no ar rarefeito
a carniça
não me deixara pensar.
Ao chão
cinzas perturbadas
tudo era pó
e na memória
apenas
uma linda história.
Na garganta restara
uma palavra que formara
um grande nó.
Você estava linda
E eu estava só.
Sei o que é sentir a dor persuadindo sobre minhas pálpebras.