Era uma manhã fria de inverno., e mais um dia Enrico acendeu seu cigarro e pegou uma xícara quente de café e se pôs a pensar nos problemas pessoais. Até então, nunca havia sentido sua crise dos vinte e poucos anos, mas lá estava ele, pensando, e pensando e pensando. Seu trabalho, sua família, sua casa, tudo sendo ameaçado de um suposto suborno policial.
Tudo começou a alguns meses atrás, quando ele dirigia seu veículo em uma estrada isolada da cidade. Ficava próxima a uma grande floresta, e era comum o caso de acidentes por causa de pequenos animais que atravessavam em frente aos carros. Os policiais da região então já conheciam a região, era famosa, saia em grandes noticiários da região, e muitas vezes rodavam até em cidades vizinhas.
Todos tomavam um certo cuidado ao passar por ai, mas para sua sorte, aquele foi apenas mais um dia comum no caminho que o levava de volta do trabalho para casa.
Ele morava em uma cabana aconchegante, com uma grande lareira que sempre era acessa as seis horas, separado a mais ou menos um ano e meio da sua esposa Alisson, e seu filho, ainda um pouco novo, Adam, que não sabia de quase nada.
Se sentava mais um dia, com seu cigarro sempre no bolso esquerdo da camisa, era companheiro inseparável e fruto de tantas e tantas inspirações com um copo de whisky envelhecido ao lado do cinzeiro. Lembrava dos romances policiais que sua ex esposa adorava ler. Agatha Christie era sua escritora favorita, e um dos romances favoritos dela se chamava Cem Gramas de Centeio. Um suspense muito intrigante, e Enrico sempre desejou ser um grande escritor, como Agatha. Ele trabalhava em uma loja de departamento, seu salario não era alto, mas dava para se virar.
Já Alisson, vivia na cidade grande, havia arrumado um padastro para Adam, seu nome era Bryan, e juntos viviam bem, não precisavam pedir nada a ninguém, e Adam tinha um ótimo contato com seu pai biológico. Todos viviam muito bem, entretanto, algumas brigas do casal Alisson e Bryan, surgiam a partir do ciumes que Bryan tinha da situação. Bryan era um quarentão, aposentado, e Alisson acordava cedo para levar Adam até a escola. Ela cuidava de outras crianças também, enquanto outras mães trabalhavam. Adam sentia muito medo dos trovões e relâmpagos que caiam lá fora, e muitas vezes ia devagar até o quarto de seus pais para dormir com eles. Bryan não gostava muito, mas era o que ele fazia desde pequeno quando chovia horrores na sua antiga casa, com seu pai verdadeiro, já Alisson vivia pedindo paciência, dizia que aquilo iria acabar um dia, enquanto isso, paciência...