Embora fosse somente cafeína, senti meu corpo viciado naquilo. Foram longos anos ao lado dos cafés expressos, longos anos dos cafés coados, e aquele cheiro de café pela manhã aguçava sempre meus neurônios como se fosse cocaína. Eu era um viciado, um pseudo viciado em café.
Tudo começou quando minhas horas se sono não cobriam exatamente todo sono que eu deveras sentir. Precisei de um "reagente" a mais no meu organismo para combater o sono e tentar me manter concentrado nas matérias da faculdade de Letras da qual cursava – nunca soube verdadeiramente se eu gostaria de ser professor, escritor, revisor –, mas uma coisa era certa, sono e concentração não combinam nenhum pouco.
Tentei por tantas vezes outras soluções que pareciam não surtir efeito, misturar refrigerantes de cola com energéticos a base de guaraná. Já tomei pílulas de cafeína para acalmar minha cabeça sonolenta, mas acredito que somente o aroma... Ah, aquele aroma, fosse o suficiente, talvez eu precisasse mesmo de uma dose de café diária em excesso, talvez meu dia fosse contabilizado por horas, talvez precisasse de café para sobrevivência.
Hoje em dia, o café tem feito parte da minha vida. Necessitei de uma cafeteira que o fizesse expresso, afinal, um gosto mais apurado saciaria mais rápido a minha vontade/necessidade de consumo cafeínico. Errado, consumir um café um pouco mais apurado, não significaria em um equilíbrio em quantidade, isso apenas aumentaria o meu metabolismo fazendo com que eu precisasse de mais café, sendo assim, enquanto eu tomasse café eu permaneceria necessitado de cafeína, sendo café coado ou expresso. Se coado fosse, talvez precisasse um pouco mais, pois a quantidade de cafeína é menor, já que a quantidade de água utilizada no modo de preparo da minha mãe é maior do que o utilizado na maquina italiana de café.
Minha família sempre grande apreciadora de café, embora também controlassem a dosagem usando a quantidade de dedos que queriam que fosse colocados na xícara, e eu, como adquiri esse gosto um pouco depois de quase toda a minha família ter falecido, não aprendi com os melhores como era saber moderar o consumo dessa maravilha que sempre me arrancou de mim mesmo. Quantos copos; xícaras se podem consumir sem que haja alteração metabólica em um individuo como eu? E mesmo que houvesse tais alterações, elas afetariam na minha saúde e bem estar, ou só atrapalhariam na minha renda financeira já que teria que comprar aos fardos café torrado para que fossem moídos na minha maquina e depois consumidos quase que imediatamente pelo meu corpo?
Bom, talvez não importe mais, porque afinal, precisei tomar uns seis copos de café hoje, com esse ultimo, o sétimo, e bom, surge uma nova questão, cafeína é minha cocaína?