Acordei
Embora ainda estivesse com sono
para mim, coisa normal
um jovem de vinte e dois anos
sofrendo de tristeza terminal.
Talvez dormisse
no pranto sagrado
sentimento totalmente agregado,
para com aquela que me jurou amor
eu a amava,
mas estava comigo apenas por favor,
nunca se entregou
apenas fingiu ser quem não era,
fingiu ser ela mesma.
Eu fiz promessas
e perdi coisas que não eram realmente minhas
perdi você,
isso fazia parte do plano,
Enxergava-te nos reflexos do mundo
com aquele seu sobretudo
a cobrir seus seios,
Enxergava-te e beijava-te sem saber
talvez estivesse no meu universo particular
sem você não conseguiria sobreviver.
Sem você nunca soube o que é viver.
Mas posso lhe dizer que tentei,
de todas as formas,
durante horas,
achar alguma explicação
o tumor era maligno,
era mais do que uma cirurgia,
era preciso uma transfusão.
Você está em mim
e aparentemente não quer sair,
ouço outra de você,
falando com outro eu,
ouço ela a rir,
ouço ela feliz,
se enquanto eu estiver a morrer,
você estiver feliz,
assinai minha autópsia
votando para que você não seja retirada daqui.
Eu amo você a me corroer,
enquanto essa grande hemorragia
acaba com as paredes sanguíneas.
Você me faz sentir-se vivo,
bem melhor que a radioterapia.