As lembranças daquele natal foram extremamente boas, mas a somatória das consequências não lhe agradaram. Era dia 26, tudo já estava normal, mais uma quarta feira pacata que dava receio de andar de cabeça erguida na rua. As avenidas ainda enfrentavam engavetamentos, muitos estavam voltando de viagem, outros indo para passar o ano novo em outra cidade, já que a meteorologia afirmava que as praias do lado norte estavam ensolaradas.
Lá estava Erick, sorridente - por dentro e chateado por fora -, ele não conseguira entender o porque das noites em claro que passara acordado se resultaram em pesadelos horríveis. E periodicamente ele pensava, porque diabos lá estava ele se lamentando, porque ele estava cabisbaixo. Mas a falta de coragem de assumir uma postura era relativamente pequena, e ele voltava a decair em sua própria melancolia. Sua saudade de Dianna o deixava assim, e enquanto pensava nela, ele podia ver ela, em todas as outras pessoas. Era bom, talvez rever a sua amada, em diferentes corpos, etnias, religiões, mas de outra forma, a sua menina não era nenhuma delas, era apenas uma miragem que ele se deixara levar. Uma pequena reviravolta da sua dor. E embora essas coisas acontecessem quase que diariamente, Erick ainda não estava preparado para rever sua amada. Talvez porque estivessem longe a muito tempo. Erick sem notícias, sem um sinal de vida de Dianna, porém, a ultima gota que restava de esperanças para ele era muito forte, resistia a pressões, a muitos: - Quero esquecê-la. Chega! - Obrigatoriamente ele segurava suas lágrimas, repudia seu sofrimento.
Contudo, as horas passavam, os papeis no trabalho eram cumpridos, e ele não conseguia mais manter sua concentração. Nos papeis, os números se misturavam com letras, cálculos, estatísticas, e parecia uma grande maré de palavras, coisas que ele não queria ler. Eu amo Dianna...
Ao anoitecer, ele se sujeitou a continuar a sua vida, sua rotina não diferiria muito de antes, ele ainda costumara subir no ultimo andar do prédio, tomar o seu café e deitar-se sob as estrelas. Mas desta vez, algo parecia lhe incomodar, algo que ele não esperava acontecer. Ele já deitado, aprontando-se para ir embora, é assustado por uma pequena coruja, algo difícil de se encontrar na cidade. E embora ele não gostasse de corujas, ela pousou. O pio da coruja era alto, parecia voraz. Ela voa em direção a Erick, assustando-o, e ele acompanha ela esquivando-se, pronto para ter uma iniciativa de ir embora. Quando ele se vira, ele observa uma outra pessoa na sacada, uma mulher de aproximadamente trinta anos, de costas. Aparentava um certo grau de elegância, o seu perfume foi notado ao se aproximar para se apresentar;
- Oi. Timidamente dizia Erick ao olhar para ela
- Você me assustou! Nossa! Não sabia que ninguém mais costumava vir aqui! A linda moça dizia assustada ainda. - Como é seu nome? Perguntou a moça.
- Erick, e o seu? ...