Ele então abre os olhos assustado, depois de acordar daquele sonho, mais uma vez ele leva a mão sobre a barriga de Alisson, e começa a cheirar seu cabelo. Um cheiro doce como cravo da índia, um creme que ela adorava passar sempre antes de dormir. Enrico beijava seu pescoço delicadamente, agradecendo por ela ainda estar ali.
— Onde está o meu whisky? Não encontro meu whisky — Procurava desesperadamente por sua garrafa de whisky doze anos.
As memorias vinham com o tempo, não conseguia deixá-las de lado...
O cheiro era fascinante, penetrava dentro da cabeça de Enrico, e não o deixava. Embora ele achasse que o sonho medonho que havia tido teria acabado, quanto mais ele cheirava aquele doce cabelo, as mãos começavam a acariciar ainda mais o corpo, e acariciando, acariciando, sentiu sua mão um pouco úmida, um cheiro de ferro, era sangue, e quando afastou a mão, Alisson pedia: — Não me deixe amor!
Acordou do sonho que havia sonhado em outro sonho, então mais aliviado, se levantou. Viu que sua esposa não estava deitada ao seu lado, estava preparando o café da manhã. Entrou em outro banho, estava soado, a noite o deixou nervoso, e só aquele banho poderia acalmá-lo.
Cada passo o fazia lembrar do sonho, alguns pedaços de madeira de seu quarto rangiam de verdade, e o corredor, era um pouco frio, mas não muito. Desceu as escadas segurando no corrimão, viu Adam correndo pela casa enquanto Alisson gritava da cozinha para ele parar. Sorridente então, abraçou a esposa por trás, encostou a cabeça em seu ombro esquerdo, e a beijou com certa voracidade, vontade, alivio por ela ainda estar ali. Ela até achou um pouco estranho, era raríssimas as vezes que ele estava de bom humor quando acordara. Então, disse a ela o que havia sonhado, se sentando em uma das cadeiras da mesa de quatro lugares da cozinha. Pegando o suco, que tomava pela manhã, disse que ele havia matado-a em sem sonho, e que aquilo tinha o assustado.
Ela achou estranho, disse para que cortasse o remédio, ou que pelo menos, tomasse meio comprimido, afinal, o médico disse que haveriam efeitos colaterais. Suspeitaram logo que esse fora um desses efeitos.
Pegou seu suéter vinho, terminou de tomar mais um copo de suco, e pegou seu automóvel para ir ao trabalho mais um dia. Não entendia o porque da vida ser assim, só queria que as coisas ficassem perfeitas, com ele, e com sua família.