# Provas de 1 crime (Pt. 4)

A imagem de sua esposa se deitando lhe vinha na cabeça. Ela se deitando lentamente, apoiada pelo braço encostado em um dos travesseiros da cama. Ela se levantando devagar, ela sorrindo em câmera lenta, o som das risadas ecoavam dentro do quarto, e ela estava vestida a rigor para aquela noite. Uma camisola bem solta, com as costas nuas, vermelha sangue. Sua calcinha era vermelha também, havia um laço do lado direito e outro do lado esquerdo. Ela era linda, adorável.
Naquele tempo cuidava da parte administrativa da loja de departamentos, então era quase obrigado a se vestir bem. Pelo menos, servir de exemplo para aqueles que gostariam de sair daquele trabalho braçal e ocupar seu cargo. Seu sonho era ocupar a gerência da mesma, quem dera, um jovem de seus vinte e cinco anos ocupando a gerência de uma loja de departamentos com mais de vinte mil itens. Embora parecesse impossível um líder com essa idade, ele era sempre prendado e atencioso a tudo que acontecia por ali, um forte candidato.
Naquele dia o trabalho era mais puxado, havia chegado algumas mercadorias novas no departamento, algumas notas deviam ser dado baixa, ele sabia o que fazer, então, puxou sua cadeira de rodinhas, colocou a papelada sobre a mesa, e começou a mexer naquele computador empoeirado, aquele teclado duro que muitas vezes não dava o controle para que o caractere aparece na tela do computador. Sempre mais papeis apareciam sobre a mesa. Tratava de algumas dívidas da loja também, então ele sabia como estava a situação financeira da mesma, que aliás, estava em perfeito estado.
Começava a escurecer as seis horas, nesse tempo todo, Enrico já estava exausto daquele esforço. Prestar atenção nos numerais, aguentar o falatório do chefe ao seu ouvido pedindo agilidade. Ele não sabia a dificuldade que era usar um teclado daqueles. Não via a hora de subir de cargo, pelo menos não passaria por mais aqueles descasos, estava enfatizado.
Eram cinco horas e dez minutos, faltava pouco para ir para a casa. Se levantou, foi até a sacada, acendeu um cigarro e fechou os olhos, tragando com vontade para que aqueles minutos passassem mais rápido. Então, voltando a sua posição, terminou o seu trabalho, e chegou até a não se despedir do chefe, pegou sua bolsa, e foi embora dali.
Foi naquele dia então que pegou seu automóvel, o deixou na garagem, e como já era o esperado, caminhou até aquele bar. O mesmo bar desde quando começou a trabalhar. Porém, hoje ele precisava de uma coisa a mais, talvez uma dose a mais, talvez duas, talvez três doses. E foi assim mesmo que acontecera. As mesas do bar eram de madeira, uma tábua retangular envernizada, já haviam algumas marcas d'água dos copos sobre a mesa, então as garçonetes serviam os copos com um guardanapo sob eles, para evitar que acontecesse essas marcas indesejáveis. Os guardanapos que estavam sendo postos sob os copos de Enrico guardavam informações como o numero de telefone e nome das garçonetes. A cada pedido, um nome e numero diferente. Ele estava ficando bêbado, cansado, então, com todos aqueles guardanapos sobre a mesa, se levantou meio tonto, já havia deixado ali uma quantia razoável de dinheiro por causa das bebidas, então, tropeçando ainda mais em suas pernas, foi até em casa, mas não conseguiu fazer tanto silêncio. Estava exausto, então, não queria conversa com ninguém, foi até o banheiro, levantou as pressas a tanta do vaso sanitário e começou a vomitar. Se limpou e começou a ouvir uma bronca de Alisson, ela já sabia que bebia, mas nunca havia chegado a esse ponto. Ele estava esgotado, mas ela disposta a iniciar uma briga. Falava alto, dizia que assim não conseguiria continuar, começou então a chamá-lo de bêbado, alcoólatra, então, fez com que ele perdesse o pouco de paciência que lhe restava. Deu-lhe um tapa no rosto, e o olhou nos fundos dos seus olhos. Ele estava feroz, não suportara a ideia de que uma mulher o batesse, por mais que soubesse que estava errado, ele então devolveu o tapa. Sua mão era um pouco mais pesada, Alisson sentiu o tapa com mais peso, e para ela, aquilo havia sido a gota final.

Sei o que é sentir a dor persuadindo sobre minhas pálpebras.