# Medo do escuro (4ª Parte)

Ralf mesmo depois de já ter acordado daquele pesadelo, continuava com muito medo, tudo que aparecia naqueles instantes de enfermo parecia estar acontecendo devagar. De um modo derradeiro. Era muito simples mas muito complexo aceitar que tudo não se passava de um sonho. 
Então Ralf chama Rachael para conversar mais alguns instantes antes dela sair pela porta a fora. E assume que Daniel ele não sabia quem era, mas que estava começando a fantasiar algumas coisas também, mas que tudo não se passava de um trauma vivido a alguns anos atrás. Embora Rachael acreditasse em Ralf, custou a ela apenas aceitar a situação e começar tudo de novo.
Ralf pediu perdão por estar tocando naquele assunto, tão antigo e delicado, e então ele e Rachael se dão um abraço forte, e um beijo inesquecível. Descem para o café da tarde.
Como de costume, bacon com ovos mexidos. Ralf poderia até viver só com isso, mas Rachael quis mais, fez um belo bolo de chocolate. As crianças foram correndo para a mesa fartas de fome, e pediram um pedaço de bolo com rapidez. Rachael diz que tem uma surpresa quando todos terminarem o café, então ao termino do café, ela pega o carro e parte em direção a sua casa, trazendo algumas fitas com a infância de Sophie, talvez assim Ralf conhecesse um pouco mais de sua filha. E passaram a noite assistindo a tal surpresa.
Quando se deitaram, Emy e Sophie foram para seus quartos, cada uma com um carinhoso beijo na testa de seus pais. E Rachael, com um beijo, também adormeceu. Ralf desceu e decidiu começar o seu projeto de madeira. Começou a desenhar, mas aquele lápis era pouco, e era preciso fuçar em algumas caixas para achar onde eles estavam praticamente escondidos. Ai então, Ralf achou uma fotografia de Rosie onde eles estavam unidos junto com o Dr. Algust, um velho amigo do casal. E logo em seguida, achou a caixa com os lápis. Voltou para sua escrivaninha e acendeu seu lampião à gás. Fez cada detalhe parecer muito real, mas foi interrompido por seus próprios pensamentos, que o fizeram pegar um bloco de números de telefone, e ligar para Algust. Eles conversaram durante horas, já que Algust ainda estava em seu plantão médico, e sem querer, Algust fala que Rosie era uma linda mulher, e que gostaria de ter mais um filho de Ralf. Queria um casal para serem mimados, e ele se chamaria Daniel. Ralf já sabia que a carreira dele de pai não acabaria na Emily Bakker, então não foi nenhuma surpresa para ele saber disso. Algust então percebe que há um barulho vindo da emergência, e fala para Ralf que precisa ir ver o acontecido. Ralf enfim concorda e desliga o telefone. Embora parecesse tudo nos conformes, Ralf tem um leve pressentimento, talvez uma breve pausa por alguns segundos, é quando Emily aparece o chamando para dormir, e tendo que repetir por alguns minutos até ele sair da psicose. Ele finalmente descobre quem seria Daniel, mas ainda nega o contato de Emy com ele, ainda mais que, se Rosie estivesse grávida, Daniel nunca sobreviveria à queda. Então Ralf meio bagunçado estende a mão para Emy e a deita novamente, mas acaba adormecendo junto a ela na mesma cama.
Um homem simples como ele sempre foi, nunca quis prejudicar ninguém, mas dessa vez, parecia estar se prejudicando sozinho, mesmo não querendo. Não entendia como seus sonhos apareciam e o amedrontavam, mas sabia que eles sim eram terríveis.
Pela manhã, Ralf acorda devagar e olha para o lado, vê Emy intacta, mesmo depois dele ter dormido ao sue lado. Levanta devagar para fazer o café, mas não vê brinquedos ao chão, e acaba pisando em um dos brinquedos, que automaticamente faz um enorme barulho. As meninas se remexem, de um lado para o outro, mas voltam a dormir. Ele abre a porta suavemente, desce pela escadaria e não encontra Rachael na cozinha. Acaba achando estranho, então vai até seu quarto e vê Rachael deitada semi nua deitada embaixo dos lençóis, deita ao lado dela, e começa a passar a mão em seus cabelos cacheados. Ela estava ali, tão clara e doce que parecia um sonho, mas não era. Rachael estava ali para iluminar a vida de Ralf, e estava conseguindo muito bem. Resolve então fazer o café da manhã, e levá-lo na cama para Rachael. Algumas torradas, algumas bolachas, e um pouco de suco de laranja - o preferido de Rachael. Então ele a acorda com alguns beijos no rosto, ela se apóia na cabeceira da cama, e toma em suas mãos todo o café. Ele a oferece um bom dia, ela o retribui com o mesmo, e com um beijo. Um beijo simples mas um beijo forte. Ela diz que na madrugada passada sentiu sede e desceu para beber água, e encontrou a moldura quase feita ao lado de Ralf, no porão.
Ralf diz que dormiu feito pedra, e que aquilo não era possível, já que ele havia dormido junto com Emy. Desce as escadas, abre a porta embaixo da escada, e vê a obra quase pronta, que faltava apenas ser pintada. Rachael vem logo atrás, para a confirmação, da qual é concebida. 
Ralf virou um sonâmbulo. Terminou quase praticamente sua obra, e já poderia vendê-la para seu amigo Mark.
Sei o que é sentir a dor persuadindo sobre minhas pálpebras.