# Redenção.

O mundo em água,
calotas polares se destruindo,
nossos filhos verão o fim, de água doce
mas mortífera.
Dinheiro algum resistirá,
ninguem mais passará fome.
A água simplesmente não vai acabar,
vai estar sempre se transformando nesse enfizêma.
Morfina alguma acalmará a dor
- adoro sentí-la -,
vamos se enterrar sozinhos,
não há ninguem para nos salvar, e decisões são para serem tomadas,
por isso, uma pílula de ferro, sempre desce pela minha traquéia.
Ajoelho-se para implorar por todos os santos,
mas parecem que eles se cansaram de nós.
Cansei de esperar por uma salvação,
de acreditar em uma ideologia,
ultimamente nem mesmo meu espelho me mostra alguma.
Mas quando achamos que está tudo perdido,
uma lágrima a mais escorre em nossos olhos,
e só percebemos ela quando ela chega em nossos dedos.
Mesmo quando pensamos estar bem, quando tudo ocorre bem,
lagrimejamos no escuro, e sua textura é tão fina que não conseguimos sentir.
O vento solitário sopra e arrasta nossa gravata para cima do ombro,
e quando a colocamos de volta, olhamos para o lado,
vemos a mulher com seu crucifixo entre os seios; desrespeito.
Tendo como mensagem subliminar a vida,
ocultando os sonhos, que queriamos sonhar a muito tempo,
bom, não podendo fazer absolutamente nada,
o nada é demais para mim.
Sei o que é sentir a dor persuadindo sobre minhas pálpebras.